Lucky - Nada Surf

A primeira impressão é a que fica. Nem sempre é assim, principalmente quando falamos de música.

A primeira impressão que ficou nesse pouco tempo de audição do novo disco dos nova-iorquinos do Nada Surf é de que houve uma amenizada no som, como se a poeira tivesse baixado. Pianos, metais e cordas. Som requintado. Mas isso não significa que o som está "menos atraente" que o do último disco The Weight is a Gift, de 2005. Ele está soando, como um amigo meu disse, mais powerpop que o indie rock de costume. O que significa "mais powerpop"? É o fato de que há influências da energia empolgante do Big Star, uma banda que sabia mesclar o melhor da invasão britânica, com raspas de folk e uma diabólica medida de rock'n'roll em estado bruto. Em algumas melodias o power pop do Nada Surf se reveste de uma vestimenta mais sóbria e romântica, quando buscam no Badfinger alguma inspiração (e conseguem com êxito). O rock como o conhecemos embora presente, está menos agressivo que as levadas que marcaram a essência dos últimos trabalhos. Mas quem conhece a banda sabe que eles são donos de verdadeiros hinos ao amor, como 'Always Love', 'Inside of Love' ou 'Paper Boats', que gozam de melodias tão doces e encantadoras, que nem o mais grunge dos seres consegue ficar inerte ao ouvir uma dessas músicas. E em Lucky, disco que ainda será lançado em 5 de fevereiro de 2008, podemos ouvir muitas canções com esse estilo consagrado da banda. O trio está afiado ao entoar deliciosos acordes misturados a uma linha de baixo pesada e de bom gosto, como é o caso da faixa 'Are You Lightning?'. A voz de Matthew Caws continua serena, abastecida de uma suave rouquidão e um timbre agudo e agraciado. Com certeza essa faixa é a mais marcante, não só pela melodia em si, mas também por elementos marcantes, como é o caso de uns 'uhu-hu-hu-huus' que enfeitam a canção à partir do meio da execução. 'See These Bones' também é forte candidata a destaque do álbum, graças à constante levada da guitarra quee permanece atrelada ao fundo com uma linha de baixo incrível, pela sua versatilidade, pelos vai-e-vem que exibe na extensão da canção. 'Whose Authority' e 'Weightless' mostra que o Nada Surf continua cativante, principalmente pela parede sonora que a guitarra de Caws levanta em torno da harmonia dessas músicas. 'Here Goes Something' é uma curta canção baseada no country americano, na simplicidade de acordes amparados por uma percussão sem ornatos, e bela por sua estética rústica.

A primeira impressão é ótima. E a tendência é melhorar a cada audição. O Nada Surf está cada vez mais maduro, com um som cada vez mais polido. Tire sua conclusão.

Set List

1- See These Bones
2- Whose Authority
3- Beautiful Beat
4- Here Goes Something
5- Weightless
6- Are You Lightning?
7- I Like What You Say
8- From Now On
9- Ice on the Wing
10- The Fox
11- The Film Did Not Go 'Round

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Head Trip In Every Key - Superdrag

Definitivamente, se você não conhece essa banda, baixe esse disco!
Se você misturasse as melodias mais acessíveis do pop feito pelas bandas da invasão britânica como Beatles, Kinks ou Zombies às distorções furiosas do Hüsker Dü e colocasse uma pitada da genial simplicidade dos Replacements, daria uma boa fórmula sonora, concorda? E se você quiser nomear essa fórmula, pode chamá-la de Superdrag. Embora a estrutura do som dessa banda formada em 1993 em Knoxville, Tennessee, seja bem descomplicada, não peca por ser polida demais, apresentando canções de energia obscura, seja nos moldes do punk ou na sujeira grunge. Se você os ouve, pode dançar despreocupado com o pop que emana das guitarras como também pode cair no chão com um rock mais sorrateiro, mais underground, com a variação vocal esplêndida de John Davis que pode soar como um inglês comportado de terninho dos anos 60 lá das ilhas britânicas ou um americano de Seattle com camisa xadrez esperniando sua euforia nos anos 90. A linha de baixo de Tom Pappas é poderosa. Extremamente habilidoso, salienta seu graves acordes com uma extrema perícia no dedilhar frenético que embeleza as canções com a limpeza de suas notas. Em Head Trip In Every Key, disco lançado em 1998, o Superdrag aparenta uma maturidade em relação à composição de arranjos, com uma produção mais elaborada, mais incrementada, porém sem perder a proposta de fazer um rock limpo - leia-se sem enrolação.

Se o disco anterior Regretfully Yours foi um sucesso graças ao hit Sucked Out (até emplacando clipe na MTV), esse trabalho não foi ofuscado pelo sucesso anterior, contando com ótimas canções como é o caso da serena 'I'm Expanding my Mind' que exibe um compasso de bateria bem marcado, mas que não se acanha em mudar seu ritmo, aumentando a intensidade dos arranjos (que conta com notas de piano). A melodia é simples e grudenta. 'Sold You an Alibi' é uma bela demonstração da maturidade da banda, pela sincronia perfeita dos instrumentos, a harmonia que a canção sugere hipnotiza o ouvinte com as levadas simétricas da guitarra de Brandon Fisher que instalam uma incrível sensação de paz à atmosfera sonora. O riff de 'Do The Vampire' é um dos atrativos da faixa, que conta com um refrão perfeito para se cantar, graças à naturalidade melódica que ele comporta. Altos e baixos na evolução da música também prendem a atenção do ouvinte, tirando às vezes o destaque do desempenho da bateria de Don Coffey Jr., que nessa canção é perfeito. 'Mr. Underground' é versátil e é uma das grandes expoentes da sofisticação de arranjos, pois conta com instrumentos de sopro para favorecer a rica melodia dessa faixa. E como não poderia faltar num álbum tão diversificado, 'She Is A Holy Grail' dá o toque soturno ao trabalho, com uma levada angustiada, entristecida pela voz de Davis, que canta com autoridade uma letra encrustada de bela poesia:

When my fever broke
In vapour-trailing smoke
In a bridal veil
She is a holy grail

A canção termina gradualmente, onde o piano é protagonista de um incrível trecho de singular coesão entre os integrantes.

Embora John Davis tenha escrito as letras e composto as músicas, esse trabalho do Superdrag é de uma harmonia tão sólida, que não há como dar créditos apenas a uma pessoa. Todo o trabalho de produção, todos os pontos fortes de cada instrumento e o entendimento entre esses pontos, fazem de Head Trip In Every Key um dos melhores discos da banda.

p.s.: as últimas notícias nos levam a pensar que o hiato imposto pela banda em 2003 termina em 2008 e com a formação original!

Set List

1- I'm Expanding My Mind
2- Hellbent
3- Sold You an Alibi
4- Do the Vampire
5- Amphetamine
6- Bankrupt Vibration
7- Mr. Underground
8- Annetichrist
9- She Is a Holy Grail
10- Pine Away
11- Shuck & Jive
12- Wrong Vs. Right Doesn't Matter
13- The Art of Dying

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The Doors - The Doors

A reunião de dois alunos da escola cinematográfica da UCLA, em Los Angeles não podia ter rendido melhor fruto. Os Doors - formados em 1965 - são o fruto macio, tenro e de sabor inconfundível que brotou da poesia de Jim Morrison, tão admirada pelo seu colega Ray Manzarek, que sugeriu a criação de uma banda para que as letras tão belas fossem adornadas com um som inovador, misturando componentes do jazz, atrelados a toques de blues - bem agressivo - e todos amarrados à uma psicodelia que confundia cabeças e mais cabeças na década de 60. O estilo desafiador de Morrison foi o carimbo de presença da banda, quando em suas loucuras, berrava blasfêmias em shows, elevando sua performance a degraus nunca imaginados. A polícia marcava presença em seus shows, sempre atenta ao primeiro sinal de imoralidade, de afronta aos preceitos morais. O som da banda era marcante porque variava muito do hard rock até momentos onde o ouvinte poderia pensar estar numa jam session de jazz. O baixo que muita gente ouve nas canções do grupo na verdade são habilidosos toques de Manzarek em seu teclado (onde ele demonstrava incrível técnica ao sincronizar o som de orgão com a aparente linha de baixo). O toque de guitarra de Robbie Krieger era repleto de influências do blues acima citado, em muitos casos se valendo de solos poderosos, trechos de acordes vigoros, e porque não alguns flertes com o flamenco? A bateria de John Densmore era a essência da elegância do som dos Doors, sempre equilibrada, com belo trabalho nos pratos e uma agilidade sem contestações. O álbum The Doors foi lançado em 1967, o primeiro trabalho do grupo. E não há muito o que se discutir quando se afirma que se trata de uma das melhores estréias que uma banda já fez na história do rock. Muita gente ainda não estava preparada para as lisérgicas levadas de teclado de Manzarek, silvando como um serpente venenosa, se aproximando cada vez mais do ouvinte. A instabilidade das notas envolvida pelas mais variadas influências que os músicos da banda usufruíam - que passavam pela sofisticação da bossa nova - hipnotizaram o público com uma linguagem musical bem mais complexa (inclua nessa complexidade a poesia de Morrison). Uns dos inspiradores do punk, principalmente em questão de atitude, foram os Doors. E esse, com certeza é um dos discos mais influentes e aclamado de todos os tempos.

