Loyalty to Loyalty - Cold War Kids

Vira e mexe eu fuçava pelas páginas mais diversas da internet atrás de informação sobre um eventual novo disco do Cold War Kids. O primeiro álbum dessa banda fundada na Califórnia, mais precisamente em Fullerton, me arrebatou os sentidos. Fazia tempo que um álbum não me chamava tanto a atenção. Era um equilíbrio raro entre um rock áspero e perfeitos elementos de baladas pop. Não, não... nada de açucar nessa composição toda. No álbum Robbers and Cowards eles faziam um som extremamente acessível, mesmo quando as letras evocavam os vultos que rastejam córregos de ruas infestadas de pecado, crimes, desgosto com a vida e tudo o que há de pior numa vivência urbana e acima de tudo realista. Toda a potência do piano era utilizada de forma precisa para intensificar a agonia do ouvinte. Tudo era perfeito. E continua perfeito!

No dia 23 de setembro desse presente ano, o Cold War Kids lançou seu segundo álbum, o Loyalty to Loyalty e foi com imenso prazer que me postei a ouvir o novo som dos caras. Andei lendo umas críticas gringas e as opiniões estão bem empatadas. Pra uns, o encanto sumiu. Para outros, eles permanecem uma puta banda com um puta som. Eu concordo que o primeiro álbum é inatingível em seus êxitos particulares que descrevi acima, porém permanecem com uma sonoridade que se agarra a um vigor febril, contaminado por pequenas células de desânimo, um quê de desgraça que desaparece caso o ouvinte desejar. 'Against Privacy' abre as cortinas do espetáculo com melancolia, luzes baixas e expectativa. Toda a sonoridade escancarada, as batidas típicas de Matt Aveiro com aquela trama acústica, exibindo um compasso firme na classe do jazz e o vocal de Nathan Willet, escandaloso, despreocupado e ressonante constroem nessa primeira faixa uma fachada imponente que anuncia com sua beleza sombria os atrativos do interior do edifício. 'Mexican Dogs' intensifica os impulsos, com a guitarra finalmente mostrando sua serventia, a atmosfera se torna densa. O canto de Willet corta o ar enquanto o swing negro dos acordes de guitarra propiciam momentos de dança ou de um simples balançar de cabeça, a aprovação mais singela e sincera. Trechos e mais trechos de cordas entrelaçadas e arrepiantes evidenciam um despertar na sonoridade da banda, que no trabalho anterior se concentrava em canalizar o poder das notas para uma representação angustiante. Agora a banda abre as portas para algo mais rock'n'roll. 'Something is not Right with Me' se reveste de uma urgência no seu desenrolar, é cantada como se o ar estivesse acabando. O piano veloz entope de aflição a melodia e mesmo assim, a banda consegue incluir pausas onde a dupla baixo e bateria dão conta do recado, enquanto Willet canta:

passions of people sleeping late into the evening
reach behind, they can hardly find their spines

'I've Seen Enough' é a balança pendendo mais para o pop. Todo o arranjo trabalha soturno em prol do vocal que com toques de tormento vacilante, completa a perturbante e ao mesmo tempo graciosa canção. E por fim, confira 'Relief'. O trabalho do baixo é marcante e a variação de tons agudos no vocal é prova de liberdade na composição das faixas.

Embora muita gente tenha se decepcionado por não ter ouvido um novo 'We Used to Vacation' (incrível primeira faixa do álbum anterior), o que importa é apreciar a regularidade do som deles. Em uitos casos é bom a banda contituir uma identidade primeiro, antes da chegada das mudanças. Muitas bandas pecam por lançar um primeiro álbum explosivo e em seguida, mudar da água pro vinho, sem firmar a identidade. O Cold War Kids está no caminho dessa confirmação.

Set List

1- Against Privacy
2- Mexican Dogs
3- Every Valley Is Not a Lake
4- Something Is Not Right with Me
5- Welcome to the Occupation
6- Golden Gate Jumpers
7- Avalanche in B
8- I've Seen Enough
9- Every Man I Fall For
10- Dreams Old Men Dream
11- On the Night My Love Broke Through
12- Relief 3:02
13- Cryptomnesia

Baixar o disco!

