Albúns que Você Precisa Ouvir (Nessa Semana)


É, o tempo não anda contribuindo com o andamento do RockTown! Downloads. Mas nada impede que eu coloque uns eventuais álbuns aqui, só pra tirar o pó dessas linhas.

Esse post traz quatro discos diversificados, alternando os estilos, mas que você deve conferir um por um. Digamos que deve ser algo como "álbuns que você deve ouvir até o fim dessa semana". Recomendo sem hesitar.

Vantage Point - dEUS: Lançado este ano, o novo álbum dessa banda belga é coisa fina. Fruto da genialidade de uma seleção de músicos proeminentes, o som mantém muito da sonoridade típica da banda, que é recheada de batidas definidas e entrelaçadas com ataques rápidos de guitarra num estilo cheio de swing. As faixas assumem uma aparência experimentalista, com um rock pesado associado a muitos elementos eletrônicos. Mas não vá se enganar: é puro rock, bem tocado, bem elaborado e complexo o suficiente pra te deixar atônito. Experimente a suave e dinâmica 'When She Comes Down' ou acrescente um peso à sua adição com 'Oh Your God'. Outra boa pedida é a 'The Architect' com sua cara explícita de anos 80, aliás, que versão dos anos 80!

Set List

1- When She Comes Down
2- Oh Your God
3- Eternal Woman
4- Favourite Game
5- Slow
6- Architect
7- Is a Robot
8- Smokers Reflect
9- Vanishing Of Maria Schneider
10- Popular Culture


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Engine Takes To The Water - June of 44 : Antes de mais nada, é uma banda formada em 1994 na grande cidade de Nova York. Definir o som dos caras é algo meio difícil, digamos que se trata de um experimentalismo nos moldes do Shellac, com acordes de guitarra em ritmo pausado, versos em sua maioria falados, batidas abafadas e abusadas e o baixo bem fundamentado. Se você prestar atenção, vai identificar muitas influências vindas do jazz, principalmente no compasso da bateria e na estrutura da harmonia que escancara uma aparência de improviso. Não, não é um conjunto de sons desorganizados. Tem muita coesão, afirmada na firmeza de cada nota tocada. Ouça com atenção 'Have a Safe Trip, Dear', que abusa das variações de intensidade. E vá sem medo para a clássica 'June Miller'.

Set List

1- Have a Safe Trip, Dear
2- June Miller
3- Pale Horse Sailor
4- Mindel
5- I Get My Kicks for You
6- Mooch
7- Take It With a Grain of Salt
8- Sink Is Busted


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Vietnam - Vietnam: Outra banda de Nova York, é uma surpresa excepcional da nova leva de bandas que surge por todos os cantos. Ouvi uma música desse álbum no ano de seu lançamento, em 2007, na rádio KEXP de Seattle. Fiquei atento e corri atrás do som, sem êxito algum. Tenho o costume de anotar num arquivo do Bloco de Notas todas as bandas que descubro, pra escutar depois, com mais atenção. Confesso que até esqueci deles e só fui ver essa anotação um ano depois, quando em uma nova busca, consegui achar o álbum para o download. A canção que havia ouvido é 'Mr. Goldfinger', uma ode ao anti-materialismo, de música intensa, embelezada por toques de piano e uma guitarra teimosa, envolvente e ríspida. Comecei a identificar influências jorrando como uma fonte graciosa, da fatia mais blues dos Rolling Stones até a amargura muitas vezes encontrada na poesia de Bob Dylan, que não só na poesia é presente, mas também na construção das canções, que conta com um ar folk bem requintado. De repente você observa e ouve aquelas viagens espaciais do Pink Floyd seguidas de notas de um rock despretencioso, enxarcado com whisky, como você pode ouvir na faixa 'Priest, Poet & the Pig'. A faixa que abre o álbum, 'Step on Inside' tem um canto soturno de início, sob notas graves de piano até que fios de blues se entrelaçam ao pop dos anos 60, muito bem aproveitado aqui. Sobre a última faixa, cabe uma nota: não toca merda nenhuma, não estranhe.