*Upado por Felipe Evers

*Sugestão de Pato

As faixas em vermelho são as recomendações do RockTown! Downloads.

Set List


1- Break on Through (To the Other Side)
2- Soul Kitchen
3- The Crystal Ship
4- Twentieth Century Fox
5- Alabama Song (Whisky Bar)
6- Light My Fire
7- Back Door Man
8- I Looked at You
9- End of the Night
10- Take It as It Comes
11- The End

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Midnight Blue - Kenny Burrell

Sob sugestão e ajuda (upload e algumas informações) do nosso uploader Felipe Evers, o RockTown! Downloads apresenta o mais sólido e completo trabalho de um dos melhores guitarristas da história do jazz. Tocando sob uma linha de swing mais cool, com ritmo mais desconstraído e esmiuçando todos os elementos possíveis do movimento bop, Kenny Burrell era o guitarrista preferido de Duke Ellington (e por incrível que pareça, nunca gravaram juntos). Nascido em Detroit no ano de 1931, começou a tocar aos 12 anos, fazendo sua primeira gravação com o lendário trompetista Dizzy Gillespie, no ano de 1951. À partir daí, a carreira continuou a crescer, se transformando na principal figura da cena do jazz em sua cidade natal nos anos 50. Se mudou para Nova York onde gravou com grandes nomes, do peso de Billie Holiday, John Coltrane, Quincy Jones entre outros. Em 1963, lançou o que pode ser considerado o melhor trabalho de sua carreira, o Midnight Blue. Nesse álbum ele conta com participações ilustres do saxofonista Stanley Turrentine, do baixista Major Holley e do baterista Bill English. Com essa reunião de grandes músicos, eles doaram um pouco de seus conhecimentos em pról de um concentrado do que há de melhor nas influências - que misturadas - formaram o jazz. Com uma tendência clara ao blues, Burrell mostra sua apaurada técnica em trechos relaxantes, inesquecíveis, sempre acompanhado pelas doces notas de saxofone que fazem desse disco o ideal para ouvir de madrugada, com um bom drink, assim como sugere o nome do álbum. É uma ótima opção para entender que há espaço para a guitarra dentro do jazz (muita gente associa o ritmo aos instrumentos de sopro). E esse espaço é de protagonista.

*Upado por Felipe Evers

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Set List


1- Chitlins con Carne
2- Mule
3- Soul Lament
4- Midnight Blue
5- Wavy Gravy
6- Gee Baby, Ain't I Good to You
7- Saturday Night Blues
8- Kenny's Sound
9- K Twist

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Tired of Hangin' Around - Zutons

Provavelmente você nunca ouviu falar sobre essa banda de Liverpool, fundada em 2002. Imagine uma mistura de pitadas voláteis de um pop dançante com um swing de Motown e toda sua presença soul. Agora coloque um pouco do melhor do indie rock que você costuma apreciar. Este é o som dos Zutons, cheio de versatilidade e influências das mais diversas. E não se contente apenas com a descrição acima, afinal, existem elementos sobressalentes como o saxofone da bela Abi Harding que embeleza com suas notas diversas faixas do disco, proporcionando um fundo charmoso ao ambiente abarrotado de energia e afogado de espessa substância rock. Mas no disco Tired of Hangin' Around, lançado em 2006, nem tudo se afoga em rock. O baixo de Russell Pritchard é tão agressivo, que você às vezes esquece que existe um peso duplo de guitarras emanando riffs e trechos delirantes. O som é enriquecido pelo senso de harmonia que a banda tem, incluindo backing vocals ao fundo, sejam breves ou prolongados. E a alternância entre vivacidade e o marasmo pode ser notado quando um pouco da raíz country é plantada. Um campo esverdeado se abre e uma sonoridade bucólica é perfeitamente estendida, aumentando ainda mais a aceitação dos ouvintes. Se você quer mudar um pouco o som que ouve - dos clássicos para uma grata surpresa de nossa década - os Zutons são uma ótima opção.

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Set List

1- Tired of Hanging Around
2- It's the Little Things We Do
3- Valerie

4- Someone Watching Over Me
5- Secrets
6- How Does It Feel?
7- Why Don't You Give Me Your Love?
8- Oh Stacey (Look What You've Done!)
9- You've Got a Friend in Me
10- Hello Conscience
11- I Know I'll Never Leave

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The Earth in not a Dead Cold Place - Explosions in the Sky

O pós-rock está de volta ao RockTown! Downloads. Agora representado por uma banda americana de Austin, Texas. A outra banda que figura em nosso blog é a islandesa Sigur Rós, que embora seja extremamente experimental, utiliza-se de vocal para ornar muitas de suas canções. Já o Explosions in the Sky, formado em 1999, enche nossos ouvidos com som absolutamente instrumental. Suas experiências contam com a influência do rock progressivo e espacial do Pink Floyd e seu Dark Side of the Moon. Embora o revestimento dos arranjos sejam mais fincados ao chão, elementos isolados lançam cada nota em órbitas gélidas e escuras, fazendo soar paraecido com o space-rock. Muita gente pode torcer o nariz, pois o som deles é racional, concentrado em pequenos focos durante a evolução das faixas, o que poderíamos chamar de minimalista. Se você já ouviu Mogwai, vai entender a descrição acima. Mas a verdade é que o Explosions in the Sky proporciona momentos de reflexão sob seu som ponderado em um duo de guitarras de Munaf Rayani e Mark Smith que se alternam em acordes que emanam hipnóticas frequências sonoras, se alternando em pacatos e calculados trechos de interposição. O álbum The Earth Is Not a Cold Dead Place foi lançado em 2003 e é considerado por grande parte da crítica o melhor álbum da banda. O número de cinco faixas é compensado pelo tempo de cada uma delas (ao todo mais de 46 minutos) e a impressão é de que existem muito mais faixas, pela diversidade sonora contida no trabalho, toda a flexibilidade de ânimo, viajando pelos mais sóbrios momentos até a euforia de guitarras atacadas de forma constante com uma bateria soberba e técnica, todos abrangidos por um baixo discreto, porém persuasivo. É uma verdadeira homenagem à harmonia musical, à arte de experimentar.

*Sugestão de Daniel

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Set List

1- First Breath After Coma
2- The Only Moment We Were Alone
3- Six Days at the Bottom of the Ocean
4- Memorial
5- Your Hand in Mine


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Disraeli Gears - Cream

O Cream foi o mais notável power trio a aparecer na cena de rock. Antes do Jam ou Police, notáveis trios que marcaram os anos 70 e 80, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker formaram a banda em 1966 e despontavam com uma mistura heterogênea de blues (bem atrelado à vertente delta) com um hard rock menos pretencioso que os posteriores, porém forte em seus acordes, firme em sua estrutura um tanto distorcida e mirabolante, com toda a psicodelia agregada. A simplicidade de suas melodias não anula a genialidade de seu guitarrista Clapton (e não era à toa que os lonfrinos pixavam pela cidade "Clapton is God"), com riffs memoráveis acompanhado da extrema perícia demonstrada por Bruce em sua estável linha de baixo ressaltada e ainda a apurada técnica de Baker, o primeiro rock-star baterista da história, que demonstrava estar bem à frente de seu tempo. O segundo disco do grupo, o Disraeli Gears, foi lançado em 1967 e seguia a linha de comportamento de seu antecessor (Fresh Cream), usando e abusando de elementos blues e a influência que Muddy Waters exercia sobre o trio, misturada à psicodelia que já pairava pela cena rock de Londres, cidade onde a banda foi formada.

