Reforço do Rock Town! Downloads

Bem, o reforço do Rock Town! Downloads é uma medida de urgência para salvar as noites dos leitores do blog que já estão putos com a falta de atualização desta página. O tempo tem sido escasso, porém a vontade de satisfazer seus pedidos e anseios, me fez tomar essa medida rápida, porém extremamente cheia de boa intenção. Então, pelos deuses, façam bom proveito desse pack de discos!

___________________________________________________________

Oh! The Gradeur - Andrew Bird

Lançado em 1999, esse disco conta com a participação da banda que geralmente acompanha Andrew Bird, o Bowl of Fire. Com um jazz incandescente, como no disco Thrill, nesse disco gravado em Nova Orleans, Bird mostra que há sim um revival do estilo swing do jazz, como também ainda há espaço para o violino artístico, com flertes até com o tango. O clima de bordel se instala e garante momentos nostálgicos. Sabe aquela sensação de saudade de uma época que nunca se viveu? Então, é disso que estou falando. Quer relaxar porém se manter acordado graças à uma riqueza sonora inacreditável? Essa é minha recomendação.

Set List

1- Candy Shop
2- Tea and Thorazine
3- Wishing for Contentment
4- Wait
5- The Idiot's Genius
6- Vidalia
7- Beware
8- Dora Goes to Town
9- Feetlips
10- And So...
11- Coney Island Shuffle
12- Respiration
13- (What's Your) Angle?
14- The Confession
15- Beware (Reprise)/Drinking Song (In the Grande Style)


___________________________________________________________

Either/Or - Elliott Smith

Com seu ar lo-fi, Elliott Smith mostrou a essência de sua carreira nesse disco lançado em 1997. Batidas abafadas, acordes encantadores de guitarra, e acredite: tudo tocado pelo próprio Smith. As canções evocam aquele pop sessentista, uma leveza surreal em todos os arranjos, mas a suavidade vem mesmo da voz do americano de Omaha, Nebraska. Either/Or é o terceiro disco do cantor, mas com certeza é o mais ambicioso de todos, pelo senso de harmonia raramente ouvido em outros trabalhos, não só dele, mas de qualquer outro cantor. O disco é uma ótima trilha para dias chuvosos, para momentos de reflexão. Não é à toa que consideram seu som um sadcore.

Set List

1- Speed Trials
2- Alameda
3- Ballad of Big Nothing
4- Between the Bars
5- Pictures of Me
6- No Name No. 5
7- Rose Parade
8- Punch and Judy
9- Angeles Smith
10- Cupid's Trick
11- 2:45 A.M.
12- Say Yes


___________________________________________________________

Highway 61 Revisited - Bob Dylan
Bob Dylan está em alta mesmo. Desde o dia em que elegeram o folk como a nova tendência para os indiezinhos babarem em cima, elegeram também a volta de Dylan. Ele estava na cena, mas não era esse destaque todo, ainda mais aqui no Brasil, quando ele depois de muitos anos, voltou a fazer shows (criminosos, economicamente falando). Ignorando esse golpe mercenário, vamos nos prender à figura emblemática que ele representa. Sempre com letras profundas, cheias de estórias e histórias conectadas com o discurso político ou com a a arte de contar história (típico do folk tradicional), esse cantor nascido no ano de 1941 em Minnesota arrebanhou milhões de fãs não só por todos os lugares, mas por todas as gerações - que tanto careciam e carecem de um herói para seguir. Dylan era o herói a ser seguido em 1965, ano do lançamento de Highway 61 Revisited. Embora passasse por uma contestação jamais vista graças à sua transição do estilo tradicional em violão para a guitarra elétrica, Dylan não abandonou seu estilo, de forma alguma, apenas viu vantagens em eletrificar seu som, algo inaceitável para os fãs mais radicais na época. E as vantagens foram notadas na sonoridade límpida do disco, aliada aos elementos do folk tão conhecido pelos apreciadores da música tradicional americana, que nada mais era que um country-blues, sempre com tendências óbvias para a melancolia do blues ou a euforia do country. O disco é o mais aclamado de sua carreira, um marco em todo seu percursso musical. Foi a variação no ambiente musical que diferenciou esse trabalho. Suas primeiras experiências dentro do rock se encontram lá e claro, seus grandes clássicos estão estampados em suas faixas. Se você não sabe muita coisa sobre Dylan, esse disco é obrigatório e quer saber? É o suficiente para se apaixonar por sua música.

