Born Under Saturn - Django Django

Clique aqui para ouvir o álbum
Vou ser bem direto: fazia tempo que não me encantava tanto com uma banda, com um álbum, com um som. Tenho ouvido algumas coisas novas, algumas bandas que prometem, mas puta merda, o Django Django deixou de ser promessa para se tornar essa bela realidade. Esta banda formada em 2008 em Londres poderia facilmente ser confundida com aquela trupe maluca que invadiu a cinzenta Manchester e coloriu a cidade no fim dos anos 80 e início dos anos 90, eternizando aquela alcunha maneira "Madchester". Não, se você não conhece sequer um dos lunáticos que chacoalharam a Inglaterra (e por consequência o mundo), dê uma parada de leve para conferir nomes como Stone Roses, Happy Mondays, Inspiral Carpets entre outros. Ouviu? Espero que sim, tem link para o principal álbum de cada um deles, é só clicar no nome das bandas. Já conhece? Então vai entender bem quando colocar esse álbum do Django Django.

O Born Under Saturn foi lançado em maio deste ano e já desponta como um dos cinco melhores de 2015. Você pode dizer que o afobado come cru. Certamente. Mas esse álbum aqui é uma exceção. Para quem conhece aquele som que citei no parágrafo acima, que rolou em Manchester e inspirou a maioria das bandas que apareceram posteriormente - incluindo o consagrado Blur - não vai estranhar minha pressa em colocá-los entre os melhores do ano. A psicodelia, o experimentalismo, os elementos eletrônicos que abundam de forma genial, sem provocar aquele cansaço, emula de forma saudosista o Stone Roses, que em minha humilde opinião, se trata do poço mais largo de inspiração para a banda londrina.

A primeira faixa Giant é um barato. Notas fortes de piano chegam como um tapete vermelho para a harmonia de vozes que começa a permear na atmosfera que se forma. É suave, estonteante, simplesmente não vacila. A bateria, que se exibia firme na pisada dos bumbos, empresta nova intensidade com o ritmo marchado, dando sustança e surrupiando fôlegos de ouvintes desavisados. De repente o som tem um break, com o baixo robusto segurando aquela ausência das batidas, acompanhado pelo tilintar da meia-lua e vozes equilibradas, constantes no timbre:

Holding the sky and the Earth
Looking down to the worms
Way below, standing tall
Giant


A música se desenvolve (e como não se desenvolveria com tamanha base?) e presenteia a audiência com um instrumental envolvido por um emaranhado de notas de guitarra e contratempo oportuno na batera. O break volta com tudo. Tudo se encaixa. Aí depois, lá pelos 4:30, a coroa reluzente:

Take it back if you really, really wanna take it to the stars

Repete o canto, repete o canto e, mesmo tendo saciado nossa ânsia por qualidade, as vozes cessam e o final te faz fechar os olhos e balbuciar: "filhos das putas".

A álbum prossegue firme e forte, com Shake and Tremble, cavalgando nas batidas, num estilo que lembra muito o Silver Apples na música Oscillations. Ótima influência. O pop repleto de efeitos sonoros aleatórios dá as caras e uma canção de refrão pegajoso é o que temos por aqui. A produção foi feita com muito esmero, detalhes cuidadosamente introduzidos, variação perfeita da energia dos instrumentos. Bonito de ser ouvir.

Found You é aquela faixa que me fez constatar: se o Stone Roses retornasse e lançasse um álbum, iria soar muito parecido com o do Django Django, principalmente na terceira faixa. Parece proposital tamanha semelhança com o resultado vocal de Ian Brown à frente do Stone Roses. Tá bom, prometo ser essa a última menção à banda de Manchester.

Vibrations tem um belo romance entre cordas de baixos e botões de sintetizadores. Quando a coisa pega fogo, lembra algumas coisas do Primal Scream. O "panelaço" que aparece repentinamente, longe da polêmica política, é um belo modo te terminar as coisas.

A banda lançou seu segundo álbum três anos após o homônimo Django Django, que chamou a atenção e merece uma conferida atenta. Reza a lenda que a banda estava ansiosa e preocupada com o resultado das gravações e da produção desse novo álbum. O nome "Born Under Saturn" é uma alusão à astrologia. Segundo os especialistas, "nascer sob Saturno" significa o confronto de temores, de medos. Bem, posso dizer que os medos da banda inglesa estão a sete palmos do chão, muito bem sepultados. O resultado desse álbum é um som corajoso, confiante e revigora uma cena meio cambaleante de sons sem vida, sem referências fortes. O que dizer? Um viva à Saturno!

