Warpaint - Black Crowes

Dentro da minha viagem atual de ouvir um rock mais fincado nas raízes do country, chamando bem alto aquele blues de estrada, me vi instigado a ouvir o novo disco dos Black Crowes. A banda formada em 1984 em Atlanta na Georgia, sempre impressionou pelos lampejos de country-rock com um hard-rock bem firme, sem estrelismo em demasia e sem aquelas firulas desnecessárias de guitarra, que sempre estragam trabalhos de bandas que podem até contar com ótimos integrantes, mas de tanto enfeite, empobrece o disco ou música e deixa uma aparência superficial. Minha viagem sulista tem algumas escalas em territórios de bandas que são essencialmente hard-rock, como é o caso do AC/DC ou de bandas que são tão ríspidas que são chamadas de bandas de rock'n'roll, como é o caso dos Rolling Stones. E os Black Crowes vieram a calhar, juntando tudo isso num disco só. E que disco.

Em Warpaint, lançado nesse mês, os irmãos Chris e Rich Robinson arrepiam em solos, riffs e duelos de guitarras. Mostram em um mapa toda a rota da minha viagem, parando em trechos que aparentam as terras do The Band e seu country afinadíssimo. Aí você sente que há uma leveza de acordes, semelhantes à que Keith Richards mostrou no lendário Sticky Fingers e flutua na incrível atmosfera que se equipara aos melhores momentos do Creedence Clearwater Revival.

'Goodbye Daughters Of The Revolution' é anos sessenta ao extremo, dançante e conta com sublimes notas adornando pontos estratégicos da música, como por exemplo, cada fim de verso ou o êxtase do refrão. 'Walk Believer Walk' é rastejante, suplicante e ataviada com toques requintados em um orgão nostálgico. A levada é maliciosa, num blues-rock poderoso e cheio de truques de saída. 'Oh Josephine' é a mais longa e a mais bela das faixas, sem dúvida alguma. É complexa porém enxuta, simplificada por detalhes tão puros, como os vocais que cantam 'Josephiine' ou pelo tilintar de notas agudas do piano, que embelezam a canção com acessórios de um ragtime doce e hipnótico. A canção é finalizada por uma batalha de guitarras tão incrível, tendo como espectador aquele velho orgão que faz todo o cenário músical girar rapidamente. É arrepiante. 'We Who See The Deep' é mais uma dose de notas vívidas que pulsam eufóricas e de forma repetida pelas veias do rock engenhosamente trabalhado nesse disco.

Faziam seis anos que os fãs não eram brindados por um disco de estúdio e eis aqui, não só a novidade, como também a eficiência e a polidez do melhor trabalho que os Black Crowes fizeram desde o Amorica, de 1994. E já pode figurar na lista dos melhores de 2008.

*Sugestão de Carlitos

Set List

1- Goodbye Daughters of the Revolution
2- Walk Believer Walk
3- Oh Josephine
4- Evergreen
5- We Who See the Deep
6- Locust Street
7- Movin' on Down the Line
8- Wounded Bird
9- God's Got It
10- There's Gold in Them Hills
11- Whoa Mule

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

wow! mto bom seu blog! conheci hj, vou visitar sempre!
tava procurando esse album!
dps eu comento!
mas deve ser animal como todos os outros!
=)
valeu, abraco

Tudo beleza?, cara seu blog é do caralho, você só pode ser jornalista.Você poderia colocar a disposição algum disco da carreira solo do paul mccartney, ram e band on the run são só alguns das muitas obras-primas que esse cara fez com os wings nos anos 70.Valeu!
E esse war paint do black crowes é demais!