Film School - Film School

- Não é emo não? - me perguntou um amigo quando o questionei sobre o conhecimento dele em relação ao Film School.
- Não é não...

O nome não nos remete aos grandes nomes do rock. Aliás, nos faz pensar que se trata de mais uma banda de estudantes vagabundos americanos que vêem no rock a oportunidade pra ganhar uns trocados. Acredite, tem muita gente assim. Mas quando se trata do Film School, o ouvinte se impressiona com a honestidade do som, da desenvoltura da flexibilidade sonora que apresentam, com uma naturalidade incrível, causando um efeito de inércia no ouvinte. Com tantos efeitos de eco, momentos de prazerosa dissonância com longos trechos instrumentais como ouvimos no shoegaze, a banda formada em 1998, na cidade de San Francisco, Califórnia, não inova no sentido de inventar, mas se diferencia pela sensibilidade musical, num mundo tão inóspito e sem graça, que vive de baladinhas de punk-pop ou new-wave/rave.

Film School, disco lançado em 2006 não é um sucesso de vendas, não os ergueu ao status de estrelas do indie-rock, mas é nesse disco que todo o conhecimento - proveniente de bandas como Cure, Echo and the Bunnymen e My Bloody Valentine - é exposto com louvor, quando a incrível voz de Nyles Lannon atravessa barreiras entrelaçada com os seus acordes raivosos da guitarra. Os arranjos do grupo são perfeitos, principalmente quando se trata do efeito bateria e baixo. A sincronia desses dois instrumentos - em muitos casos - atrapalha o trabalho competente de uma guitarra, ou até mesmo o baixista é competente, mas o baterista se atrapalha inteiro ou vice-versa. No caso do Film School, o disco inteiro é uma ode à sincronia perfeita, parecendo muito o Gang of Four, por exemplo, que na minha opinião é a banda que mais sabe aproveitar essa união instrumental. 'On and On' é soturna, com acordes dedilhados e um ritmo marchado da bateria. Altos e baixos na intensidade e melodia acessível. São quase seis minutos de uma canção que tem como trunfo o vocal maleável de Lannon. 'Pitfalls' é oitentista em sua essência, inegável. Uma guitarra ao fundo evocando a transição pós-punk - new wave, mas sem tropeços nem delongas. Mas o maior destaque é mesmo 'He's a DeepDeep Lake' que começa com um dos trechos de bateria mais marcantes que você ouvirá em sua vida. Depois, a harmonia leve se alterna com uma deliciosa e visceral linha de guitarras que, extremamente compatível com os efeitos de teclado, se torna irresistível. O baixo tem espaço essencial na compsição do arranjo, que fica sombrio, enegrecido, tema perfeito de uma tarde tenebrosa e acinzentada.

A banda como citado acima, não é inovadora, mas apresenta uma proposta diferenciada para a nova geração de apreciadores do rock. Com complexidades similares a do noise-rock e o minimalismo presente no math rock (quantas vertentes tem esse rock'n'roll!), o Film School apresenta uma maturidade admirável para uma banda que completa nesse em 2008 dez anos de existência.

Set List

1- Intro
2– On and On
3- Harmed
4- Pitfalls
5- Breet
6- He’s a DeepDeep Lake
7- Garrison
8- 11:11
9- Sick of the Shame
10- Like You Know

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4 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

boa banda não conhecia,vc sempre nos surpreendendo!

valeu!!!!

cara, suas descrições fazem todas as bandas parecerem demais.
e essa realmente é!

Parabéns pela proposta.
Mas mano, tah faltando a música "P.S." neste disco...
Um abraço.