O legado de Waters é explícito na levada de 'Strange Brew', com um baixo em ritmo interrupto, o compasso brando da bateria e as macias notas de guitarra que ornam a canção com complexa transição de acordes. 'Sunshine of Your Love' já é bem semelhante ao som de Jimi Hendrix, com um riff banhado em distorção vigorosa, apresentando um hard rock convincente. 'World of Pain' é de melodia angustiada e vocal aflito, com uma esplêndida participação de acordes de um baixo coeso, potente no sustento de toda a harmonia (incrível como em sua linha básica, ele consegue se integrar a pequenos trechos de solo de guitarra). O folk aparece em 'Dance the Night Away' com Clapton tocando guitarra de doze cordas, numa elegância incrível, porém seguindo a aflição da faixa anterior. É prazerosa em suas flutuantes notas, em suas guinadas melódicas. Urgente e delicada, essa faixa é um dos grandes destaques do álbum. Já 'Swlabr' é mais pesada, com uma faceta psicodélica e um vocal bem mais exaltado, acompanhando todo o ritmo embelezado por dedilhadas oportunas de guitarra que espanam a poeira por aqui e por ali. E claro, não só as dedilhadas, mas um solo magistral e breve de Clapton terminam de coroar a beleza dessa faixa.

Disraeli Gears é um dos discos mais marcantes de toda a história do rock, porque foi o que faltava para que até os mais céticos se rendessem ao som desse trio. O Cream inspirou não só os trios que viriam a ser formados nas décadas seguintes, mas bandas com muito mais integrantes assumem influência do trio inglês. E não só influênciou como ensinou um modo de integrar o blues ao rock e não a se acostumar com a concepção de que o rock é um blues acelerado. Eles conseguiram descontruir essa concepção, e separar os dois ritmos, mesmo tendo em vista o fato de que um veio do outro.

Set List

1- Strange Brew
2- Sunshine of Your Love
3- World of Pain
4- Dance the Night Away
5- Blue Condition
6- Tales of Brave Ulysses
7- Swlabr
8- We're Going Wrong
9- Outside Woman Blues
10- Take It Back
11- Mother's Lament

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Ocean Rain - Echo & the Bunnymen

A banda nascida em Liverpool, no ano de 1978 fez uma fusão de pós-punk com a psicodelia oriunda dos anos 60, originando um estilo bem diferenciado dos que apareciam em todo o mundo. O Echo & the Bunnymen se utiliza de uma admirável exploração de pontos harmônicos que enriquecem a musicalidade única da banda, incrementada de efeitos singelos e acordes descomplicados. O forte mesmo é a levada da melodia que as músicas têm, diversificadas por trechos de catarse, bateria solando e o vocal de Ian McCulloch em êxtase, com grande influência nos frenesis de Jim Morison. Não confunda o frenesi com o timbre. Até porque a voz de McCulloch é mais conhecida por sua cordialidade e suavidade. Ocean Rain, lançado em 1984, é o auge da banda. Um trabalho com pequenas bases do trabalho anterior (Porcupine), pelo menos no que se trata da psicodelia acima citada, a banda acerta em variar a aparência sonora, criando canções marcantes, na leveza de 'Killing Moon' ou na desconcertante e elegante 'Ocean Rain'. Também indica na agitada 'My Kingdom' o destino do rock inglês, ditando o ritmo que despontaria na Madchester de anos posteriores. A aceitação desse disco foi muito boa, não só pela crítica, mas pelo público, que deixou o álbum em quarto lugar nas paradas inglesas. O álbum aqui disponibilizado foi remasterizado e expandido, com alguns b-sides, casos como os de 'Silver', 'The Killing Moon' ou 'Villiers Terrace'. Há um cover descontraído de 'All You Need is Love' dos conterrâneos Beatles que dá mais um toque de encanto nessa remasterização. É uma bela opção para ouvir todos os lados do Echo & the Bunnymen.

*Upado por Alysson Goltzman

Set List

1- Silver
2- Nocturnal Me
3- Crystal Days
4- The Yo-Yo Man
5- Thorn of Crowns
6- The Killing Moon
7- Seven Seas
8- My Kingdom
9- Ocean Rain
10- Angels and Devils [*]
11- All You Need Is Love [*]
13- Stars Are Stars [*]
14- Villiers Terrace [*]
15- Silver [*]
16- My Kingdom [live]
17- Ocean Rain [live]

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Worst Case Scenario - dEUS

A banda dEUS, nasceu em 1991 na cidade de Antuérpia, segunda maior cidade da Bélgica, como uma banda de covers. Mas através das influências cantadas em suas interpretações, começaram a moldar um som diferente do que surgia no rock dos anos 90. Sempre utilizaram a excentricidade mais conhecida em Frank Zappa, ao fazerem junções de vozes aleartórias com linhas instrumentais nada convencionais. Do Velvet Underground, eles puxaram a aparência taciturna em versos bem escritos geralmente pelo vocalista e guitarrista Tom Barman. O som deles emana novidade, pela série de experimentos que alternam a sonoridade em um minimalismo caprichoso de jazz ou numa amplitude musical descarada. Worst Case Scenario foi o primeiro álbum lançado pela banda, em 1994. Nesse trabalho, tão aclamado pela crítica, o dEUS se utiliza de instrumentos valiosos para incrementar suas composições, como é o caso de notas frenéticas de violino ou antológicos solos de teclado ambos executados pelo genial Klaas Janzoons. Aliás, em muitos momentos, a música da banda banda é banhada em alucinações ácidas, aparentemente infindáveis, com um teclado feroz e fervilhante, lembrando os solos de Ray Manzarek dos Doors.

A segunda faixa do disco, 'Suds & Soda' é a maior expoente da face incandescente da banda. Um ambiente tão atormentado, intensificado pelo violino agudíssimo que dá uma impressão de sirene de polícia enquanto o baixo ressaltado engrossa a densidade da canção de forma eficaz. Uma das melhores canções dos anos 90, sem dúvida. O grupo também pode soar ponderado, refletivo, imantado em acordes tristes, que atraem as mais perdidas almas e para entender o que estou falando, é só tocar 'Right As Rain' e você notará uma atmosfera mais arrastada em luto, em escuridão. O vocal de Barman nos empurra para um abismo enegrecido. Um dos pontos fortes do álbum. 'Via' é uma ótima exposição do trabalho da banda com a guitarra, em sua forma mais genuína, com ataques rápidos às cordas, sem perder o controle da harmonia. O baixo se inclui com perfeição, enfeitando a canção, como um zig-zag entre os instrumentos. 'Morticiachair' talvez seja o resumo da sonoridade despojada da banda, com altos e baixos, com dedilhadas calculadas, rasgadas furiosas e exploração da melodia em meio à concentração num foco preciso nas guitarras. A bateria tem uma levada jazz no início, mas se transforma numa impetuosa tempestade de batidas envolventes, reunindo todos os elementos da música num agitado refrão. 'Hotellounge' tira qualquer imagem de virtuosidade ao estirar preciosa distorção nos longos seis minutos da faixa, num clima agradável onde a composição foi praticamente perfeita, principalmente pela integração sonora que a banda possui.

Worst Case Scenario sem dúvidas é um dos melhores discos da década de 90, pela elasticidade que o dEUS apresentou ao se estender de tal forma, que pôde alcançar elementos distintos, como é o caso das pitadas excêntricas dos anos 60 ou a energia punk ou ainda a sobriedade de um cool jazz à la Miles Davis. Beber de várias fontes não é pra qualquer um. Um tesouro inestimável, vindo de terras fora do eixo EUA-Inglaterra.

Set List

1- Intro
2- Suds & Soda
3- W.C.S. [First Draft]
4- Jigsaw You
5- Morticiachair
6- Via
7- Right as Rain [live]
8- Mute
9- Let's Get Lost
10- Hotellounge (Be the Death of Me)
11- Shake Your Hip
12- Great American Nude
13- Secret Hell
14- Divebomb Djingle

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On Fire - Galaxie 500

A banda formada em 1986 em Boston, Massachusetts conta com a complexidade do shoegaze e a incompreensão que o circunda desde seu surgimento nos anos 80, mas soa apenas como uma base e não como principal característica. O Galaxie 500 utiliza-se muito bem da textura do dream pop, apresentando uma aparência sonora baseada em melodias muito bem construídas, flertando seriamente com a despretensão do lo-fi, que é bem destacada nas faixas de On Fire, álbum lançado em 1989 e que é considerado um clássico do rock alternativo. O grupo abusa de levadas ousadas de guitarra leve e límpida e mescla bem inserções de saxofone e piano que moldam as faixas à imagem e semelhança dos ideias do grupo, que não visa complicar o som e sim entregá-lo sem máscara alguma. O som do Galaxie 500 é leve, é intrínseco, é essencial.