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Centuries Before Love and War - Stars of Track and Field

Não é segredo algum que no "novo rock" as batidas digitalizadas são cada vez mais presentes. New Rave, Punk Pop, Eletro Rock... Todo esse bolo é recheado de batidas, açucaradas pelos avanços técnicos que garantem pureza cristalina e fidelidade de som, principalmente quando juntamos todo o arranjo e numa audição, nos sentimos no meio de um show. Agora como utilizar desse recurso eletrônico sem ficar na sonoridade piegas que vira e mexe você ouve nos redutos indies de sua cidade (seja numa balada ou a casa de um amigo descolado)?

O Stars of Track and Field (STF) - que também é o nome de uma música do Belle and Sebastian - é uma grata exceção no meio de tantas bandas que desgastam sua proposta sonora com batidinhas. A verdade é que variar as batidas, mudar o tempo delas, fazer uma confusão em forma de pancadas não significa sair do convencional. Até porque o ponto principal dessa questão é como aliar esse recurso à uma estética rock sem que todas as músicas percam a rebeldia das guitarras. E é disso que falo quando incluo o STF dentro das exceções entre a mesmice da cena atual. A banda americana formada em Portland, Oregon apresenta canções riquíssimas em harmonia, melodias que arrepiam, mas que empolgam também, te carimbando uma passagem sem volta para uma viagem de guitarra. Fica no meio termo entre a sensibilidade para emocionar que o Sigur Rós tem e as chicotadas de cordas distorcidas do Death Cab for Cutie. Mas não pense que você vai se derramar em prantos. Não. Ela emociona pelo ajuste da rica melodia com vocais suaves e esparramados, mas é interessante como não fogem do contexto.

O trio lançou seu primeiro EP chamado You Came Here for Sunset Last Year e chamou a atenção da mídia especializada. Rádios independentes tocavam o som deles e divulgavam shows que não paravam de ser marcados (e como de costume, eu os achei na KEXP, rádio de Seattle). O bom nos EUA é como existem rádios que tocam incessantemente sons de bandas da cena da própria cidade. Isso ajuda muito bandas que estão começando, principalmente no agendamento de shows. Eles contaram com bons produtores para essa EP, como Tony Lash (já produziu Dandy Warhols e Elliot Smith) e Jeff Saltzman (que já produziu o ex-Pavement Stephen Malkmus). Um trabalho sério e que deu frutos. E o maior fruto de todos é o primeiro álbum deles, o Centuries Before Love and War que contém algumas faixas do EP. As canções novas do álbum não fogem à linha do trabalho experimental: complexas, calculadas e emocionantes.

Acredite, as batidas digitais dançam uma valsa fodida com a guitarra, formando uma atmosfera densa, formando um rock sólido, embora seja interrompido com trechos de vocal suave acompanhado de piano, como podemos notar na música 'With You'. Se você ouvir 'Say Hello' e fechar os olhos durante introdução que termina com a guitarra dando uma "sapatada na sua nuca", você vai notar a musicalidade aflorando em todos os canais possíveis. Os solos durante essa música são nostálgicos, o tempero que as batidas dão te fazem pensar: onde essa banda estava que eu não encontrei antes? O som deles também se mostra muito maduro durante canções mais calmas, como é o caso de 'Let Ken Green', quando os instrumentos e vocal suave, criam uma harmonia poucas vezes vista, quase hipnótica. É som para poucos.

"Porra Pipoko! O álbum foi lançado em 2006 e só agora aparece aqui?". Tá bom, eu sei. Mas a velha máxima entra em ação: "antes tarde do que nunca". Esse é um álbum bem produzido, bem executado e com um rock quase perfeito, não devendo em intensidade nem em emoção.