Set List

1- Like a Rolling Stone
2- Tombstone Blues
3- It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry
4- From a Buick 6
5- Ballad of a Thin Man
6- Queen Jane Approximately
7- Highway 61 Revisited
8- Just Like Tom Thumb's Blues
9- Desolation Row


___________________________________________________________

Onde Brilhem Os Olhos Seus - Fernanda Takai
Lembro da minha mãe comentando sobre a voz doce de Fernanda Takai, quando as músicas do Pato Fu rolavam direto nas rádios. E realmente ela é dona de uma das vozes mais agradáveis e doces do Brasil. Mas acima de tudo, uma voz altamente ajustável, seja quando quer adoçar as belas melodias de sua banda Pato Fu ou quando se aventura no mundo complicado das intérpretes, afinal, não é pra qualquer uma que consegue sair viva dessa função tão substimada no Brasil. E em nosso país, as intérpretes podem ser escurraçadas injustamente, desprezadas, mas muita gente nem se dá conta que ouve e idolatra uma grande cantora, porém intérprete: Elis Regina. E sob a sombra da fenomenal gaúcha, muita mulher se desdobrou para seguir a musa da MPB, mas sem sucesso. Não estou aqui para dizer: "céus, a Fernanda é a nova Elis". Não, não. Elis é Elis e é igual Pelé, não haverá outro. Mas a Fernanda com certeza é um fôlego gracioso em nossa surrada e depreciada MPB e seus inérpretes nessa nova geração. Enfim alguém teve a coragem de interpretar grandes sucessos mais conhecidas na voz de Nara Leão, grande nome de nossa música, a musa da bossa nova. E Fernanda, de forma genial, conseguiu dar sua cara às canções, tão consagradas como 'Com Açúcar, Com Afeto' de Chico Buarque (e que minha namorada insiste em atribuir a letra ao nosso relacionamento) ou 'Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos', que está bem produzida, identidade intacta, porém textura diferente, mais eletrônica, mais dinâmica. 'Lindonéia' apresenta um bolero moderno, incrível. O disco é uma pérola para a nova geração que anda ouvindo apenas a cansativa Ana Carolina ou as explosivas e idênticas em voz Ivete Sangalo/Cláudia Leite. É disco pra deixar rolar e suspirar do início ao fim.

Set List

1- Diz que Fui por Aí
2- Lindonéia
3- Com Açúcar, com Afeto
4- Luz Negra
5- Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
6- Insensatez
7- Odeon
8- Seja o Meu Céu
9- Estrada do Sol
10- Trevo de Quatro Folhas
11- Descansa Coração
12- Canta Maria
13- Ta-Hi

___________________________________________________________

Autobahn - Kraftwerk
Essa banda alemã fundada em 1970 na cidade de Düsseldorf é uma das mais influentes da história. É tão influente quanto foram os Beatles, mas claro, dentro de sua área. É claro que você pode odiá-los por terem começado a música eletrônica que desencadeou bilhões de vertentes idiotas, como o trance, o drum'n'bass entre outras, mas desse grupo também saiu o electro-rock ou as pitadas eletrônicas do New Order e as junções com sintetizadores que muitos estilos utilizam, como é o caso do rock industrial. Mas toda a contribuição que eu listar aqui vai ser muito vaga, afinal, é indizível a influência deles na música atual. O disco Autobahn, lançado em 1974 talvez seja o mais conhecido pelo público (é nome até de balada em Sampa). Mas o que impressiona é a sofisticação, o quanto eles estavam à frente já nos anos 70. Nós que estamos acostumados a ouvir o eletrônico atual e achar que os computadores fazem milagres com seus programas (que não passam de simuladores de sintetizadores daquela época), ficamos impressionados com o vanguardismo do som da banda, os efeitos tremendos em cada faixa e por que não, o fato curioso das letras serem em alemão? Algo que tira nossos ouvidos um pouco da estética do canto em inglês. O disco é um manual de como se faz música eletrônica e com certeza é para viajar com tantas variações sonoras. Ouça Kraftwerk e você entenderá muita coisa.

Set List

1- Autobahn
2- Kometenmelodie 1
3- Kometenmelodie 2
4- Mitternacht
5- Morgenspaziergang

___________________________________________________________

SHELLAC - Dia 29/03 - Clash Club - São Paulo/SP


É nesse sábado!
Se você ouviu o som do Shellac através desse blog, deve saber que o sábado, dia 29, será histórico. Steve Albini, Todd Trainer e Bob Weston - o trio mais explosivo e descarado da música nos brindará com um show inesquecível.

Clique na figura ao lado e veja os detalhes do show!
Estarei nos bares ao redor do Clash (que fica na Barra Funda), desde cedo, bebendo. Quem quiser, junte-se à nós!