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Set List

1- Blue Thunder
2- Tell Me
3- Snowstorm
4- Strange
5- When Will You Come Home
6- Decomposing Trees
7- Another Day
8- Leave the Planet
9- Plastic Bird
10- Isn't It a Pity

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Locust Abortion Technician - Butthole Surfers

A banda de San Antonio, Texas foi formada em 1982 e confundiu jornalistas ao utilizar um nome tão sujo: Butthole Surfers (algo como surfistas do olho do cu). Era difícil imprimir seu nome em páginas de revistas, o que os empurrava cada vez mais para o underground, lugar de onde eles nunca tiveram vontade de sair. Com poderosas linhas de guitarra, deboches escandalosos e uma psicodelia estranha e lisérgica, a banda lançou o seu melhor disco em 1987, o Locust Abortion Technician onde explode tímpanos com variações inimagináveis, ruídos bem trabalhados e aleartórios austados à batidas estrepitantes. Suas canções seguiam na linha de Steve Albini, cheias de sarcasmo e falta de pudor. O disco começa com 'Sweat Loaf' com um diálogo interessante e escrachado entre pai e filho sobre o assunto 'arrependimento':

- Daddy?
- Yes, son?
- What does regret means?
- Well, son, a funny thing about regret is, it's better to regret something you have done, than to regret something you haven't done. And by the way, if you see your mom this weekend, be sure and tell her, SATAN, SATAN, SATAN!

Depois disso, o pau come solto em trechos pesados com acordes vorazes interpostos por suaves momentos, num vai e vem frenético de guitarras. se você observar, vai notar que o riff é idêntico ao da música Sweet Leaf do Black Sabbath. E também pode ver que os nomes das músicas têm semelhança. Se você gostou de Big Black, Rapeman e Shellac, com certeza vai gostar desse álbum.

*Sugestão de Cândido Rodrigo

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Set List

1- Sweat Loaf
2- Graveyard
3- Pittsburgh to Lebanon
4- Weber
5- Hay
6- Human Cannonball
7- U.S.S.A.
8- The O-Men
9- Kuntz
10- Graveyard
11- 22 Going on 23

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Drive Like Jehu - Drive Like Jehu

O hardcore e sua fúria estava consagrado nas páginas da história do rock. Mas no começo dos anos 90 já não gozava de tanta popularidade como foi em meados da década anterior. Já não havia tanta euforia como antes e, como sempre acontece no rock, a metamorfose começava. O pós-hardcore começava a surgir desde o fim do anos 80 com o Fugazi e Quicksand, que chamavam a atenção para o vigor de seu som, porém criando novas possibilidades ao abrirem espaço para mais que três acordes básicos. O hardcore tomou uma forma mais elaborada, mais completa, porém sem perder seu apelo crítico, e ainda comportando vocais extremamente berrantes. As canções ganhavam mais minutos graças a momentos de experimentalismo, solos pesados, que davam verdadeiro valor artístico à guitarra (não que o hardcore não tenha sua arte). O Drive Like Jehu, nasceu em meio à essa transição, no ano de 1990, na cidade de San Diego, Califórnia. A banda seguia essa linha, elevando músicas banhadas em catarse vocal num ritual de cordas potentes e distorcidas. Sua bateria era baseada em compassos mais abrangentes, dando um real sentido à palavra percussão. E claro, o baixo seguia a liberdade das batidas, se tornando mais maleável, puxando destaque em vários momentos. O som se tornava algo a ser notado, a ser entendido e não só a ser dançado freneticamente. O álbum homônimo Drive Like Jehu, lançado em 1991 é a tradução de tudo que foi escrito acima. Em quarenta e cinco minutos, distribuídos por nove faixas, a banda se estende em incríveis momentos individuais dos instrumentos, cada um com seu brilho, com sua técnica apurada. Mas a integração da banda é um trunfo, como é notável nas melodias bem elaboradas, nas quedas bruscas de vigor (onde um grande entendimento entre os integrantes é claro). A voz esganiçada de Rick Froberg (também conhecido como Eric Froberg) era mais aguda que a de Ian MacKaye do Fugazi, e influenciou muitas bandas posteriores, seja no pós-hardcore como no emocore (diga-se de passagem que não me refiro à essa onda emo atual e sim às bandas dos anos 90). A guitarra de John "Speedo" Reis é veloz, porém exibe um controle perfeito, se utilizando de riffs explosivos, abrindo um pano de fundo para que Mike Kennedy e seu baixo possam servir acordes densos e aquecidos, enquanto Mark Trombino exibe sua genialidade na bateria, com coordenação alternada entre a agilidade do hardcore e a virtuosidade de um rock progressivo. A banda em si, é uma bela junção de experimentalismo eficaz fincado na sujeira do punk e sua simplicidade. É som de gente grande.

As faixas em vermelho são as recomendações do RockTown! Downloads.

Set List

1- Caress
2- Spikes to You

3- Step on Chameleon
4- O Pencil Sharp
5- Atom Jack
6- If It Kills You

7- Good Luck in Jail
8- Turn It Off
9- Future Home of Stucco Monstrosity

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69 Love Songs (vol. 1, 2 e 3) - Magnetic Fields

O Magnetic Fields é uma banda, que está mais para um projeto musical do músico-compositor Stephin Merritt. Formados em 1990 em Boston, o som deles é uma mistura do pop como o conhecemos nos anos 80, baseado em sintetizador, com pitadas instáveis de rock que se aproximam muito do shoegaze. Mas o que destaca o som da banda nesses três volumes é a flexibilidade musical, fazendo que em muitos momentos, eles renunciem instrumentos essenciais para uma faixa, se revestindo apenas de uma sonoridade bem rústica, criando melodias bem parecidas com as clássicas canções românticas do cinema americano nos anos 40. Você pode lembrar muito da base que os escoceses do Belle and Sebastian utilizam, com um ar nostálgico, entoando notas de violão folk.

A banda se utiliza desse ambiente em 69 Love Songs volume 1, que abusa da serenidade e da voz forte e de grave melancolia de Merritt. Não posso deixar de citar a faixa dois 'I Don't Believe in the Sun', umas das melhores canções já feitas em todos os tempos. Ela assombra pela simplicidade de sua melodia, pela acessibilidade de sua letra, pela compatibilidade da melancolia contida em cada palavra cantada, o fracasso do amor é retratado de forma lúgubre, uma ode ao abandono:

I don't believe in the sun
How could it shine down on everyone
And never shine on me
How could there be
Such cruelty


É linda. Se o resto dos três volumes fossem ruins, valeria adquirí-los só por essa canção. O 69 Love Songs volume 2 já flerta com sintetizadores, dando atenção maior às batidas, fazendo a transição sonora do trabalho integrado. Você já percebe uma familiaridade com o rock, num semblante lo-fi, sempre adornada com a voz de Merritt que se assemelha ao timbre de voz de Bill Callahan (smog). Mesmo com esses flertes, a essência suave do disco permanece, tendo como clara expoente uma outra canção de amor, curta e doce chamada 'Asleep and Dreaming'. Letra incrível, é de lamentar por ser tão curta. O 69 Love Songs volume 3 já se inicia com uma faceta bem mais construída em elementos eletrônicos, que é o caso de 'Underwear', com a guitarra que se apresenta ao fundo em notas graves, numa batida bem artificial e seca. 'I Can't Touch You Anymore' é de um pop sintético, fazendo uma releitura perfeita do pop dos anos 90, como se decretasse o fim de uma era.

Mas mesmo exibindo uma sofisticação maior com esses elementos, denunciando uma transição cronológica (?), o grupo permanece na intenção principal dos três volumes: experimentar sem medo. O trabalho inteiro mostra músicos despreocupados com timbres de voz, com batidas diferentes ou acordes semi-mortos. Tudo é válido nessa 'trilogia', e por mais que muita coisa soe bizarra no desenrolar do disco, fica a impressão de que eles conseguiram o que desejavam, que tudo deu certo. Sorte nossa.

