Do You Like Rock Music? - British Sea Power

O British Sea Power galga degraus rapidamente numa curta trajetória. Essa banda inglesa formada na cidade de Cumbria em 2000 apareceu na cena musical em 2003 com o aclamado álbum The Decline of British Sea Power, marcando o início de uma caminhada de aprendizado e clara evolução musical. Em 2005 lançaram o novamente elogiado Open Season, que despontou com algumas canções pela Europa, dando uma certa notoriedade aos ingleses. Qualquer pessoa que dizia entender de rock, havia ouvido pelo menos um som da banda. As influências do grupo passeam pelo pós-punk do Joy Divison (pra variar), serpenteiam pelo rock mais garagem dos Stooges e saltita pelo solo macio do britpop. Se você unir em sua cabeça tudo que citei, com certeza deve imaginar uma sonoridade sujeita a elasticidade de intensidades: acertou. Agora some a tudo isso a sensibilidade de letras que abordam diversos temas (em muitos casos, tragédias) e uma facilidade em criar uma atmosfera sombria. Pronto, este é o British Sea Power.

Agora em 2008, os ingleses lançaram seu terceiro disco, o Do You Like Rock Music? que apresenta um ambiente musical bem parecido com o Neon Bible do Arcade Fire. Semelhanças existem, mas não podemos cometer o erro de afirmar que é uma cópia perfeita da banda canadense, afinal, se olharmos para o histórico do British Sea Power, notaremos que até chegar no estado atual, eles se aventuraram em diversos caminhos, dos mais movimentados e intensos até os mais sombrios e pavorosos (no sentido da sensação e não da qualidade). 'All In It' abre o álbum com sons de orgãos ao fundo, uma percussão pesada e de compasso bem marcado. Um coral, que parece de centenas de vozes nasce para auxiliar a voz grave de Yan Wilkinson. A faixa se arrasta com pequenas alterações por um pouco mais de dois minutos. 'Lights Out For Darker Skies' segue com a textura sonora que a banda utilizou no disco anterior. Uma versão mais acessível da banda, uma espécie de aperitivo que antecede os sinais de evolução da banda. Até aqui, quem é familiarizado com os trabalhos anteriores da banda vai pensar que tudo continua o mesmo. Mas logo em seguida, 'No Lucifer' surpreende com inicio calcado numa sinistra calmaria, figurada por um violino que puxa como que um pavil, toda a paz proposta. Aos poucos este pavil é aceso e a chama formada acaba em um barril de pólvora, que não se limita a inicializar a mudança na faixa, e sim em todo o álbum. É aqui que as coisas ficam realmente interessantes. O senso harmônico apresentado nessa faixa é de deixar a boca aberta. Só acho que eles deviam dar um jeito de prolongar essa canção. 'Waving Flags', o primeiro single do álbum, mantém o clima iniciado e tem refrão contagiante, fácil de cantar, o que faz o ouvinte atentar para essa faixa. Os arranjos alcançam o êxtase extremo e de repente adormecem numa ponte marvilhosa:

Here is my pride
here is my life
It just tastes good
Especially tonight

A ponte leva o consciente do ouvinte para uma espécie de complemento, um salto para um grand finale. É de arrepiar. 'A Trip Out' já mexe com guitarras, numa aparência mais lo-fi, onde a brinca de power-pop, lembrando a banda Big Star, dos anos 70, que inspirou muita gente, de Guided by Voices atéo R.E.M.. A guitarra é mais agressiva e a linha de baixo é sinuosa, sob uma parede sonora que intensifica a união dos instrumentos. E não há como deixar de destacar a enigmática 'No Need To Cry' que prepara de forma precisa e soturna o ouvinte para o fim do álbum. 'We Close Our Eyes' termina como começou, com aquele mesmo coral de centenas de vozes. Porém o diferencial dessa faixa é o conjunto de sons, ruídos, compondo algo como uma cena de guerra, ou melhor, cena de fim de guerra. Como diz o título da faixa, recomendo você fechar os olhos e vislumbrar a cena de devastação. É incrível. A interposição de vozes e ruídos é deliciosa e fecha de forma gloriosa o disco.

É um clássico instantâneo de nossa década que está por acabar. Sem dúvidas o British Sea Power criou um trabalho coeso, sério e perpétuo. Se muita gente das gerações anteriores mantém o rock vivo, gente da geração atual - através de uma utilização perfeita de influências - também faz esse árduo serviço com louvor.

Set List

1- All in It
2- Lights Out for Darker Skies
3- No Lucifer
4- Waving Flags
5- Canvey Island
6- Down on the Ground
7- A Trip Out
8- The Great Skua
9- Atom
10- No Need to Cry
11- Open the Door
12- We Close Our Eyes


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4 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Na Boa Pipoko, só vc pra definir bem o British ! não conheco o disco novo, vou baixar agora !!

gosto dessas pitadas de anos 80. o som ecoa longe.

Nossa tem faixas exelentes mesmo, como as que foram citadas, mas acho que pelo fato de vc ter falado do britpop eu tava esperando um pouquinho mais.. hahah
mas gostei mt

seu blog é muito bom, gosto demais dele...
só está faltando atualizações, mais sei q é dificil

=)