Multi Kontra Culti (Vs. Irony) - Gogol Bordello

Desde a última vez que citei o Gogol Bordello aqui no blog, a banda tem ficado cada vez mais famosa. Grande parte desse sucesso se dá pelo fato da mídia especializada e sensacionalista criar um frenesi desnecessário em relação à vinda deles para o Brasil. Digo desnecessário porque não houve uma declaração oficial nem por parte da banda e muito menos por parte do Tim Festival. Nem no site da banda podemos encontrar algo entre as datas já confirmadas. Eu realmente espero que tudo dê certo. Não perderia por nada um show tão explosivo como é o show do Gogol Bordello. O problema é que nossa mídia musical é rica em jornalistas de qualidade, mas é incrível como a grande maioria das pessoas que vão à shows, esses indiezinhos de meia-tigela, abaixam a cabeça e acatam tudo o que o Lúcio Ribeiro diz. Fiquem atentos, leitores do Rock Town!, porque se eu pudesse taxar alguém de anticristo, ou melhor, de besta da mídia, não hesitaria em outorgar o cargo à esse jornalista fútil que escreve pra Folha de São Paulo (?!), Capricho entre outras porcarias.

Como muitos já sabem, a banda é uma fusão incrível de nacionalidades, formando uma riqueza cultural e acima de tudo, riqueza em matéria de originalidade. Não há como traçar uma similaridade, é algo incrivelmente novo. É como se os Gypsy Kings começassem a tocar punk rock. Seria engraçado? Então adicione um vocal com inglês lotado de sotaque e com um desleixo enxarcado de humor e carísma. Você terá como resultado essa banda, formada em Nova York no fim dos anos 90, sob liderança do engraçado Eugene Hütz, um imigrante ucraniano que não abandonou suas raízes, nem na música, nem nas letras. Com performances dignas de Freddie Mercury, o vocalista encanta palcos pelo mundo com show, como citado acima, explosivos.

O primeiro disco deles, o Multi Kontra Culti (Vs. Irony), lançado em 2002, trouxe uma proposta bizarra, mas que ao contrário do que muitos esperavam, foi de grande êxito, afinal, o disco os projetou para os principais mercados da música. A banda que tem base em Nova York, fez turnê de grande sucesso na Europa (verdadeiro lar), fato que ocasionou uma popularidade cada vez mais ascendente. Na primeira faixa, 'When The Trickster Starts A-Poking (Bordello Kind Of Guy)', a musicalidade diferenciada é escancarada em ondas serpenteantes de acordeão, dispensando por ora, uma tradicional entrada de guitarra. Os violinos se encaixam perfeitamente, fazendo a junção de harmonias milenares com a textura do ainda adolescente rock. É algo tão encantador que o melhor que você pode fazer é ouvir. 'Haltura' vem com ritmo ludibriante, com raspas de violino e uma bateria bem segura. Sua levada é delirante e dá uma sensação engraçada de estar no meio de uma caravana cigana. 'Let's Get Radical' é o grande destaque, começando com um ritmo lento, num quase reggae, se valendo de uma ótima linha de baixo até que os arranjos se encontram em choques magníficos de instrumentos, enquanto o sotaque de Hütz entoa, de forma arrastada:

So let's get radical!
[Algo em russo] radical!
Not ironic, sardonic, catatonic, ceremonic but radical!
De repente os arranjos descendem em estouros dos pratos e a trupe instrumental. 'Future Kings' é incrível pela sua proximidade com a no-wave e as distorções que ouvimos no lado Sonic Youth do underground novaiorquino. É genial ver instrumentos soltando notas retorcidas, num clima decadente, enriquecido por um vocal que se derrete em drama.

O disco é extremamente recomendável. E não é só pelo motivo da possibilidade da vinda deles esse ano. Mas para acrescentar algo novo em sua coleção de músicas. Ou melhor, na sua coleção de bandas preferidas, afinal, não há como não colocá-los num lugar alto entre as suas bandas prediletas.

*Sugestão de Darlan

Set List

1- When the Trickster Starts A-Poking (Bordello Kind of Guy)
2- Occurrence on the Border (Hopping on a Pogo-Gypsy Stick)
3- Haltura
4- Let's Get Radical
5- Smarkatch
6- Future Kings
7- Punk Rock Parranda
8- Through the Roof 'n' Underground
9- Baro Foro
10- Hats Off to Kolpakoff

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Sunshine Superman - Donovan

- Você já ouviu esse aqui? - Vivi me perguntou, balançando a capa do CD.
- Não, não que eu lembre.
- Putz, ouça, você vai curtir. É o Donovan. Uma parada meio psicodélica, meio folk.