*Sugestão de Rafael

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Set List

*Volume 1

1- Absolutely Cuckoo
2- I Don't Believe in the Sun
3- All My Little Words
4- A Chicken with Its Head Cut Off
5- Reno Dakota
6- I Don't Want to Get Over You
7- Come Back from San Francisco
8- The Luckiest Guy on the Lower East Side
9- Let's Pretend We're Bunny Rabbits
10- The Cactus Where Your Heart Should Be
11- I Think I Need a New Heart
12- The Book of Love
13- Fido, Your Leash Is Too Long
14- How Fucking Romantic
15- The One You Really Love
16- Punk Love
17- Parades Go By
18- Boa Constrictor
19- A Pretty Girl Is Like...
20- My Sentimental Melody
21- Nothing Matters When We're Dancing
22- Sweet-Lovin' Man
23- The Things We Did and Didn't Do

*Volume 2


1- Roses
2- Love Is Like Jazz
3- When My Boy Walks Down the Street
4- Time Enough for Rocking When We're Old
5- Very Funny
6- Grand Canyon
7- No One Will Ever Love You
8- If You Don't Cry
9- You're My Only Home
10- (Crazy for You But) Not That Crazy
11- My Only Friend
12- Promises of Eternity
13- World Love
14- Washington, D.C.
15- Long-Forgotten Fairytale
16- Kiss Me Like You Mean It
17- Papa Was a Rodeo
18- Epitaph for My Heart

19- Asleep and Dreaming
20- The Sun Goes Down and the World Goes Dancing
21- The Way You Said Good-Night
22- Abigail, Belle of Kilronan
23- I Shatter

*Volume 3

1- Underwear
2- It's a Crime
3- Busby Berkeley Dreams
4- I'm Sorry I Love You
5- Acoustic Guitar

6- The Death of Ferdinand de Saussure
7- Love in the Shadows
8- Bitter Tears
9- Wi' Nae Wee Bairn Ye'll Me Beget
10- Yeah! Oh, Yeah!
11- Experimental Music Love
12- Meaningless
13- Love Is Like a Bottle of Gin
14- Queen of the Savages
15- Blue You
16- I Can't Touch You Anymore
17- Two Kinds of People
18- How to Say Goodbye
19- The Night You Can't Remember
20- For We Are the King of the Boudoir
21- Strange Eyes
22- Xylophone Track
23- Zebra

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Jukebox - Cat Power

O disco Jukebox da incrível Cat Power, será ainda lançado no dia 22 desse mês, mas já vazou (novidade!). Mas o que intriga é a aparência incompleta das faixas, que são interrompidas por uma queda sorrateira de volume, característica das trasições de faixas dos antigos LP's, lembram?

Lembro que eu costumava encher o saco do meu pai, quando chegava com LP novo em casa. Ele colocava a agulha no disco e ía pra cozinha pegar algo pra comer. E eu abaixava gradualmente o som, nos primeiros segundos, simulando o fim da faixa. Isso deixava meu pai louco! Hahahaha! Ele já vociferava: "me venderam porcaria!", mas depois conferia novamente, e não entendia nada...

Bem, após essa saudosa história, fica a impressão de que o som gradualmente abaixa no final de forma proposital, simulando as antigas jukebox que infestavam os EUA em todo bar de estrada ou pocilga que vendesse um drink pelas ruas das cidades. E as relações com uma jukebox não ficam só no título ou na transição das faixas: canções incluídas nesse disco tocaram muito nas antigas jukebox. Canções consagradas nas vozes de Frank Sinatra (New York - que no original é New York, New York), James Brown (Lost Someone), Billie Holiday (Don't Explain) ou Janis Joplin (Woman Left Lonely) foram perfeitamente interpretadas por Chan Marshall. O destaque é o modo como ela desconstrói a canção em sua primeira estrutura e a reveste de arranjos totalmente diferentes, mas com sua voz ela consegue manter o sentido original da canção, exibindo destreza inconfundível para trabalhar com covers. Ela já havia lançado um disco cheio de covers em 2000 chamado The Covers Record, onde encaixou novas versões para canções dos Rolling Stones, smog, Lou Reed e Bob Dylan. Aliás, no Jukebox ela dedica uma música pro Dylan - Song for Bobby - contando a importância do cantor para ela em sua juventude. Voltando ao assunto do disco de covers anterior, ela dava toques melancólicos à clássica I Can't Get (No Satisfaction) dos Stones, mas mantinha o sentido da letra, que é versátil, combinando com ritmos dançantes e empolgados ou com arranjos soturnos.

E a sonoridade? Como está a atmosfera desse novo trabalho? Claro que muita gente vai começar as comparações com o The Greatest de 2006 (diga-se de passagem que foi perfeito). Nesse disco, como comentei na resenha da Feist, Chan Marshall está em clima de "aprendi a lição" após tantos problemas com alcoolismo. Mas nesse disco, há um corte daquele clima e uma estrada nova se abre, cheia de possibilidades. Ela conseguiu manter o nível do último disco, sob nova perspectiva de carreira. E os arranjos estão sóbrios, baseados em um blues firme, coerente, bem tocado. O country aparece timidamente, de forma bucólica e uma sonoridade rock, com ondas calmas de acordes de guitarra, circunda o trabalho sempre abrangido por ótimas notas de piano, marca indubitável de seu estilo.

Não sei se as faixas estão incompletas (quem souber, comente nesse post), mas o que sei é fato: Cat Power permanece intocável na questão da qualidade e permanece com a força que ela sugere quando faz aquele gesto ao cantar a música The Greatest (mostrando o muque). Mostra que tem controle de sua carreira e que sabe muito bem se manter estável numa carreira longa e sem deslizes.

Set List

1- New York
2- Ramblin' Woman
3- Metal Heart
4- Silver Stallion
5- Aretha, Sing One For Me
6- Lost Someone
7- Lord, Help The Poor & Needy
8- I Believe In You
9- Song To Bobby
10- Don't Explain
11- Woman Left Lonely
12- Blue

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Nova Fase no RockTown! Downloads

Eu já contava com a visita, com os comentários e com o apoio de vocês lá na comunidade no Orkut. E tenho certeza que tudo isso continuará! Agora conto com vocês nessa nova fase do blog. Abri um diretório no 4Shared.com para que vocês, leitores e "baixadores", possam fazer uploads de discos completos. E tendo em base essa nova atitude de "interatividade", vou abreviar as resenhas dos discos que vocês "uparem", me limitando a fazer uma breve introdução à respectiva banda ou ao artista.

Claro que não vai virar uma bagunça, continuarei seguindo a linha de sons que está presente no blog. Não preciso fazer uma relação do que pode ou não pode "upar". Tenho certeza que vocês são conscientes do teor, da proposta do blog e sei que farão um ótimo trabalho!

Para participar, lá na comunidade do Orkut existe um tópico sobre o assunto. Basta você se manifestar lá no tópico, colocando o e-mail, para que eu possa enviar as instruções de upload.

Agradeço a cada um de vocês, pelo apoio, seja na comunidade, ou nos scraps que mandam pra mim! E claro, pelo boca-a-boca que vocês estão ocasionando, uma propaganda que dá certo!

Abração a todos!

Felipe Pipoko

Boys Don't Cry - The Cure

A década de 80 é sem dúvida a mais controversa da história do rock. Nesses dez anos o mundo viu grandes nomes surgirem como ícones incontestáveis e também testemunhou fiascos e decepções, como aquele rock farofa que não parava de lançar discos com suas bandas toscas tocando um hard-rock visivelmente comercial. Os anos 80 deixaram diversas heranças, benditas e malditas e claro, fãs por todo mundo das diversas vertentes que afloraram dos galhos do rock. O Cure é incontestável boa influência dessa conturbada época. Com seu pós-punk com pés fincados em uma carregada capa gótica, cheia de adornos da new wave, a banda formada em 1976 em Crawley, Inglaterra, até hoje embala pistas de dança por todo mundo. Quem pode dizer que nunca dançou com alguém que cantava frenéticamente alguma canção deles? A pessoa pode até não freqüentar a cena rock, pode ir eventualmente curtir uma noite rock, mas tenha certeza que ela sabe cantar algo do Cure. E é nesse incrível estigma que o grupo continua pulsando, vivo, na lembrança de muita gente, e não deixa de continuar a construção de fatos do presente que se tornarão lembranças no futuro. E foi exatamente no primeiro mês da década de 80, que o disco Boys Don't Cry foi lançado. Ali estava o prenúncio do que viria pela frente. O punk não iria durar muito tempo, mas a mistura de alguns elementos dele com a música eletrônica oriundos de bandas como o Kraftwerk, originariam a marca musical da década. Mas o Cure não embarcou nessa, sendo um dos pioneiros de maior sucesso do chamado guitar rock, que rivalizava com a tendência eletrônica da época. E nessa levada "rock natural", o Cure, sob a voz inconfundível e cheia de sotaque inglês de Robert Smith, finalmente se consagrava com um trabalho sólido, bem arranjado, e recheado de grandes hits, que até hoje são tidos como hinos do rock.