Set List

1- Step on Inside
2- Priest, Poet & the Pig
3- Apocalypse
4- Mr. Goldfinger
5- Toby
6- Gabe
7- Welcome to My Room
8- Hotel Riverview
9- Summer in the City
10- Too Tired
11- Piano Song (Hidden Track)


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Nuit Blanche - Vive la Fête: Se você tem a mente aberta para tendências experimentais, ainda mais quando essas experiências envolvem conhecimento profundo do rock e influências dos sintetizadores enlouquecidos dos anos 80, esse disco tem sua cara. Essa dupla belga (Danny Mommens integrava a banda dEUS disponível acima) formada em 1997, mistura da melhor forma possível, batidas de sincronia perfeita, harmonias que encaixam perfeitamente com essa mescla, apresentando o dinamismo do eletro e a atitude do rock que nesse álbum parece que nasceu para ser tocado assim. E claro, a voz deliciosa de Els Pynoo aliada ao idioma francês dá calafrios ao ouvinte (e dependendo do caso, à ouvinte também). A faixa de abertura 'Nuit Blanche' é sombria e principalmente sensual, no sotaque carregado de Pynoo. 'Touche Pas' é a mescla da qual eu estava falando, tocando bem alto, efeitos dos mais magnéticos misturados com a guitarra rasgando ao fundo. 'Malad d'Un Fou' merece destaque pela repaginação feita pela dupla de todo o euro-dance do fim dos anos 80 e início dos anos 90. É pra sentir satisfação do início ao fim, em todas as necessidades, sejam elas musicais ou sexuais.

Set List

1- Nuit Blanche
2- Touche Pas
3- Jaloux
4- Joyeux
5- Mon Dieu
6- Malad d'Un Fou
7- Assez
8- Noir Desir
9- KL
10- Mr. le President
11- Maquillage
12- Adieu

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Do You Like Rock Music? - British Sea Power

O British Sea Power galga degraus rapidamente numa curta trajetória. Essa banda inglesa formada na cidade de Cumbria em 2000 apareceu na cena musical em 2003 com o aclamado álbum The Decline of British Sea Power, marcando o início de uma caminhada de aprendizado e clara evolução musical. Em 2005 lançaram o novamente elogiado Open Season, que despontou com algumas canções pela Europa, dando uma certa notoriedade aos ingleses. Qualquer pessoa que dizia entender de rock, havia ouvido pelo menos um som da banda. As influências do grupo passeam pelo pós-punk do Joy Divison (pra variar), serpenteiam pelo rock mais garagem dos Stooges e saltita pelo solo macio do britpop. Se você unir em sua cabeça tudo que citei, com certeza deve imaginar uma sonoridade sujeita a elasticidade de intensidades: acertou. Agora some a tudo isso a sensibilidade de letras que abordam diversos temas (em muitos casos, tragédias) e uma facilidade em criar uma atmosfera sombria. Pronto, este é o British Sea Power.

Agora em 2008, os ingleses lançaram seu terceiro disco, o Do You Like Rock Music? que apresenta um ambiente musical bem parecido com o Neon Bible do Arcade Fire. Semelhanças existem, mas não podemos cometer o erro de afirmar que é uma cópia perfeita da banda canadense, afinal, se olharmos para o histórico do British Sea Power, notaremos que até chegar no estado atual, eles se aventuraram em diversos caminhos, dos mais movimentados e intensos até os mais sombrios e pavorosos (no sentido da sensação e não da qualidade). 'All In It' abre o álbum com sons de orgãos ao fundo, uma percussão pesada e de compasso bem marcado. Um coral, que parece de centenas de vozes nasce para auxiliar a voz grave de Yan Wilkinson. A faixa se arrasta com pequenas alterações por um pouco mais de dois minutos. 'Lights Out For Darker Skies' segue com a textura sonora que a banda utilizou no disco anterior. Uma versão mais acessível da banda, uma espécie de aperitivo que antecede os sinais de evolução da banda. Até aqui, quem é familiarizado com os trabalhos anteriores da banda vai pensar que tudo continua o mesmo. Mas logo em seguida, 'No Lucifer' surpreende com inicio calcado numa sinistra calmaria, figurada por um violino que puxa como que um pavil, toda a paz proposta. Aos poucos este pavil é aceso e a chama formada acaba em um barril de pólvora, que não se limita a inicializar a mudança na faixa, e sim em todo o álbum. É aqui que as coisas ficam realmente interessantes. O senso harmônico apresentado nessa faixa é de deixar a boca aberta. Só acho que eles deviam dar um jeito de prolongar essa canção. 'Waving Flags', o primeiro single do álbum, mantém o clima iniciado e tem refrão contagiante, fácil de cantar, o que faz o ouvinte atentar para essa faixa. Os arranjos alcançam o êxtase extremo e de repente adormecem numa ponte marvilhosa:

Here is my pride
here is my life
It just tastes good
Especially tonight

A ponte leva o consciente do ouvinte para uma espécie de complemento, um salto para um grand finale. É de arrepiar. 'A Trip Out' já mexe com guitarras, numa aparência mais lo-fi, onde a brinca de power-pop, lembrando a banda Big Star, dos anos 70, que inspirou muita gente, de Guided by Voices atéo R.E.M.. A guitarra é mais agressiva e a linha de baixo é sinuosa, sob uma parede sonora que intensifica a união dos instrumentos. E não há como deixar de destacar a enigmática 'No Need To Cry' que prepara de forma precisa e soturna o ouvinte para o fim do álbum. 'We Close Our Eyes' termina como começou, com aquele mesmo coral de centenas de vozes. Porém o diferencial dessa faixa é o conjunto de sons, ruídos, compondo algo como uma cena de guerra, ou melhor, cena de fim de guerra. Como diz o título da faixa, recomendo você fechar os olhos e vislumbrar a cena de devastação. É incrível. A interposição de vozes e ruídos é deliciosa e fecha de forma gloriosa o disco.