Naquela mesma tarde, a Vivi acabou comprando um CD do Donovan e fomos à casa dela. Quando chegamos ao apartamento, ela colocou o disco para tocar. Lembro que ouvimos umas três faixas, que foram suficientes para despertar minha curiosidade. E valeu a pena. Ao chegar em casa, ouvi o disco diversas vezes, ao mesmo tempo que lia sobre a vida do cantor.

Donovan nasceu em Glasgow, na Escócia no ano de 1946. Começou sua carreira no meio dos anos 60 e foi considerado a resposta britânica a Bob Dylan. Embora tivessem estilos semelhantes, não é justo fazer essa afirmação. Na verdade Dylan foi a maior influência para o escocês e não há como ver muita semelhança nas letras dos dois músicos: enquanto Dylan explorava os becos sujos da América, as mágoas de sua nação, a pura realidade, Donovan viajava em canções otimistas, sob a leve aura da ideologia hippie ou flower power. Sua canções eram dotadas de uma psicodelia incrível, arremessando o ouvinte às canções dos Beatles onde citaras indianas e cantos em ritmo de mantras eram expostos pelo místico George Harrison.

Sunshine Superman foi lançado em 1966 e mostra toda a textura delicada de canções que aliam a temperança dos tradicionais acordes campestres com as flutuantes noções hippies de harmonia (leia-se viagem cósmica de LSD). O disco goza de ótima produção, com arranjos atípicos e bem executados, contando com violinos, citara, batuques de bongôs e ótimos momentos de flerte com o rock, como pode ser ouvido na primeira faixa 'Sunshine Superman'. Ela tem um certo resquício do som do Jefferson Airplane, com aquela levada repetida que sempre desagua em ótima dose de euforia, principalmente quando um pequeno solo irradia em meio ao torpor sonoro que se instala. 'Three King Fishers' é soturna, mas é enriquecida pelas influências indianas tão marcadas nos longos trechos de citara. 'Season of the Witch' é outro grande destaque do disco, frenético por seu arranjo complexo, pela voz de Donovan que se transforma tornando-se um rock star quase estérico e pelo banho de exaltação que a guitarra e o orgão dão à harmonia. Essa faixa é a psicodelia das mais bem feitas. 'The Trip' é uma canção para viajar em uma estrada ensolarada, com aquele vento nos cabelos e aquelas montes verdejantes ao redor. Sob o ritmo marcado do baixo e a levada folk do violão, é a canção que mais se aproxima de Bob Dylan e seu estilo.

Particularmente, acredito que comparações na maioria das vezes apenas prejudica o trabalho de um artista. Ainda mais quando a comparação é precipitada. Foi o que aconteceu com Donovan. Criaram um 'hype' em cima do coitado, comparando-o ao seu grande ídolo (e não só comparando, como fazendo dele um concorrente, um equivalente britânico). Cada um, cada um. E você vai comprovar o que estou escrevendo, quando ouvir essa grande obra dos anos 60.

Set List

1- Sunshine Superman
2- Legend of a Girl Child Linda
3- Three King Fishers
4- Ferris Wheel
5- Bert's Blues
6- Season of the Witch
7- The Trip
8- Guinevere
9- The Fat Angel
10- Celeste

BUSCA!Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Warpaint - Black Crowes

Dentro da minha viagem atual de ouvir um rock mais fincado nas raízes do country, chamando bem alto aquele blues de estrada, me vi instigado a ouvir o novo disco dos Black Crowes. A banda formada em 1984 em Atlanta na Georgia, sempre impressionou pelos lampejos de country-rock com um hard-rock bem firme, sem estrelismo em demasia e sem aquelas firulas desnecessárias de guitarra, que sempre estragam trabalhos de bandas que podem até contar com ótimos integrantes, mas de tanto enfeite, empobrece o disco ou música e deixa uma aparência superficial. Minha viagem sulista tem algumas escalas em territórios de bandas que são essencialmente hard-rock, como é o caso do AC/DC ou de bandas que são tão ríspidas que são chamadas de bandas de rock'n'roll, como é o caso dos Rolling Stones. E os Black Crowes vieram a calhar, juntando tudo isso num disco só. E que disco.

Em Warpaint, lançado nesse mês, os irmãos Chris e Rich Robinson arrepiam em solos, riffs e duelos de guitarras. Mostram em um mapa toda a rota da minha viagem, parando em trechos que aparentam as terras do The Band e seu country afinadíssimo. Aí você sente que há uma leveza de acordes, semelhantes à que Keith Richards mostrou no lendário Sticky Fingers e flutua na incrível atmosfera que se equipara aos melhores momentos do Creedence Clearwater Revival.

