Indoor Living - Superchunk

Posts atrás, falei sobre uma banda chamada Polvo. Quando disse que eram de Chapel Hill, na gelada Carolina do Norte, muita gente pode ter se perguntado: "Chapel quê? Carolina de onde?", porém outras pessoas já associaram essa cidade com uma das bandas mais conhecidas pelo underground americano: o Superchunk. Foi lá que em 1989 o vocalista e guitarrista Mac McCaughan, a baixista Laura Ballance, o baterista Chuck Garrison e o guitarrista Jack McCook formaram a banda que a princípio se chamava Chunk. Mas como havia em Nova York uma banda maluca de jazz com o mesmo nome (e mais antiga), eles adotaram o "Super" para diferenciá-los. E quando falo em histórias envolvidas com atitudes para diferenciá-los, não existe somente esse caso. O que realmente importa é o que os diferencia no campo sonoro, o que os separa de outras bandas (da época e de hoje também). Comece pelo vocal saliente, agudo, fanho (como quiser classificar) de McCaughan, elemento que já levanta a antena do ouvinte, que detecta alguma diferença no entoar de canções abrigadas por notas de guitarras distorcidas, rasgadas, evocando o punk dos anos 70, o hardcore dos anos 80, fazendo a junção e agregando ainda ondas agitadas de pop. Existe sempre aquele cara que irá dizer: "porra, mas isso é fácil, todo mundo faz". Mas não do jeito que esses americanos fazem. O som da banda é uma síntese dos anos 90, das suas influências, do que tocou nas rádios, no que tocou no subterrâneo mundo do indie autêntico - autêntico sim, pois o Superchunk sempre recusou propostas de gravadoras maiores, pois eles almejavam mais que discos vendidos, almejavam liberdade.

O álbum Indoor Living, lançado em 1997, e a continuidade de grandes trabalhos anteriores, como No Pocky for Kitty ou On the Mouth. Não é um trabalho inovador, mas ganha pontos por estabelecer a identidade da banda, com uma estética crua aliada a elementos harmônicos do pop e sem prostituir seu som. Quem ouve o álbum, facilmente reconhecerá a banda. Aqui existe aquela aspereza típica do Hüsker Dü, misturada com uma explosão de cordas bem resgatada do The Who (fique atento para a faixa 'Song for Marion Brown' que copia claramente a guitarra inicial da música Baba O'Riley). A primeira faixa 'Unbelievable Things' tem uma levada mais acessível e brinca num solo de guitarra rasante, bem no estilo J. Mascis. Taí um fruto da influência do Dinosaur Jr. na questão de trazer de volta os solos para o rock alternativo (que estava muito veloz graças ao punk). 'Burn Last Sunday' tem os ingredientes que caracterizam uma canção dos anos 90. Ataques rápidos em notas distorcidas, breaks de intensidade para dedilhadas de baixo e guitarra dançando junto com a voz quase adolescente de McCaughan. Um riff simples sem alterna com variações complicadas das cordas e viradas à la Keith Moon na bateria. É questão de prestar atenção pra notar a beleza. 'Watery Hands' é a coisinha pop do álbum. É fácil de cantar (cantar alto mesmo), tem aquele conforto sonoro de fundir esse citado pop com uma cobertura espessa de rock. E vale abusar em trechos vocais, para marcar ainda mais a música no fã. Principalmente quando ele canta "... kiss your (watery hands)". Não tem como esse trecho não grudar na sua mente.

Como disse acima, não se trata de inovação, e sim de continuidade. Muitas bandas indies vão perdendo o sal (ou açucar) durante os anos e isso é lamentável. Não dá pra se adaptar à mudanças bruscas sem quase morrer do coração. A banda não fez sua grande obra nesse álbum, mas também não deu susto nenhum. Vai por mim, isso é muito bom quando se trata de Superchunk.

Set List

1- Unbelievable Things
2- Burn Last Sunday
3- Marquee
4- Watery Hands
5- Nu Bruises
6- Every Single Instinct
7- Song for Marion Brown
8- The Popular Music
9- Under Our Feet
10- European Medicine
11- Martinis on the Roof


DÊ SUA NOTA PARA O ÁLBUM! Aqui embaixo você pode dar de uma à cinco estrelas para o álbum disponível nesse post. É só clicar em quantas estrelas o álbum merece e pronto!

6 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Excelente post Pipoko! Superchunk é uma puta banda! Seu blog tá sempre na vanguarda de coisas legais. Congrats, man!

No momento, tô degustando dois álbums. O Modern Guilt do Beck e o District Line do senhor Bob Mould. Estou adorando ambos! :)

Abraço!

Esse blog é sensacional!!!

Baixei o MGMT!! é mto bom!!!

depois dá um confere no blog NA VEIA!

NA VEIA é um programa de rock que rola toda sexta as 20hs na Radio RPB Web.

www.naveiaprograma.blogspot.com

super bjo!!

=)

Agora abalou total!! Dá até pra ouvir amostras! Excelente, pois não preciso baixar o disco inteiro de uma banda que não conheço. Parabéns pela iniciativa!

boa tarde tenho alguns albuns de bandas antigas s nopvas tambem e gostaria de disponibilizar isso para as pessoas como faço pra enviar isso pro site? podem me ajudar?
meu email é daniel_helo@hotmil.com por favor entrem em contato contribuirei com o maior prazer!!

Mais um que só baixa com conta premium...ai é foda hein

Putz, muito bom essa banda, gosto muito deste blog tbm, ja visito aqui ha algum tempo (não frequentemente), e so tenho a parabenizar o dono!

Parabens pelo blog e muito obrigado por partilhar conosco boas bandas e artistas!!!