É um clássico instantâneo de nossa década que está por acabar. Sem dúvidas o British Sea Power criou um trabalho coeso, sério e perpétuo. Se muita gente das gerações anteriores mantém o rock vivo, gente da geração atual - através de uma utilização perfeita de influências - também faz esse árduo serviço com louvor.

Set List

1- All in It
2- Lights Out for Darker Skies
3- No Lucifer
4- Waving Flags
5- Canvey Island
6- Down on the Ground
7- A Trip Out
8- The Great Skua
9- Atom
10- No Need to Cry
11- Open the Door
12- We Close Our Eyes


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Real Emotional Trash - Stephen Malkmus

É claro que qualquer fã do Pavement que se preze sente falta da banda, de novos lançamentos, dos shows, enfim, de tudo que esteja associado ao Pavement e à palavra 'novidade'. Mas quando o ex-líder da banda, Stephen Malkmus, continua cantando e encantando em sua carreira solo, não há como se deliciar com as 'novidades' que ele lança. A última dele é sem dúvida o melhor álbum de sua carreira. O Real Emotional Trash é ensandecido, é calmo, lisérgico com uma epopéia de guitarras vindas de uma banda de apoio espetacular (The Jicks). Este disco é um abrasivo para a dura camada de carência que o fim do Pavement deixou em seus fãs. Não há como negar o êxito dos discos anteriores do cantor, mas ele conseguiu pela segunda vez se responsabilizar pelo nascimento de um clássico do rock alternativo, já que ele cantarolava impecavelmente pelas faixas do Slanted and Enchanted.

O disco lançado em 2007 começa com acordes pomposos, lotados de estética sessentista, flertando bem com o ácido que ludibriava e guiava aquela geração. Sim, 'Dragonfly Pie' tem um título alucinado e uma variação harmônica fora do sério. Malkmus está à vontade para manipular as notas, subir e descer em intensidade. A flexibilidade é assunto ativo e presente em todo esse disco. Em 'Hopscotch Wille', o que parecia marasmo estampado se transforma em uma perseguição, onde as cordas da guitarra são implacáveis na marcação da voz de Malkmus. Cada fim de estrofe é um desaguar de arranjos explosivos que arrasam tudo pela frente. E quando tudo está devastado, há uma restauração do ambiente, com a exibição de um solo virtuoso, sustendado por um baixo tão rude que todo o solo, escandaloso, toma ares sombrios graças ao desempenho do instrumento de apoio supracitado. Mas não há dúvida: se você observa e viaja em acordes de guitarra, essa é sua faixa. 'Real Emotional Trash' é meloso, é um pop perfeito, é um rock distorcido, são notas dissonantes e embriagantes, é psicodelia obscura, é o sucesso transmutado para ondas sonoras, é experimentalismo despretensioso. É autoridade em matéria de rock. São dez minutos tão rápidos, que você tem a sensação de que nesse disco, cada minuto tem apenas dez segundos. 'Baltimore' me fez balançar a cabeça negativamente por vários minutos. Fiquei pensando: "filho da puta, como você consegue fazer isso? só pode ter usado droga". E sinceramente, pra exibir esses contornos distorcidos e ao mesmo tempo alinhados, tem que estar sob muitas substâncias químicas. Bem, era isso que eu pensava até ouvir essa faixa. Me dêem licensa, mas preciso dizer um VAI TOMAR NO CU!
Real Emotional Trash é um deleite para quem aprecia o rock sem rótulos. Para quem quer ouvir um homem desarmado do medo, do receio e de preconceitos. E ainda dizem que o rock está morrendo. Enquanto gente como Malkmus - que integra as memórias dos loucos anos 90 - existirem, o rock estará a salvo. Sim, sem necessidade de sair por aí elegendo hypes e punhetando em cima de pseudo-salvadores. Esse disco é uma aula de rock para a nova geração.

*Sugestão de Angela

Set List

1- Dragonfly Pie
2- Hopscotch Willie
3- Cold Son
4- Real Emotional Trash
5- Out of Reaches
6- Baltimore
7- Gardenia
8- Elmo Delmo
9- We Can't Help You
10- Wicked Wanda

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