Sunshine Superman - Donovan

- Você já ouviu esse aqui? - Vivi me perguntou, balançando a capa do CD.
- Não, não que eu lembre.
- Putz, ouça, você vai curtir. É o Donovan. Uma parada meio psicodélica, meio folk.

Naquela mesma tarde, a Vivi acabou comprando um CD do Donovan e fomos à casa dela. Quando chegamos ao apartamento, ela colocou o disco para tocar. Lembro que ouvimos umas três faixas, que foram suficientes para despertar minha curiosidade. E valeu a pena. Ao chegar em casa, ouvi o disco diversas vezes, ao mesmo tempo que lia sobre a vida do cantor.

Donovan nasceu em Glasgow, na Escócia no ano de 1946. Começou sua carreira no meio dos anos 60 e foi considerado a resposta britânica a Bob Dylan. Embora tivessem estilos semelhantes, não é justo fazer essa afirmação. Na verdade Dylan foi a maior influência para o escocês e não há como ver muita semelhança nas letras dos dois músicos: enquanto Dylan explorava os becos sujos da América, as mágoas de sua nação, a pura realidade, Donovan viajava em canções otimistas, sob a leve aura da ideologia hippie ou flower power. Sua canções eram dotadas de uma psicodelia incrível, arremessando o ouvinte às canções dos Beatles onde citaras indianas e cantos em ritmo de mantras eram expostos pelo místico George Harrison.

Sunshine Superman foi lançado em 1966 e mostra toda a textura delicada de canções que aliam a temperança dos tradicionais acordes campestres com as flutuantes noções hippies de harmonia (leia-se viagem cósmica de LSD). O disco goza de ótima produção, com arranjos atípicos e bem executados, contando com violinos, citara, batuques de bongôs e ótimos momentos de flerte com o rock, como pode ser ouvido na primeira faixa 'Sunshine Superman'. Ela tem um certo resquício do som do Jefferson Airplane, com aquela levada repetida que sempre desagua em ótima dose de euforia, principalmente quando um pequeno solo irradia em meio ao torpor sonoro que se instala. 'Three King Fishers' é soturna, mas é enriquecida pelas influências indianas tão marcadas nos longos trechos de citara. 'Season of the Witch' é outro grande destaque do disco, frenético por seu arranjo complexo, pela voz de Donovan que se transforma tornando-se um rock star quase estérico e pelo banho de exaltação que a guitarra e o orgão dão à harmonia. Essa faixa é a psicodelia das mais bem feitas. 'The Trip' é uma canção para viajar em uma estrada ensolarada, com aquele vento nos cabelos e aquelas montes verdejantes ao redor. Sob o ritmo marcado do baixo e a levada folk do violão, é a canção que mais se aproxima de Bob Dylan e seu estilo.

Particularmente, acredito que comparações na maioria das vezes apenas prejudica o trabalho de um artista. Ainda mais quando a comparação é precipitada. Foi o que aconteceu com Donovan. Criaram um 'hype' em cima do coitado, comparando-o ao seu grande ídolo (e não só comparando, como fazendo dele um concorrente, um equivalente britânico). Cada um, cada um. E você vai comprovar o que estou escrevendo, quando ouvir essa grande obra dos anos 60.

Set List

1- Sunshine Superman
2- Legend of a Girl Child Linda
3- Three King Fishers
4- Ferris Wheel
5- Bert's Blues
6- Season of the Witch
7- The Trip
8- Guinevere
9- The Fat Angel
10- Celeste

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4 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Olá,
faço parte do blog Svaragrama, e gostei muito do seu blog, tem bastante conteúdo.
Queria pedir, por gentileza, que postasse o álbum Skeleton do Figurines, e os outros do Wilco, além do Sky Blue Sky. E se você puder reupar o Grace do Jeff Buckley, ficaria muito grata.
Bem, acho que pedi demais. Parabéns pelo seu ótimo trabalho!

cara,esse disco é um dos meus preferidos,muito legal ver ele por aqui.um detalhe q é legal comentar é que o Jimmy Page é um dos guitarristas do disco.
Recomendo tambem escutar Hurdy Gurdy Man,outro disco do Donovan que é muito bom.

parabens pelo blog é meu favorito.

john paul jones tambem tocou neste disco ou seja o led zeppelin praticamente nasceu neste disco