*Sugestão de Vanessa

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Set List

1- Boys Don't Cry
2- Plastic Passion
3- 10:15 Saturday Night
4- Accuracy
5- So What
6- Jumping Someone Else's Train
7- Subway Song
8- Killing an Arab
9- Fire in Cairo

10- Another Day
11- Grinding Halt
12- Three Imaginary Boys

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Bad Music for Bad People - The Cramps

Provavelmente quando você ouve sobre os Cramps, ouve também sobre rockabilly. Mas é sempre bom separar os conceitos da verdade, afinal, os Cramps não são essencialmente rockabilly como era Jerry Lee Lewis ou Elvis Presley. Embora você ouça claras menções à primeira raíz do rock, com aqueles acordes crescentes, dançantes, os Cramps nasceram em 1976, exatamente na fervilhante Nova York dos Ramones, Talking Heads, Richard Hell, todos grandes expoentes do punk rock que surgia com mais força nessa época. Por mais que os Cramps não sejam lembrados por sua participação na cena punk, eles exibem muitos elementos de rebeldia, como o vocal mais esdrúxulo, e melodias extravagantes. E dentro dessa mistura do punk com rockabilly, nascia o rockabilly revival, do qual os Cramps figuraram entre os grandes nomes. Cabe lembrar que o punk em sua essência resgatava o que o rockabilly disseminava: canções curtas, simplificadas e cheias de energia (bem diferente do que propunha o rock progressivo). A junção que os Cramps efetuam soa muito como um pós-punk mais incrementado de vigor, mas o destaque do som é como ele é dançante, assim como no início de tudo. Bad Music for Bad People foi lançado em 1984 e apresenta mais lados B e raridades. É um disco curto pra caramba, com pouco mais de trinta minutos, mas apresenta o que a banda tinha de melhor até o meio dos anos 80. Uma porção de regravações, algumas canções bem conhecidas pelos fãs, como 'New Kind of Kick', que flerta com a sonoridade gótica do Bauhaus numa psicodelia envolvente. Versões da banda para canções de ícones, como é o caso de 'She Said' que é mais conhecida pela voz de Hasil Adkins. E claro, a inclusão de ótimas canções, como 'Human Fly' que é sombria, mas curiosamente enriquecida por acordes que lembram o surf rock Dick Dale. A letra é excêntrica como a maioria de seus trabalhos, com um vocal de Lux Interior esculachado e característico assumindo o corpo de um homem-mosca:

I-I'm a human fly
A-and I don't know why
I got 96 tears and 96 eyes


Para os fãs, é muito bom contar com essa compilação. Para quem não conhece ou conhece pouco, é um jeito rápido de viajar pelo vasto trabalho da banda, que perdura se estendendo até hoje, baseado numa mistura interessante de ritmos marcantes.

*Sugestão de Camila Lana

Set List

1- Garbage Man
2- New Kind of Kick
3- Love Me
4- I Can't Hardly Stand It
5- She Said
6- Goo Goo Muck
7- Save It
8- Human Fly
9- Drug Train
10- TV Set
11- Uranium Rock

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The Reminder - Feist

Nascida em 1976, em Calgary, Canadá, Leslie Feist ou apenas Feist é a voz mais alta e notável da música canadense na atualidade. Embora os compatriotas do Arcade Fire sejam um dos grandes e belos destaques do gigante país norte-americano, Feist brilha pela individualidade de sua carreira, pela genialidade que resplandece em cada trabalho dela. Ela sempre esteve na cena underground do Canadá, participando de bandas, uma delas, o Placebo (que não é a banda inglesa que todos conhecem) chegou a abrir um show dos Ramones no Canadá. Mas Feist participava de projetos ou bandas de amigos, como sempre, bem relacionada. O caso mais conhecido de participação numa banda foi no Broken Social Scene, onde ainda participa, mas agora de acordo com a disponibilidade que sua carreira movimentada permite. O som da canadense é firmado no indie rock como conhecemos, cheio de variações harmônicas, se utilizando não apenas de guitarras semi-distorcidas, como também do piano, que sempre dá um toque diferente em canções. Mas o seu maior trunfo é sua voz. É límpida, adocicada e comovente. Sim, cada nota vocal que sai de sua boca é um abalo nas emoções do marmanjo mais durão. Ela sabe alternar muito bem o clima, do mais calmo ao agitado, que mesmo na exaltação de guitarras e bateria, não perde ternura, graças as ondas sonoras oriundas de suas cordas vocais.

O The Reminder, lançado em 2007, é uma amostra do equilíbrio de sua sensibilidade musical. Não há como evitar comparações com Cat Power. Muita gente tem dito que Feist é "um tipo de Cat Power canadense", como vi um dia desses numa vinheta da MTV. É uma definição vaga e injusta, no mínimo ignorante de um veículo de comunicação que deveria ser bem mais consciente de seu papel cultural junto à juventude. A semelhança maior entre as duas é exatamente isso: a habilidade de jogar com os sentimentos, suavizando o ambiente sonoro com canções singelas, sem muita participação instrumental, sugerindo atenção redobrada para o dom natural digno de uma diva. Aí do nada elas arrancam nossos corações de nossos peitos com um músicas de teor arrasador, exibindo letras intimistas e ritmo moderado, mas bem agitado. Existe também semelhança entre elas no estilo de canto, e no timbre de voz também. Mas ainda é pouco para fazer uma definição tão boçal de Feist (Cat Power canadense). Nesse disco de Feist, há um certo distanciamento entre as duas musas geniais. A canadense adora brincar com acordes míticos de guitarra, jogar com palmas, evocando seu passado no Broken Social Scene, experimentando mais o rock como é o caso na faixa 'Sealion'. Mas agrande verdade nesse papo de comparações é que as duas cantoras passam por fases diferentes. O último disco de Cat Power é fruto de dificuldades superadas, ou seja, há uma atmosfera de comemoração pela vitória propiciada por lições aprendidas. Feist em seu atual trabalho explora sons, não só se aventurando pelo rock mas até flertando com um pop meloso dos anos 70, na canção 'The Limit To Your Love'. Explora raízes antigas com um som de banjo ao fundo, notas charmosas de piano, instrumentos de sopro e estalar de dedos na bela '1234'. 'So Sorry' se torna inebriante graças às altas notas que a cantora alcança, cercada de vocais aos fundo, criando ambiente propício para os acordes comportados e bem encaixados de violão. É sensacional.

Embora eu tenha achado um exagero esse disco figurar entre os 100 melhores alternativos de todos os tempos, sem dúvida está entre os 5 melhores do ano passado. É bom ressaltar que muita mulher apareceu por aí, gritando, esperniando, virando sensação na mídia, lançando um disco e só isso. Tudo isso prova que eram trabalhos vazios, sofridos e manipulados por caça-talentos sedentos por grana. Embora você só tenha ouvido falar na Feist no ano passado, ela tem uma base respeitável, e uma carreira sólida construída desde os anos 90. Feist se junta à Cat Power, PJ Harvey entre outras no panteão de ícones do rock alternativo.

*Sugestão de Davi

Set List

1- So Sorry
2- I Feel It All
3- My Moon My Man
4- The Park
5- The Water
6- Sealion
7- Past in Present
8- The Limit to Your Love
9- 1234
10- Brandy Alexander
11- Intuition
12- Honey Honey
13- How My Heart Behaves

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Construção - Chico Buarque

O Brasil passava apuros culturais, graças à ditadura militar que aos poucos sufocava tudo que se entendia por liberdade artística. E no Rio de Janeiro dos anos 60, surgia o movimento da bossa nova, iniciado por João Gilberto com o seu Chega de Saudade. Era um ritmo requintado, baseado em violão, mas que exibia uma suavidade semelhante à do jazz com um compasso equilibrado do samba. Era um ritmo mais sofisticado que o ritmo dos morros, uma releitura moderna dos ritmos brasileiros. Um carioca nascido em 1944 ouvia incessantemente o disco de João Gilberto, encantado com as novidades que aquele disco desvelava e baseado nessa nova paixão, Chico Buarque, esse carioca de classe média construiu uma carreira completa, que traduziu como ninguém o cotidiano dos tempos tenebrosos que o Brasil passou. Além de músico, é dramaturgo e escritor e graças aos dons artísticos, sofreu com a perseguição implacável da censura. Foi exilado para a Itália em 1969 e ao voltar ao Brasil, lançou o melhor disco de sua longa carreira, o Construção, de 1971. Se as pessoas criticavam Chico por seu aparente conservadorismo, as bocas finalmente se calaram e o compositor foi associado como um dos grandes nomes do combate ao regime militar. Em Construção, o cotidiano do brasileiro, longe do nacionalismo proposto pelo governo, era abandonado, era veloz graças ao tempo escasso para qualquer alegria. Bêbados e vagabundos, bandidagem e papos de bar, a cultura popular em geral era desmistificada por letras sem nenhuma apreensão com proibições. Era um relato corajoso do Brasil que era escondido da mente de uma geração que a cada dia mais assistia televisão. O samba marcava presença em incríveis harmonias, dignas dos melhores sambistas, mas uma atmosfera densa se intensificava a cada trecho derealidade, crua e nua.

