Third - Portishead

O trio formado em Bristol, Inglaterra, no ano de 1991, finalmente reaparece no cenário músical com novo disco. A questão é: será que ainda há espaço para o trip-hop característico da banda? Muita gente vem falando sobre esse assunto, se foi sensato esperar onze anos para lançar um novo álbum, ainda mais num nicho de mercado tão limitado, e não seria exagero dizer, tão esquecido. Na metade dos anos 90, havia um boom de bandas, duplas, e artistas solo fazendo álbuns sob essa versão mais consistente da música eletrônica. Em 1998 a dupla francesa Air lançou seu disco mais celebrado, o Moon Safari. Um ano antes, o Portishead lançou um disco homônimo onde figuravam pérolas do estilo, como 'All Mine' e 'Humming'.

E em 2008, aquela onda já passou, as tendências são outras, mas o trip-hop aliado a um tipo de pop/rock alternativo deixou marcas na música conteporânea. E é sob essa marca que o Portishead lança o Third, nome mais óbvio para o seu terceiro álbum (de estúdio). Não houve muita mudança, mesmo considerando o hiato que separa o último disco de 1997 e o atual lançamento. A impressão que o disco dá é que o trio foi congelado em algum lugar sem a possibilidade de absorção de novas influências, até porque de 1997 a 2008 não houve nada realmente inovador, só mistura de influências. Claro que alguns elementos novos aparecem, por exemplo nas guitarras e toques de sintetizador que assemelham muito o som da banda ao do Silver Apples. Melhor exemplo dessa comparação você encontra na faixa 'We Carry On', que por sua atmosfera caótica, dissonante, garante o melhor momento do fã com o álbum. A faixa de abertura 'Silence' é a melhor performance vocal de Beth Gibbons no disco (sem contar o trecho em português que a faixa apresenta em sua abertura). Ela mantém a agonia em sua voz, sentimentos sufocados, tão destacados naquela música 'Glory Box' do primeiro disco, lembram? 'Hunter' é um caledoscópio de notas, e traduz a insegurança da letra não só na voz trêmula de Gibbons mas também em cada acorde:

I stand on the edge of a broken sky
And I'm looking down, don't know why

And if I should fall, would you hold me?
Would you pass me by?
Ooh, you know I'd ask you for nothing
Just to wait for a while


'Machine Gun' explode em batidas/tiros num ar de resgate dos anos eletrônicos da década de 80. A sequência de batidas está devidamente encaixada e executada e embora não te transporte a um tiroteio, não deixa de passar a angústia de uma composição sombria, quase bélica (hahaha).

O novo álbum do Portishead pode não escancarar novas influências, mas com certeza mantém a tristeza, o frio do congelamento do trio durante esses onze anos. E pra ser sincero, melhor assim.

Set List

1- Silence
2- Hunter
3- Nylon Smile
4- The Rip
5- Plastic
6- We Carry on
7- Deep Water
8- Machine Gun
9- Small
10- Magic Doors
11- Threads


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6 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Opa, sempre baixo uns álbuns por aqui. Valeu.

hummm, por enquanto a decepção 'dos mais esperados' do ano! Realmente este ócio não foi muito criativo.
;(

oi! tem como colocar o segundo álbum do Drop Nineteens, o National Coma?

baixei aqui e achei a banda muito foda!

cara, eu gostei muito do album. Há melodia te persegue, você deita pra dormir e aqui roda na sua cabeça. Alguém sabe de quem são as frases que iniciam "silence" ?

flw.

Cara, eu adoro portishead, mas esse album tão esperado não foi nenhum pouco criativo! Não tem nada a ver com os outros cds, saiu horrível!

Ninguém entendeu o terceiro álbum de Portishead, o mais desconcertante, variado e inovador da banda. ¬¬