'Goodbye Daughters Of The Revolution' é anos sessenta ao extremo, dançante e conta com sublimes notas adornando pontos estratégicos da música, como por exemplo, cada fim de verso ou o êxtase do refrão. 'Walk Believer Walk' é rastejante, suplicante e ataviada com toques requintados em um orgão nostálgico. A levada é maliciosa, num blues-rock poderoso e cheio de truques de saída. 'Oh Josephine' é a mais longa e a mais bela das faixas, sem dúvida alguma. É complexa porém enxuta, simplificada por detalhes tão puros, como os vocais que cantam 'Josephiine' ou pelo tilintar de notas agudas do piano, que embelezam a canção com acessórios de um ragtime doce e hipnótico. A canção é finalizada por uma batalha de guitarras tão incrível, tendo como espectador aquele velho orgão que faz todo o cenário músical girar rapidamente. É arrepiante. 'We Who See The Deep' é mais uma dose de notas vívidas que pulsam eufóricas e de forma repetida pelas veias do rock engenhosamente trabalhado nesse disco.

Faziam seis anos que os fãs não eram brindados por um disco de estúdio e eis aqui, não só a novidade, como também a eficiência e a polidez do melhor trabalho que os Black Crowes fizeram desde o Amorica, de 1994. E já pode figurar na lista dos melhores de 2008.

*Sugestão de Carlitos

Set List

1- Goodbye Daughters of the Revolution
2- Walk Believer Walk
3- Oh Josephine
4- Evergreen
5- We Who See the Deep
6- Locust Street
7- Movin' on Down the Line
8- Wounded Bird
9- God's Got It
10- There's Gold in Them Hills
11- Whoa Mule

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Accelerate - R.E.M.

Eu realmente não ouvi o suficiente para traçar paralelos exatos entre outros trabalhos anteriores. Mas que nas audições que fiz pude tirar uma conclusão: é o melhor disco da banda lançado nessa década. Michael Stipe e o R.E.M. não fazem feio. Você já deve ter ouvido o single 'Supernatural Superserious' e através dele você pode fincar uma bandeira de referência sonora. Com toda a explosão da guitarra, a linha de baixo sugando energias e as filtrando em movimentos desvairados - acompanhando batidas sumptuosas. Quando ouvi a canção em questão, pensei: putz, os caras acertaram dessa vez, mas será que o trabalho todo está em harmonia com toda esse vigor? Ao ouvir o disco inteiro, concluí que sim. Há uma coesão incrível, um senso de direção explícito no andamento do disco. Há uma tendência fortíssima aos tempos de puro power pop aliado ao melhor do rock independente da época, que andava de braços dados ao lo-fi e ao noise. E cá entre nós, bandas que acertam no alvo, revendo seus conceitos e trazendo à tona suas reais propriedades são sempre ótimas de ver e ouvir. E o R.E.M., surgido em 1980 em Athens, Georgia, já é uma lenda viva dentro do pop/rock, ditando algumas das tendências que muitos copiaram nos anos 90, aliando a potência da guitarra do rock com a aceitação geral do pop.

Accelerate será lançado no dia 1º de abril e é grande expectativa para os fãs que desde 2004 não ouviam um trabalho de estúdio por parte da banda. O disco anterior, Around the Sun não agradou ninguém, nem fãs nem crítica. E por isso que muitos fãs sofrbem com um certo frio na barriga só de ouvir falar no novo disco.

Vai por mim, o disco remete a banda aos seus anos dourados. Serve até pra quem apenas conhece 'Losing my Religion' tentar compreender a musicalidade do grupo, que é riquíssima.

As faixas em vermelho são as recomendações do RockTown! Downloads.

Set List

1- Living Well Is The Best Revenge2- Man-Sized Wreath
3- Supernatural Superserious
4- Hollow Man
5- Houston

6- Accelerate7- Until The Day Is Done
8- Mr. Richards
9- Sing For The Submarine
10- Horse To Water
11- I'm Gonna DJ

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Adventure - Television

É complicado lançar um segundo disco. E o que toda a mídia chama de 'síndrome do segundo disco' e realmente muitas bandas desfalecem sob os efeitos colaterais dessa síndrome. É quando o encanto some e uma sensação inegável de que a fonte secou, se apodera dos ouvintes. O Television não sofreu da síndrome e na verdade, a mídia na época nem se preocupava com o nível de qualidade do próximo trabalho. Sabiam que Tom Verlaine e companhia não decepcionariam. E a convicção era tão grande que nem mesmo o lendário Marquee Moon (disco anterior) oferecia alguma ameaça que pudesse ofuscar o próximo trabalho. E sim, o Adventure foi lançado em 1978 e apresentava as mesmas influências que irradiavam no Marquee Moon. A new wave era desenhada nos acordes de Richard Lloyd e nas letras de Verlaine.