'Deus lhe Pague' surge com ritmo semelhante ao de uma locomotiva, misturado com o de um relógio quebrado e descontrolado. Chico Buarque canta as maravilhas simplistas e os absurdos cavernosos que o povo tinha que agüentar em seu dia-a-dia. Uma abordagem da crença cega de um povo sofredor, agradecendo pelo ar para respirar, até um povo que aparenta uma despretensão momentânea ao ver o futebol ou a novela. Também exibe a tristeza dos vícios urbanos, que se amontoavam, enchendo de falhas, a base da sociedade cristã moralista. 'Cotidiano' é um samba caprichado, pausado e adornado com som de flauta ao fundo. É a relação do homem com a mulher à luz da poesia de Chico. Muita gente vai lembrar da versão que Seu Jorge fez dessa canção. 'Construção', é uma das canções mais geniais feitas por um brasileiro em todos os tempos. A poesia dele continua intimista e agora com um tom cáustico ao narrar uma história que começa cheia de fatos bem conectados, mas que aos poucos se tornam desconexos num jogo interessante de palavras. A máquina que impulsionava o homem a subir a constução, agora impulsiona o homem a amar. Já não dançava e gargalhava ao ouvir música, mas tropeçava no céu ao ouvir música. Ao morrer, o homem já não atrapalhava o tráfego, mas atrapalhava o sábado. O final incorpora a música de abertura do disco, mostrando a integração de um trabalho coeso que é o caso de Construção. O final do disco é cantado na letra 'Acalanto', onde Chico embala sua pequena numa canção hipnótica, não pelo instrumental, que diga-se de passagem é lindo e sublime às notas de violino, mas pela letra que sugere que não vale a pena acordar, que a vantagem da negligência do sono é a vantagem absoluta para combater a realidade.

Construção é o grito das ruas, das agonias populares se sobrepondo ao silêncio imposto pela ditadura. É um trabalho irrepreensível seja nos arranjos instrumentais ou na poesia. Quando me dizem que Deus é brasileiro, não questiono. Concordo. Chico Buarque é brasileiro.

Set List

1- Deus lhe Pague
2- Cotidiano
3- Desalento
4- Construção
5- Cordão
6- Olha Maria
7- Samba de Orly
8- Valsinha
9- Minha História (Gesubambino)
10- Acalanto

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A Weekend in the City - Bloc Party

A banda nasceu em 2003, em Londres, com a mesma formação que permanece hoje. Certo. Mas minguém esperaria que em tão pouco tempo eles amadurecessem tanto. O amadurecimento consiste na arte de se reinventar. Poucos artistas têm essa facilidade, que lhes garante anos e anos no foco dos fãs, sempre inovando aqui ou ali, ou mesmo quando inova, não tem medo de fugir do convencional, do conteúdo mastigado por trabalhos anteriores. O grande trunfo do Bloc Party no novo disco deles é justamente o fato de terem se reinventado em tão pouco tempo. Fazia um bom tempo que não ouvíamos algo tão dançante, tão bem executado, com extrema perícia para absorver influências das mais variadas. E tudo com ótimas letras. O Silent Alarm, primeiro disco deles lançado em 2005, confundiu muita gente com a fórmula que misturava a faceta soturna do Joy Division, com a coragem em explorar do Sonic Youth e a pegada pós-punk do Gang of Four, que os fez abusar da consagrada união entre bateria e baixo com uma facilidade explícita. O disco foi um sucesso imediato e tocou pelas pistas das casas de rock alternativo pelo mundo à fora. Ah! Ainda toca. Bem, em 2007, uma das grandes expectativas de lançamento sem dúvidas era o A Weekend in the City. Quando finalmente foi lançado em março do ano citado, muita gente ficou decepcionada. Todos esperavam novas canções enlouquecidas em guitarras sobressalentes, num pop-pós-punk que foi muito bem repaginado pela banda. Mas ao invés disso, o Bloc Party mostrava, de forma precoce, sua faceta mais sombria, mais racional. Aquela mistura de bateria e baixo tão veloz como a "juventude" (entenda quem quiser) permanece de uma forma mais discreta mas ainda assim marcante. O vocal de Kele Okereke continua exaltado, porém demonstrando aquela angústia que soa no fim de cada palavra cantada por ele. E o vocalista ainda conta com ótimas harmonias vocais dos outros integrantes, ao fundo, construindo ótima parede sonora. Os fãs aos poucos começaram a valorizar o novo trabalho, afinal, o mesmo provava que a banda inglesa tem a capacidade de se reciclar para permanecer viva por muito tempo. Pode até não haver o frenesi incrível que o disco anterior apresentava, mas aqui está um breve manifesto contra as pressões da maldita mídia britânica, que os erguia ao posto de "salvação do rock". O Bloc Party teve peito pra soar diferente, para soar "novo novamente". É sempre bom ouvir um disco com atenção pra tirar uma conclusão final.

*Sugestão de Diego e Júlio

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Set List

1- Song for Clay (Disappear Here)
2- Hunting for Witches
3- Waiting for the 7:18
4- The Prayer
5- Uniform
6- On
7- Where Is Home?
8- Kreuzberg
9- I Still Remember
10- Sunday
11- SRXT


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Ágætis Byrjun - Sigur Rós

Tá, tá... é da Islândia, "reino da Björk". Falei.

A banda islandesa Sigur Rós nasceu em 1994, no mesmo dia em que a irmãzinha de Jón Þór "Jónsi" Birgisson (vocalista e guitarrista) nasceu. O nome da irmãzinha foi também usado para batizar a banda. O nome traduzido para o português fica Rosa da Vitória. E não é só o nome que é bonito. O som dessa banda ultrapassa qualquer concepção de viagens pós-rock, com sutilezas transbordando dos intrumentos, minimalismo em diversos momentos, pequenos detalhes que enriquecem de forma incrível a sonoridade do grupo. Todos os intrumentos são igualmente destacados, numa sincronia invejável. O Ágætis Byrjun foi lançado em 1999, e foi o disco que abriu as portas do mundo para a banda da ilha gelada. O trabalho é excessivo em exploração de sons, como a introdução de instrumentos de sopro aliados à uma linha de baixo carregada de tristeza e seriedade. A bateria é invocada diversas vezes, geralmente nos momentos de intensidade sonora, sempre imprevisível, baseado na delicadeza dos pratos, ou em ataques mais frenéticos. Claro que em muitos momentos, estaciona num compasso milimétrico e vicioso. Se você fechar os olhos, pode ser transportado facilmente para aquele ambiente do Dark Side of the Moon do Pink Floyd. Não digo que seja idêntico, mas ruídos atravessam as canções, no aspecto espacial que a banda de Roger Waters sabia tanto manipular. A guitarra tem seu brilho, mas fica cristalizada graças à ênfase da banda em democratizar as participações instrumentais. Diga-se de passagem, é uma ótima iniciativa. Notas do teclado de Kjartan Sveinsson fazem realmente a diferença, com a Os vocais são límpidos, compatíveis com a transparência dos arranjos que sugerem momentos de longas reflexões.

Não adianta baixar o Black Flag aqui embaixo, e depois ouvir Sigur Rós. Sugestão: vai com calma, ouça as duas bandas num intervalo de alguns dias, pro cérebro assimilar!

*Sugestão de Felipe

As faixas em vermelho são as recomendações do RockTown! Downloads.