Set List

1- Centuries
2- Movies of Antarctica
3- With You
4- Lullabye for a G.I./Don't Close Your Eyes
5- Real Time
6- Arithmatik
7- U.S. Mile 5
8- Say Hello
9- Exit the Recital
10- Fantastic


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Indoor Living - Superchunk

Posts atrás, falei sobre uma banda chamada Polvo. Quando disse que eram de Chapel Hill, na gelada Carolina do Norte, muita gente pode ter se perguntado: "Chapel quê? Carolina de onde?", porém outras pessoas já associaram essa cidade com uma das bandas mais conhecidas pelo underground americano: o Superchunk. Foi lá que em 1989 o vocalista e guitarrista Mac McCaughan, a baixista Laura Ballance, o baterista Chuck Garrison e o guitarrista Jack McCook formaram a banda que a princípio se chamava Chunk. Mas como havia em Nova York uma banda maluca de jazz com o mesmo nome (e mais antiga), eles adotaram o "Super" para diferenciá-los. E quando falo em histórias envolvidas com atitudes para diferenciá-los, não existe somente esse caso. O que realmente importa é o que os diferencia no campo sonoro, o que os separa de outras bandas (da época e de hoje também). Comece pelo vocal saliente, agudo, fanho (como quiser classificar) de McCaughan, elemento que já levanta a antena do ouvinte, que detecta alguma diferença no entoar de canções abrigadas por notas de guitarras distorcidas, rasgadas, evocando o punk dos anos 70, o hardcore dos anos 80, fazendo a junção e agregando ainda ondas agitadas de pop. Existe sempre aquele cara que irá dizer: "porra, mas isso é fácil, todo mundo faz". Mas não do jeito que esses americanos fazem. O som da banda é uma síntese dos anos 90, das suas influências, do que tocou nas rádios, no que tocou no subterrâneo mundo do indie autêntico - autêntico sim, pois o Superchunk sempre recusou propostas de gravadoras maiores, pois eles almejavam mais que discos vendidos, almejavam liberdade.

O álbum Indoor Living, lançado em 1997, e a continuidade de grandes trabalhos anteriores, como No Pocky for Kitty ou On the Mouth. Não é um trabalho inovador, mas ganha pontos por estabelecer a identidade da banda, com uma estética crua aliada a elementos harmônicos do pop e sem prostituir seu som. Quem ouve o álbum, facilmente reconhecerá a banda. Aqui existe aquela aspereza típica do Hüsker Dü, misturada com uma explosão de cordas bem resgatada do The Who (fique atento para a faixa 'Song for Marion Brown' que copia claramente a guitarra inicial da música Baba O'Riley). A primeira faixa 'Unbelievable Things' tem uma levada mais acessível e brinca num solo de guitarra rasante, bem no estilo J. Mascis. Taí um fruto da influência do Dinosaur Jr. na questão de trazer de volta os solos para o rock alternativo (que estava muito veloz graças ao punk). 'Burn Last Sunday' tem os ingredientes que caracterizam uma canção dos anos 90. Ataques rápidos em notas distorcidas, breaks de intensidade para dedilhadas de baixo e guitarra dançando junto com a voz quase adolescente de McCaughan. Um riff simples sem alterna com variações complicadas das cordas e viradas à la Keith Moon na bateria. É questão de prestar atenção pra notar a beleza. 'Watery Hands' é a coisinha pop do álbum. É fácil de cantar (cantar alto mesmo), tem aquele conforto sonoro de fundir esse citado pop com uma cobertura espessa de rock. E vale abusar em trechos vocais, para marcar ainda mais a música no fã. Principalmente quando ele canta "... kiss your (watery hands)". Não tem como esse trecho não grudar na sua mente.

Como disse acima, não se trata de inovação, e sim de continuidade. Muitas bandas indies vão perdendo o sal (ou açucar) durante os anos e isso é lamentável. Não dá pra se adaptar à mudanças bruscas sem quase morrer do coração. A banda não fez sua grande obra nesse álbum, mas também não deu susto nenhum. Vai por mim, isso é muito bom quando se trata de Superchunk.