'Glory' é maravilhosa pelo seu riff, pela evolução instrumental, pela gama de possibilidades que o ouvinte tem em cada trecho e pelo refrão infalível em marcar o som da banda. 'Foxhole' tem notas de guitarra que beiram o hard rock. A elasticidade criativa do Television é posta a prova nessa canção, saíndo intacta e vitoriosa, numa demonstração incrível de noção harmônica e encaixe de arranjos impecável. A voz de Verlaine, pouco comum na época, é inovadora em cada sílaba cantada. 'Careful' utiliza de vocais espessos, e uma linha recatada nos braços do blues e do country (sim, aqueles acordes agudos e flexíveis do campo). O refrão é mais uma mostra da facilidade de Verlaine em criar trechos inesquecíveis. O início de 'Ain't That Nothin'' é a cara da banda. Faz lembrar dos destaques do disco anterior e dá certeza ao ouvinte de que não há motivos para se preocupar com a qualidade da banda: ela continua intocável. Há um solo maravilhoso no meio dessa faixa que explica melhor o que palavras não podem.

Mas uma pérola do fim dos anos 70, cheio de material precioso para as bandas que viriam a surgir na rica década posterior. Mas a verdade é que as bandas de nosso tempo utilizam exaustivamente de elementos maravilhosos do Television, mas que acabam sendo taxados de manjados. Por isso o melhor mesmo é beber da fonte.

Set List

1- Glory
2- Days
3- Foxhole
4- Careful
5- Carried Away
6- The Fire
7- Ain't That Nothin'
8- The Dream's Dream

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Yours to Keep - Albert Hammond Jr.

Para quem está fulo com o hiato indefinido e inesperado dos Strokes, nada melhor que um trabalho solo para matar a saudade do som. Dos acordes ao menos. Conheço uma infinidade de pessoas que se apegou ao Orquestra Imperial pra sentir alguma coisa de Los Hermanos nas canções, nem que seja para viajar na voz do Rodrigo Amarante. Bem, outras bandas à parte, Albert Hammond Jr. já é um grande prodígio da guitarra em nossa geração. Quem não lembra dos solos de qualidade e técnica incontestáveis ainda nos Strokes? Aquele solo da canção 'Reptilla', que está no segundo disco da banda, é sensacional. A levada encantadora da ótima 'You Only Live Once', que está no último disco deles, é de fazer marmanjo dançar com o riff simples e grudento. Mas o que falar do disco solo do guitarrista nascido em 1980 em Los Angeles, California? Não posso dizer que o Your to Keep, lançado em 2006, está muito próximo do que a banda nova-iorquina toca. Isso é fato. Claro que um grande guitarrista mantém suas características intactas, seja onde estiver, afinal, todo artista precisa de algo que o identifique.

Os eternos acordes que tem fazem lembrar daquela banda que arregaçou a boca do balão em 2001 permanecem em algumas faixas, como na bem estruturada 'In Transit'. Também podemos notá-los na harmoniosa 'Back to the 101' ou na explosão de compasso pausado 'Holiday'. "Mas nem só de acordes strokianos viverá Albert Hammond Jr., mas de toda a influência de sua vida", e baseado nesse bordão sofrido e semi-bíblico, rastreamos gostos pessoais por entre as faixas e detectamos algo novo na música 'Call an Ambulance' que pega emprestado do banjo algumas notas bem oportunas (revelando seu gosto pela música tradicional americana) e numa ótima produção, insere diversos elementos, como suaves notas de guitarra e assovios. 'Cartoon Music for Superheroes' é uma marcha alucinada e lenta, doce ode à música pop. Ótima para ser apreciada aos poucos, detalhe por detalhe, provando que não se trata apenas de um grande guitarrista, mas de um grande músico, com uma visão ampla, sob olhares de grandes mestres, como Brian Wilson dos Beach Boys. E já que ele é um bom músico, por quê não destacar sua voz? Suave, compatível com cada deixa, com cada espaço, ela nasce perfeita, irrepreensível em meio à harmonia. Voz e harmonia: irmãos gêmeos.

O som é agradável e, sendo uma morfina na veia dos fãs de Strokes ou não, funciona muito bem, afinal, esse trabalho é sinônimo de bom gosto. Não curte Strokes? Ao menos experimente.