Set List

1- Intro
2- Svefn-G-Englar
3- Starálfur

4- Flugufrelsarinn
5- Ny Batteri
6- Hjartaõ Hamast (Bamm Bamm Bamm)
7- Viõrar Vel Til Loftárasa
8- Olsen Olsen
9- Ágaetis Byrjun
10- Avalon

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Damaged - Black Flag

O Black Flag nasceu em 1976 com o nome Panic, em Los Angeles, Califórnia, trocando de nome em 1978. Por mais que tenha lançado o primeiro álbum anos depois, no tempo sem gravações (e de muitos shows), eles absorveram todo tipo de influência possível, principalmente dos seus compatriotas que esquentavam o país com o punk rock. E embora o punk que eles ouviam se diferenciasse em muitos detalhes do som que eles começaram a fazer, não há como não identificar elementos dos Stooges no som da banda, com gritarias bem distribuídas e riffs marcantes. Também é impossível não perceber a herança dos Ramones na velocidade e intensidade de suas músicas. Mas eles não se limitaram a apenas absorver, afinal, o Black Flag é uma das bandas que mais influenciou bandas posteriores na década de 80 e nas seguintes, estendendo sua supremacia até hoje. Do Bad Religion até o Nirvana, passando por Beastie Boys, a banda inspirou outros grandes talentos a sairem do anonimato. Damaged foi lançado em 1981 e é um dos primeiros indícios do surgimento do hardcore, uma vertente do punk que levava à sério a efervescência do estilo musical, porém sem muitas delongas, sempre com ritmo bem acelerado, gritos ensandecidos e riffs curtos e grudentos. Dentro do disco, há uma infinidade de sons tão bons que se você quiser considerá-lo um "best of" da banda, não fará besteira alguma. O vocal de Henry Rollins era devasso, áspero e se alinhava muito bem ao teor das letras. Greg Ginn juntava seus acordes enlouquecidos e diferenciados com o complemento perfeito de Dez Cadena, enchendo o ambiente musical com certa carga de fúria, sempre intensificada pela linha impecável de baixo de Chuck Dukowski. O Damaged sem dúvidas é o melhor disco de hardcore de todos os tempos, pela sujeira que a qualidade da gravação sugeria, pelas canções escolhidas para figurar no disco e pelo triunfo da juventude sobre toda e qualquer circusntância. Nem mesmo o Black Flag conseguiu fazer algo igual novamente.

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Set List


1- Rise Above
2- Spray Paint
3- Six Pack
4- What I See
5- TV Party
6- Thirsty and Miserable
7- Police Story
8- Gimmie Gimmie Gimmie

9- Depression
10- Room 13
11- Damaged II
12- No More
13- Padded Cell
14- Life of Pain
15- Damaged I

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You Forgot It in People - Broken Social Scene

As bandas com 'trocentos' integrantes já não são novidade. Temos gratas surpresas como é o caso do Arcade Fire (7 integrantes) ou do I'm From Barcelona (29), ou do Orquestra Imperial (19) ou ainda do Polyphonic Spree (24). Todas têm exibido incríveis harmonias, semelhantes a de uma sinfonia, com melodias rasantes, delicadas notas se confundindo com notas mais pesadas, criando sons absurdos de tão bons. É uma nova tendência, isso é inegável. E o Canadá que já tem representante de peso com o Arcade Fire, desponta como lar propício para a formação de mega bandas. O Broken Social Scene foi formado em Toronto, no ano de 1999. Inicialmente foi idéia de Kevin Drew e Brendan Canning, que gravaram junto o primeiro disco entitulado Feel Good Lost. Tiveram a ajuda de mais três amigos para a concretização do trabalho. A medida que o tempo passava, a banda era ampliada graças a contribuição de diversos músicos (e amigos) da cena indie canadense. Acredito que a mais conhecida aqui no Brasil é a Feist. Nos show, os convidados incrementavam o som da banda, emprestando habilidades instrumentais e vocais. E como foi ficando cada vez melhor, a gravação de You Forgot It in People, lançado em 2002, contou com 20 integrantes. O som deles é um rock experimental, em parte soturno, em parte excêntrico, explosivo. É aberto para uma variação de intensidade, altos e baixos oportunos, esfriando na hora certa e fervilhando quando mais se precisa. Não há como não se impressionar com o encaixe dos instrumentos nos arranjos, no toque angelical dos backing vocals, e as batidas imprevisíveis, intrigantes em cada sequência incomum. O baixo se sobressai com louvor, em dedilhadas favoráveis ao tom experimental que a banda assume. Das faixas apenas instrumentais, cheias de notáveis êxitos harmônicos, até às mais "rock", recheadas por letras bem escritas e cobertas com um som mais acessível, a banda encanta o ouvinte com um som requintado e de extremo valor.

*Sugestão de Davi

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Set List


1- Capture the Flag
2- KC Accidental
3- Stars and Sons
4- Almost Crimes [Radio Kills Remix]
5- Looks Just Like the Sun
6- Pacific Theme
7- Anthems for a Seventeen Year Old Girl
8- Cause=Time
9- Late Nineties Bedroom Rock for the Missionaries
10- Shampoo Suicide
11- Lover's Spit
12- I'm Still Your Fag
13- Pitter Patter Goes My Heart

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Experimente! Ouça a terceira faixa do álbum!


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The Good, the Bad and the Queen - The Good, the Bad and the Queen

Damon Albarn, como havia escrito na resenha do disco do Blur, é um Midas dentro da música. Tudo que toca, vira ouro. The Good, the Bad and the Queen é um projeto respeitável, não só pela presença de Albarn, mas pela incrível contribuição de Paul Simonon, ex-baixista do Clash, que é o grande chamariz da banda. O grupo ainda conta com os acordes experientes de Simon Tong que toca no Verve e tocou eventualmente no Blur e no Gorillaz, mostrando que tem crédito de sobra com Albarn. Na bateria, Tony Allen do Fela Kuti se desdobra em ótimas batidas, que gozam em muitos momentos de imprescindibilidade, guarnecendo a musicalidade do disco com um toque contemporâneo. O disco auto-intitulado The Good, the Bad and the Queen, lançado em 2007, é aparentemente um indie-pop bem estruturado, mas sai muito dessa definição quando seus integrantes fragmentam a concepção do ouvinte sobre o que é pop. Eles brincam com agentes de harmonia, como um bom backing vocal ou efeitos sorrateiros que sobrevoam o ambiente sonoro do disco. De repente, você se depara com o baixo trabalhado, elegante de Simonon envolvendo todas as melodias com esmero inigualável. A guitarra de Tong dispara notas a esmo, com aparente despretensão, mas sempre acertando o alvo com exímia mira musical. Albarn é sereno, fugindo da euforia do britpop do Blur ou do hip-hop do Gorillaz. Seu desempenho é extremamente simétrico se colocarmos os brandos arranjos ao lado de sua voz macia e arrastada. O disco flerta muito com minimalismo eletrônico que amplia ainda mais o clima agradável que se instaura desde o momento que você coloca a primeira faixa pra rolar.

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Set List

1- History Song
2- 80's Life
3- Northern Whale
4- Kingdom of Doom
5- Herculean
6- Behind the Sun
7- The Bunting Song
8- Nature Springs
9- A Soldier's Tale
10- Three Changes
11- Green Fields
12- The Good, the Bad & the Queen

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77 - Talking Heads

Nova York começava a estourar sonoramente com as novidades que apareciam de todos os cantos. Ramones pra lá, New York Dolls pra cá, Richard Hell não ficava pra trás e os Dead Boys se acabavam em gritos e exibiam grandiosas músicas. Todas essas bandas eram um vulcão em erupção, com estridentes melodias, compulsivas guitarras rasgavam o ambiente sonoro. Genial. Mas na cola do punk, quase como lado a lado, a new wave arrastava consigo uma massa de admiradores. O aspecto mais clean, mais elaborado e com batidas estufadas, dando uma atenção maior para a percussão, revestido de uma suavidade com acordes mais comportados da guitarra, adentrava nos anos 80 como uma das maiores características sonoras da década. O Talking Heads foi um dos pioneiros na aplicação dos elementos do movimento new wave, como você pode notar no primeiro disco deles, o 77, lançado no ano de 1977. Seu apelo pop era diferenciado graças às misturas de ritmos próximos aos caribenhos, com metais, xilofone e outros elementos nada comuns no rock. Também abusavam corretamente de compassos mais funk, com um baixo bem grave, ágil e marcante. O som da banda é uma clara viagem nos sons que ditavam a cultura da época. Havia em cada nota de instrumento, um atrativo magnético, fato que os fez subir ao mainstream sem nenhum problema. A genialidade de David Byrne com sua letras em perfeita união com sua voz ativa, com pitada de provocação, sela o trabalho da banda com qualidade raramente vista no rock.

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Set List


1- Uh-Oh, Love Comes to Town
2- New Feeling
3- Tentative Decisions
4- Happy Day
5- Who Is It?
6- No Compassion
7- The Book I Read
8- Don't Worry About the Government
9- First Week/Last Week ... Carefree
10- Psycho Killer
11- Pulled Up

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