Set List

1- Unbelievable Things
2- Burn Last Sunday
3- Marquee
4- Watery Hands
5- Nu Bruises
6- Every Single Instinct
7- Song for Marion Brown
8- The Popular Music
9- Under Our Feet
10- European Medicine
11- Martinis on the Roof


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Ode to Sunshine - Delta Spirit

Quando soube da banda, a primeira coisa em que pensei foi na vertente do blues vinda do delta do Mississippi, o que automaticamente me levou a pensar: deve ser som triste. Na primeira audição, leia-se primeira faixa, achei que meu julgamento precoce seria confirmado. Mas como num salto, do fundo de um abismo para verdes planícies, a banda de San Diego, Califórnia, se faz valer de poderosas e agitadas notas e invoca almas angustiadas para se juntar ao coro que liderado por Matthew Vasquez, faz um belo trabalho vocal amalgamado num indie rock regado de temperos folk, sim, não é folk-rock ou anti-folk. Apenas um temperinho caipira. É aquele bom e velho indie tão peculiar à nossa década, com o folk tão peculiar ao fim da mesma década. Mas se você já enjoou daqueles grupinhos vestidos de marrom, barba por fazer e canção que não condiz com a realidade deles, tudo para besuntar músicas com letras oleosas e tendenciosas, esqueça de relacionar o Delta Spirit à toda essa farsa.

No álbum Ode to Sunshine, lançado em 2007, tem ótimas cargas de piano, um senso de produção apurado e competência de sobra para ligar o seu alerta e te abrir os olhos para os próximos trabalhos desse grupo que fará você lembrar do Cold War Kids. Dê uma olhada de primeira na locomotiva musical que 'Trashcan' apresenta ou na firme e calcada 'People C'mon' que apresenta uma bela letra, agonizante nos vocais e pausada em sua maior parte. Uma bela harmonia de fato. 'Parade' é enraizada no rock clássico, com acordes pitorescos e de levada rasteira e certeira. 'Bleeding Bells' desmonta o ouvinte com uma melancolia adocicada, algo de Bob Dylan no modo de conduzir a voz em meio à notas leves de violão, e interposições de instrumentos de sopro. Simples e belo.

Posso divagar aqui sobre muitos motivos que farão você babar no teclado e clicar no link abaixo. Querem que eu diga "isso é som de primeira" ou "coisa fina, vai por mim"? Vá baixar essa porra logo!

Set List

1- Tomorrow Goes Away
2- Trashcan
3- People C'mon
4- House Built for Two
5- Strange Vine
6- Streetwalker
7- People, Turn Around
8- Parade
9- Bleeding Bells
10- Children
11- Ode to Sunshine


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Dyed in the Wool - Shannon Wright

Muitas deusas que compoem o panteão do rock feminino já empoeiram seus doces pés na estrada há um bom tempo. Cat Power, PJ Harvey, Julie Doiron entre outras gozam de destaque em nossos dias, graças à dura plantação de sementes. Shannon Wright, americana nascida em Jacksonville, Flórida, é uma delas. Com voz repleta de personalidade, identidade sonora vinda de um peso extra em cada acorde, cada batida. Ao ouví-la, não há como não sentir um nevoeiro denso se instalando lentamente na mente. Sua voz suave disfarça bem a dor de suas letras, a mortalidade próxima, tangível em sua poesia. Mas nem tudo se resume ao negror da vida ou da sensação do fim da mesma. Dentro de cada cápsula de melancolia, existe um êxtase musical, fundamentos bem fixados do indie rock dos anos 90, uma despretensão em relação à perfeição, uma mescla de acordes angustiados da guitarra com toques suaves de piano, entrelaçados por batidas assimétricas que fazem o som rastejar, fazendo vítimas numa execução sorrateira, com resultado pernicioso.

