The Reminder - Feist

Nascida em 1976, em Calgary, Canadá, Leslie Feist ou apenas Feist é a voz mais alta e notável da música canadense na atualidade. Embora os compatriotas do Arcade Fire sejam um dos grandes e belos destaques do gigante país norte-americano, Feist brilha pela individualidade de sua carreira, pela genialidade que resplandece em cada trabalho dela. Ela sempre esteve na cena underground do Canadá, participando de bandas, uma delas, o Placebo (que não é a banda inglesa que todos conhecem) chegou a abrir um show dos Ramones no Canadá. Mas Feist participava de projetos ou bandas de amigos, como sempre, bem relacionada. O caso mais conhecido de participação numa banda foi no Broken Social Scene, onde ainda participa, mas agora de acordo com a disponibilidade que sua carreira movimentada permite. O som da canadense é firmado no indie rock como conhecemos, cheio de variações harmônicas, se utilizando não apenas de guitarras semi-distorcidas, como também do piano, que sempre dá um toque diferente em canções. Mas o seu maior trunfo é sua voz. É límpida, adocicada e comovente. Sim, cada nota vocal que sai de sua boca é um abalo nas emoções do marmanjo mais durão. Ela sabe alternar muito bem o clima, do mais calmo ao agitado, que mesmo na exaltação de guitarras e bateria, não perde ternura, graças as ondas sonoras oriundas de suas cordas vocais.

O The Reminder, lançado em 2007, é uma amostra do equilíbrio de sua sensibilidade musical. Não há como evitar comparações com Cat Power. Muita gente tem dito que Feist é "um tipo de Cat Power canadense", como vi um dia desses numa vinheta da MTV. É uma definição vaga e injusta, no mínimo ignorante de um veículo de comunicação que deveria ser bem mais consciente de seu papel cultural junto à juventude. A semelhança maior entre as duas é exatamente isso: a habilidade de jogar com os sentimentos, suavizando o ambiente sonoro com canções singelas, sem muita participação instrumental, sugerindo atenção redobrada para o dom natural digno de uma diva. Aí do nada elas arrancam nossos corações de nossos peitos com um músicas de teor arrasador, exibindo letras intimistas e ritmo moderado, mas bem agitado. Existe também semelhança entre elas no estilo de canto, e no timbre de voz também. Mas ainda é pouco para fazer uma definição tão boçal de Feist (Cat Power canadense). Nesse disco de Feist, há um certo distanciamento entre as duas musas geniais. A canadense adora brincar com acordes míticos de guitarra, jogar com palmas, evocando seu passado no Broken Social Scene, experimentando mais o rock como é o caso na faixa 'Sealion'. Mas agrande verdade nesse papo de comparações é que as duas cantoras passam por fases diferentes. O último disco de Cat Power é fruto de dificuldades superadas, ou seja, há uma atmosfera de comemoração pela vitória propiciada por lições aprendidas. Feist em seu atual trabalho explora sons, não só se aventurando pelo rock mas até flertando com um pop meloso dos anos 70, na canção 'The Limit To Your Love'. Explora raízes antigas com um som de banjo ao fundo, notas charmosas de piano, instrumentos de sopro e estalar de dedos na bela '1234'. 'So Sorry' se torna inebriante graças às altas notas que a cantora alcança, cercada de vocais aos fundo, criando ambiente propício para os acordes comportados e bem encaixados de violão. É sensacional.

Embora eu tenha achado um exagero esse disco figurar entre os 100 melhores alternativos de todos os tempos, sem dúvida está entre os 5 melhores do ano passado. É bom ressaltar que muita mulher apareceu por aí, gritando, esperniando, virando sensação na mídia, lançando um disco e só isso. Tudo isso prova que eram trabalhos vazios, sofridos e manipulados por caça-talentos sedentos por grana. Embora você só tenha ouvido falar na Feist no ano passado, ela tem uma base respeitável, e uma carreira sólida construída desde os anos 90. Feist se junta à Cat Power, PJ Harvey entre outras no panteão de ícones do rock alternativo.

*Sugestão de Davi

Set List

1- So Sorry
2- I Feel It All
3- My Moon My Man
4- The Park
5- The Water
6- Sealion
7- Past in Present
8- The Limit to Your Love
9- 1234
10- Brandy Alexander
11- Intuition
12- Honey Honey
13- How My Heart Behaves

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5 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

pecou de novo não falando sobre "how my heart behaves"
uma belissima canção.

É que gosto é gosto, não pecado.

Ela fez perticipações do 'Riot on an Empty Street' do Kings of Convenience.

Quando ouvi nem sabia quem era... mas foi amor à primeira vista

Felipe Evers

Past in Present é a melhor do cd, mas ainda prefiro as músicas do álbum Monarch!

Curti demais tua postagem. Tô conhecendo Feist hoje, baixando coisas dela. Digna, no mínimo!

Blog legal. Meus parabens! (;