Set List

1- Cartoon Music for Superheroes
2- In Transit
3- Everyone Gets a Star
4- Bright Young Thing
5- Blue Skies
6- 101
7- Call an Ambulance
8- Scared
9- Holiday
10- Hard to Live in the City

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Dog Problems - The Format

Formada em 2001 por amigos de infância na cidade de Peoria, no Arizona, a dupla mais conhecida como Formats sabe agradar multidões com seu indie pop/rock requintado, cheio de influências que perambulam pelos anos 60 e 70, exaltando as velhas harmonias (vocais ou não) dos Beach Boys e seu gênio criador, Brian Wilson e juntando-as com canções bem escritas, e grandes momentos de acordes de guitarra que empurram o som aos cantos do indie. Nate Ruess é o vocalista, que com seu timbre agudo encanta o ouvinte, passando uma sensação incrível de flexibilidade vocal e sincronismo perfeito com os arranjos do multi-instrumentista Sam Means. E não só há uma flexibilidade vocal, mas uma flexibilidade detectada nas experiências bem sucedidas de piano, instrumentos de sopro e ritmo marcado.

Dog Problem foi lançado em 2006 e apresenta uma visão do pop sofisticada e bem à frente da maioria das bandas que hoje infestam o cenário musical. Em muitos casos (talvez na maioria das vezes) gastamos dinheiro ou tempo para ouvir "aquela" novidade que está tirando o sono dos indies de plantão. Aí a decepção vem impiedosa quando ouvimos o mesmo feijão com arroz, enjoativo e com letras pífias. O Format entrega ao ouvinte uma estética limpa e facilmente digerível do rock em sua simplicidade encantadora. Em 'I'm Actual' o vocal alcança tons altíssimos, fazendo lembrar os velhos tempos de Freddie Mercury do Queen (eu disse: "fazendo lembrar" e não que parece ou é igual) quando era respaldado por ótimos trabalhos de backing vocals naquele disco A Night at the Opera. 'Time Bomb' é abarrotada de energia e melodia incrível que se enriquece quando notas de piano ditam o sentido da canção e Ruess canta:

tick tock, you're not a clock, you're a time bomb
baby, a time bomb


'Dog Problems' já traz a junção impecável do piano com instrumentos de sopro, como foi citado acima. É a melhor forma de traduzir o dinamismo musical da dupla. Com altos e baixos de intensidade, a canção nos brinda com uma calmaria causada por longas e precisas notas de violino. Essa faixa realmente parece uma canção do disco citado do Queen. Rock, ragtime e cabaré todos juntos numa só canção. 'Oceans' é um rock cheio de 'uhuuus' e uma textura mais radiofônica, lembrando o Nada Surf. O folk entra suave entre as faixas do disco, te lembrando aquelas canções nostalgicas do James Taylor. Levadas adocicadas de violão são a grande atração de 'Snails'.

Esse disco vai lhe garantir ótimos momentos seja numa viagem ou num sábado ensolarado dentro de casa. A dupla tem como sua maior vitória a percepção em produzir um som extremamente mesclado que não perde sua identidade. Muitas bandas pecam em misturar tanto que acabam se tornando inóspitas, sofridas e sem a mínima identificação com algum público. E depois reclamam que não duram demais. E, ironia ou não, o Format anunciou no mês passado, uma parada indefinida do tipo Los Hermanos. Vai entender esse pessoal.

*Sugestão de Kyoshi

Set List

1- Matches
2- I'm Actual
3- Time Bomb
4- She Doesn't Get It
5- Pick Me Up
6- Dog Problems
7- Oceans
8- Dead End
9- Snails
10- The Compromise
11- Inches and Falling
12- If Work Permits

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.

Mclusky do Dallas - Mclusky

Donos de um rock que impoe respeito pelo seu peso, pela confusão de seus ruídos e também pelas pessoas que apostaram neles, o Mclusky é uma banda formada no País de Gales, especificamente em Cadiff, no ano de 1998. Letras irônicas, cobertas de sarcasmo cáustico e deboche visceral se unem para complementar o som - que você pode ter ouvido algumas vezes - mas que se diferencia pela junção de tanta sujeira e uma despretensão invejável. A sonoridade, explosiva e densa, soa desleixada. De forma intencional ou não, a verdade é que eles relampejam em meio à riffs que trepam em sua memória e fazem você assoviar o dia inteiro as canções carregadas de batidas rápidas e desconcertantes - evocando um veia punk - que são bem acompanhadas por uma linha de baixo extremamente excêntrica e maravilhosamente desordenada. A voz de Andy Falkous é de uma variação interessante: rasteja em alguns pontos de calma, mas sabe que está ali mesmo para estourar as cordas vocais em cantos grotescos. E a guitarra? Misture os acordes destemidos do Sonic Youth com a dissonância magnífica do Pavement e você terá uma idéia do que consiste a sonoridade que pesa sobre a atmosfera de Mclusky Do Dallas, disco que foi lançado em 2003 e com certeza trata-se do maior êxito artístico da banda.