Lançado em 2001, Dyed in the Wool o quarto álbum solo de Wright é devastador (solo sim, ela é ex-vocalista do Crowsdell). Usa de técnicas conhecidas pelo público, como também entra em experimentos de cunho melancólico. Com produção de peso, tendo Steve Albini como engenheiro de som e Andy Baker como produtor, Wright gozou de liberdade para estender sua visão musical, numa flexibilidade admirável. Ela incendeia qualquer receio com uma entrada triunfal na primeira faixa, 'Less Than a Moment'. Harmonia perfeita, indie rock de primeira e o vocal adocicado fazem da faixa um delicioso aperitivo, daquele que se fosse prato principal, seria bom da mesma forma. 'The Hem Around Us' é a faceta tristonha, uma especialidade da cantora. Cordas que choram em meio à uma batida quase fúnebre contrastam com a voz soberba, pretensiosa em acertar o sentimento. Na mosca. 'Vessel for a Minor Lady' é de beleza única, uma pérola encravada no meio de um álbum tão curto. Lamentável ser tão curto. A faixa que dá nome ao álbum 'Dyed in the Wool' é sólida, incontestável quando o assunto é rasgar estruturas em nome de algo experimental, algo que profane a sagrada mesmice. No início, Wright flutua com sua voz, se sobrepondo à guitarra. Batidas surgem e a música toma outros rumos. Toda vez que Wright canta "I will keep you sane", a melodia se intensifica, até que na última vez que ela canta, o pau come solto, dedilhadas rápidas nas cordas, seja da guitarra, seja do baixo, elevam o caos escondido em cada trecho dessa faixa sensacional, no melhor que esse adjetivo pode ter.

Não sei se pode ser a consagração da cantora. Mas Dyed in a Wool é de uma riqueza harmônica indescritível. Wright tem um vocal sedutor e ao mesmo tempo repelente. É agradável e perturbadora. Mexendo assim com nossos sentidos, fica difícil escolher se ela é doce ou amarga. Cá entre nós, tem hora que o amargo cai bem.

Set List

1- Less Than a Moment
2- The Hem Around Us
3- Hinterland
4- Vessel for a Minor Malady
5- You Hurry Wonder
6- Dyed in the Wool
7- Method of Sleeping
8- Surly Demise
9- Colossal Hours
10- The Path of Least Persistence (Figure II)
11- The Sable
12- Bells


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The Coast is Never Clear - Beulah

Amigos desde 1994, quando eram colegas de escritório em São Francisco, Califórnia, Miles Kurosky e Bill Swan sempre andavam juntos, curtindo o mesmo som. Até ai, é um caso comum. Uma das melhores coisas é trabalhar com pessoas que curtem o mesmo som que você. O dia passa mais rápido, a angústia do trabalho, seja lá qual for, é amenizada. Mas isso sempre acontece. O diferencial é que Kurosky e Swan juntaram todo o amor pela música e resolveram em 1996 trabalhar em gravações próprias, feitas naquele estilo lo-fi, por mais ou menos um ano e meio. O resultado desse tempo de dedicação foi o EP 'Small Cattle Drive in a Snowstorm', lançado em 1997, pela célebre gravadora Elephant 6. A repercussão foi relativamente boa, o que os fez lançar um álbum no mesmo ano. Já o álbum não foi aquela coisa que podemos dizer: "nossa, que álbum incrível!", até porque a crítica não foi muito favorável. Turnês com Neutral Milk Hotel e Apples in Stereo (ambas da Elephant 6) os colocaram em evidência. E dois anos depois, já em outra gravadora, eles se reergueram, lançando um álbum que marcou finalmente o estilo da banda, que já contava com Steve LaFolette (baixo e vocais), Pat Noel (guitarra e teclado), Steve St. Cin (bateria), Bill Evans (belo nome, hein(?) e ainda tocava teclado!). O álbum When Your Heartstrings Break foi muito bem aceito por público e crítica, o que sempre causa aquela expectativa em relação ao próximo álbum. Será que a redenção daria fôlego para mais uma ótima obra?