Set List

1 - Giant
2 - Shake and Tremble
3 - Found You
4 - First Light
5 - Pause Repeat
6 - Reflections
7 - Vibrations
8 - Shot Down
9 - High Moon
10 - Beginning to Fade
11 - 4000 Years
12 - Break the Glass
13 - Life We Know

*Para Bianca

O ROCK TOWN! DOWNLOADS ESTÁ DE VOLTA (É SÉRIO)!

Felipe Muniz: a barba tá mais cheia que
a do Felipe Pipoko. 
Desde a última vez que atualizei esse blog moribundo, muita coisa mudou. Ainda víamos downloads de álbuns rolarem aqui e acolá, hoje temos serviços de streaming de música como Spotify, Deezer, entre outros. E esses serviços encontraram espaço naquela época. Em 2011,  os atos do Congresso dos EUA, que fizeram despontar por aí a SOPA (Stop Online Piracy Act, ou Lei de Combate à Pirataria Online) e a PIPA (Protect Intelectual Property Act, ou Lei de Proteção à Propriedade Intelectual) foderam com os blogs de música, foderam com sites como Megaupload, Fileserve, 4shared, Rapidshare, Filesonic, Mediafire, todos com pastas para upload de arquivos (e consequente download dos mesmos). Todos foram banidos, reduzidos, espancados. As consequências foram devastadoras por aqui: de um dia para o outro, todos os arquivos, milhares de músicas do Rock Town! Downloads foram para o espaço, fazer companhia ao Major Tom do Space Oddity, ao Alan Parson e sua música Time e ao Rocket Man de Elton John. Todos flutuando num escuro inacessível, censurados.

SIM, frustrou muita gente. Frustrou o Rock Town! Downloads. Frustrou seus leitores e consumidores. E frustrou o Felipe Muniz (esse da foto, o antigo Felipe Pipoko), que de tão frustrado, desencanou do blog. Felipe Muniz, que já havia mudado pra Brasília, se tornou especialista em política nacional, poder legislativo federal, marketing eleitoral, e ao invés de falar sobre novos sons, estava atento aos velhos projetos de lei que assombram os corredores da Câmara dos Deputados. E agora chega de falar de mim em terceira pessoa.

Como vocês devem ter percebido, há um tempo o blog mudou de visual. Havia sido uma tentativa sofrida de retomar o blog. Desanimei de novo. Coloquei até link de torrents, como solução temporária para o impasse dos downloads, mas a inspiração havia apodrecido na SOPA ou pior, foi eletrocutada tal qual uma PIPA, em algum fio de energia, de alguma cidade bagunçada do caralho.

Desculpem-me pelos trocadilhos.

Mas eis que há mais ou menos dois meses recebi um sopro de vida. Não quero me esticar muito no romance, mas estou namorando uma mulher que, em seus 25 anos de idade, me faz lembrar demais aquele Felipe Pipoko que com os mesmos 25 anos escrevia feito um doido no blog e em outros sites e publicações. Era um Felipe mais intenso e vivo e hoje vejo aquele cabeludo voltando de leve, apenas pra lembrar o quanto é legal garimpar novos sons. Nos últimos anos fiquei meio chatão com música, aquela síndrome de tiozão. Valorizando sons consagrados, queria ouvir coisas sem o risco de errar. MAS qual é a graça? Ainda não cheguei à idade de ficar sofrido, praguejando contra as bandas atuais que são tão boas quanto as antigas, bandas estas que sofrem apenas a penitência de serem mais novas. Pobres diabas.

Enfim, tô enferrujado, mas empolgado. Quero apresentar novos sons, sem esquecer os mais antigos. Vou disponibilizar link do Spotify para os álbuns que colocar aqui, já que no Spotify você não precisa ser assinante para poder ouvir o som (mesmo que em ordem aleatória). Adianto minha opinião sobre esses serviços de streaming: são sensacionais. Cobram um preço baixo, apresentando o maior custo-benefício da história (perdendo apenas para o crack).

Espero a visitas dos velhos amigos do RockTown! Downloads, que em breve completará dez anos de existência (cacete, quanto tempo faz!).