O disco foi produzido pela mente genial e perturbada de Steve Albini, o grande nome do underground americano (sua obra está maciçamente exposta em nosso blog). Supondo que você não conheça o homem em questão e pergunte: o que significa ter Steve Albini como produtor? Bem, como qualquer produtor, ele trabalha com bandas ou cantores que exibem potencial de crescimento. Uma coisa é pegar cinco caras e juntá-los ensinando-os coreografias e meter gel na cabeça deles, fazendo-os dublar canções em meio a playbacks. Outra coisa é você detectar talento e elementos que identificam um artista ou banda com uma fatia tão pequena e complicada que é o indie-rock ou para quem ainda não entendeu, o rock alternativo (que não passa pelas rádios em meio aos jabas de gravadoras). Criar marionetes comerciais para o povão é fácil. Agora produzir algo para um público tão exigente, como é o caso dos fãs do underground, é outra coisa. E Albini é especialista em fuçar nas propriedades de uma banda, moldando-a com placas de imundícia sonora e envolvendo-a com metros e metros de coragem, afinal, é preciso coragem para unir tantos elementos descartados pela grande maioria em nossa sociedade. Albini não gostava de muitas bandas que produziu, como é o caso dos Pixies (Surfer Rosa) ou Nirvana (In Uthero), esconjurando-os de forma ríspida e cheia de rejeição. Opiniões à parte, Albini gosta (e muito) do Mclusky. E se compararmos o disco em destaque com o seu antecessor, o ótimo My Pain and Sadness Is More Sad and Painful Than Yours, notamos pequenas alterações, pequenas mesmo. Por exemplo: como não identificar o dedo de Albini na nona faixa do disco, 'Clique Application Form', quando o Mclusky assume as propriedades matemáticas do Shellac e se encontra em um minimalismo magistral? A grande diferença do disco não é o grau de intensidade das músicas, se está menor ou maior, e sim é o toque do produtor. 'To Hell With Good Intentions' é debochada e rasgada, com ótima linha de acordes de guitarra e um compasso bem marcado da bateria atravessa a maioria da canção, exceto os momentos de êxtase do refrão. Vai ser difícil você não cantarolar o trecho que se repete:

My love is bigger than your love
Sing it


'Fuck this Band' é como uma canção dos Pixies que não estoura em guitarras. O baixo é sóbrio e soberanos sobre os arranjos. É o momento mais pacífico em meio a tantos conflitos - provocações e gritarias - que o disco proporciona. 'What We've Learned' é repleto de acordes agudos bem tirados durante a evolução da canção e um riff longo que desemboca num mar de ruídos estridentes. 'No New Wave No Fun' é a grande prova de que o disco pode oferecer injeções de ânimo graças à performance invejável de Falkous e seu vocal escandaloso e furioso. A harmonia é ditada pela bateria, que acompanha acordes de guitarra que misturam o rockabilly e o surf-rock dos anos 60. Mas a faixa definitivamente não é comportada como as influências propostas. E a faixa de abertura é a carta na manga de um jogador precipitado. Sabe quando temos uma arma secreta e a usamos logo no começo do jogo? O Mclusky ignora o fator surpresa e escancara a incandescente e indecente 'Lightsabre Cocksucking Blues'. O vocal é o destaque aqui também, sempre acelerado e aflito, mas a guitarra tem seu trunfo com as diversas paradas bruscas que entregam o fôlego que o ouvinte precisa para acompanhar tamanho frenesi musical. É a entrada perfeita para um disco tão intocável.

Posso ter exaltado a figura do produtor, afinal, é como no futebol: técnico bom é sinal de time bom. Mas Albini nem estaria nessa empreitada se não tivesse reconhecido a capacidade e a qualidade da banda, que mesmo em meio à negligência de seus integrantes quanto às aparências sonoras, soa ajustada como uma banda respeitável. Afinal, quem disse que não são?

Set List

1- Lightsabre Cocksucking Blues
2- No New Wave No Fun
3- Collagen Rock
4- What We've Learned
5- Day of the Deadringers
6- Dethink to Survive
7- Fuck This Band
8- To Hell With Good Intentions
9- Clique Application Form
10- The World Loves Us and Is Our Bitch
11- Alan Is a Cowboy Killer
12- Gareth Brown Says
13- Chases
14- Whoyouknow

BUSCA!
Agora o blog conta com uma busca específica no menu ao lado. Procure discos e bandas/artistas em nossa busca! Serão listados todos os posts onde o nome procurado foi citado.