Em 2001, o álbum The Coast is Never Clear foi lançado, e começou do mesmo jeito que terminou a última obra em 1999: em ritmo lento, calmo. Com cordas de violino e toques singelos de piano adornando a abertura do álbum na faixa 'Hello Resolven', Kurosky começa seu canto, anestesiado por um coro suave, abraçando a atmosfera de calmaria. Mas quem acredita que o álbum assumiria essa textura sonora, se engana. 'A Good Man is Easy to Kill' é bela, embriagada em harmonia que conta com passagens de violino e trompete. Porém o que mais dá gosto em ouvir é todo o arranjo, inseparável, pois embora tenha diversos destaques instrumentais, não há como se apegar a um detalhe apenas. A música rola solta, descontraída, cativante. A melhor faixa do álbum. Logo em seguida 'What Will You Do When Your Suntan Fades' segura o nível de qualidade proposto. Em cadência de bossa, backing vocals oportunos e bem encaixados, a faixa é relaxante, sugerindo um fim de tarde na praia, um passeio de bicicleta ou até momentos de amor num quarto qualquer numa cidade caótica. A verdade é que não importa o ambiente real, a música te transporta para outro plano. É ouvindo músicas como essas que eu firmo minha crença na música e seu poder. 'Gene Autry' já começa mais rock, porém vai se apoderando da marca da banda, com exploração de sons dos intrumentos, com meticulosas inserções de trechos de cordas, de sopro. É uma overdose de genialidade, de noção musical, de vocação para composições que não fogem da estética pop, porém assumindo a responsabilidade de não cair nos paradigmas sofridos da música popular. O disco é inteiramente intocável.

Para quem é acostumado a ouvir Belle and Sebastian, não vai ser difícil assimilar cada nota, cada palavra cantada. E mesmo quem não faz a mínima idéia do que seja indie rock, vai se entregar da mesma forma. Afinal, estou falando de boa música, acessível e universal. Elementos dos mais rudimentares como as simples palmas se aliam à sofisticação das junções instrumentais. Vale cada segundo de espera pelo download.

Set List
1- Hello Resolven
2- A Good Man Is Easy to Kill
3- What Will You Do When Your Suntan Fades?
4- Gene Autry
5- Silver Lining
6- Popular Mechanics for Lovers
7- Gravity's Bringing Us Down
8- Hey Brother
9- I'll Be Your Lampshade
10- Cruel Minor Change
11- Burned by the Sun
12- Night Is the Day Turned Inside Out


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Coisas - Moacir Santos

Nesses tempos de celebração pelos cinquenta anos da bossa nova, acho que o RockTown! Downloads deveria prestar uma homenagem a esse ritmo brasileiro sempre recordado por seu requinte, sua elegância e sofisticação. Achei que colocar o álbum Chega de Saudade do João Gilberto seria uma atitude muito óbvia. Vinícius de Moraes era uma boa pedida, mas já é bem conhecido do público. O Tom então, putz, mais conhecido não há. De repente me veio uma luz. Luz vinda diretamente do sertão pernambucano. Moacir Santos, o grande instrumentista e professor de grande parte da nata da bossa nova, como Baden Powell, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes entre outros, merece realmente que seu trabalho seja mais reconhecido do que vem sendo.

Moacir saiu do já citado sertão de Pernambuco, onde tocava em bandinhas locais (aprimorando suas noções musicais), em meados da década de 30, para já na década de 40, mudar para o Rio de Janeiro, grande centro cultural do Brasil na época. Trabalhou em rádios, regeu orquestras como a da TV Record em São Paulo, trabalhou em parceria com grandes nomes, seja como professor ou como parceiro de composição. Vinícius de Moraes em toda sua grandeza, reconhece a maestria de Moacir no 'Samba da Bênção':

Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos
Como este meu Brasil de todos os santos


A MPB se prostra diante da imagem criativa de Moacir, a bossa nova deve sua existência à sua genialidade e iniciativa de restauração harmônica da música brasileira. Seu grande trabalho, a referência definitiva do que é Moacir Santos, é o álbum Coisas, lançado em 1965. O compositor exibe toda a modernidade de sua música em dez faixas que viajam entre batuques afro-brasileiros misturados à suaves notas de jazz que propiciam uma sensível atmosfera musical, relaxante ao extremo. De tanta complexidade, a cabeça adormece. Quando você fecha os olhos, começa a visualizar no escuro uma orquestra, minuciosa em cada conjunto, em cada contraponto instrumental. A sonoridade é instável, num ótimo sentido, como podemos notar na faixa de abertura 'Coisa Nº 2'. Há uma estética pesada com notas graves, velozes e repetidas de trompete, agregando classe aos acompanhamentos africanos, que sugerem um fervor rítmico nas batidas de atabaque. E eis que surge o delicioso improviso típico do jazz, seja em solos de trompete ou de sax. Ainda por cima, não há como não ficar de boca aberta com a estrutura dos arranjos, os caminhos que os intrumentos tomam. É incrível. E isso é só o começo. 'Coisa Nº 5' é perturbador, aplicando pressão em nossa percepção musical, chegando com passos curtos e desafiadores que aos poucos vão cedendo para uma linha mais clássica, nos remetendo à ponte entre o clássico e o moderno, o erudito e o popular. Moacir nos entrega a chave da compreensão e nos brinda com qualidade indescritível. 'Coisa Nº 6' é urgente, se aproximando do Caribe e suas influências negras. Abraça Cuba em sua extensão, e abrilhanta ainda mais o seu trabalho com a mescla de ritmos.

O álbum Coisas é a tradução da música negra não só no Brasil, mas também na América, de cabo a rabo, da Argentina ao Canadá. É uma deliciosa viagem musical de um extremo ao outro, da alegria das massas num carnaval de rua brasileiro ao frenesi das apresentações de jazz no Carnegie Hall em Nova York. Moacir Santos é bossa, samba, jazz, ou como dizia Vinícius, "Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos".

Set List

1- Coisa No. 4
2- Coisa No. 10
3- Coisa No. 5
4- Coisa No. 3
5- Coisa No. 2
6- Coisa No. 9
7- Coisa No. 6
8- Coisa No. 7
9- Coisa No. 1
10- Coisa No. 8


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Oracular Spectacular - MGMT

Mais acostumada a parir corais gospel ou bandas de jazz, a cidade de Middletown, Connecticut surpreendeu o mundo musical em 2002 com sua mais nova cria: o MGMT (ou Management). Agregando elementos do synth-rock (rock à base de sintetizadores) e da psicodelia (não necessariamente dos anos 60), a banda ou melhor, a dupla americana conseguiu fisgar quem desejava ouvir um som parecido com o Suicide - banda dos anos 70 e 80, pioneiros no eletro-rock - mas que não abria mão de sentir um pouco de lisergia sonora, uma "bagunça organizada", uma loucura sob controle. Muitos têm ouvido apenas a primeira faixa do álbum Oracular Spectacular, lançado em 2008, até o clipe têm visto, mas é bom salientar que a dupla não é alicerçada em sons que confundem a mente, afinal, nem só de piração vive o MGMT.

Claro que a primeira faixa, 'Time to Pretend' é o grande destaque do álbum. A junção do antigo contribuindo para cantar a juventude atual, do começo eletrizante (no que toca à letra), principalmente quando diz:

This is our decision, to live fast and die young.
We've got the vision, now let's have some fun.
Yeah, it's overwhelming, but what else can we do.
Get jobs in offices, and wake up for the morning commute.


Mas a canção não é uma exaltação à juventude e sim um lamento, saudosismo em relação à infância perdida e um triste relato de como a vida se torna fria e falsa diante do crescimento do homem. Trabalho, divórcio com modelos (uma distorção proposital da realidade), vícios entre outros problemas que precisamos encarar. E além de uma letra que prende o ouvinte, a dupla dá um banho de eletro cativante, com uma atmosfera pesada, como se a cada 5 segundos uma força te empurrasse para baixo e logo em seguida te trouxesse para seu lugar, como se nada tivesse acontecido. É uma pérola de nossa atual cena musical. 'Weekend Wars' é um demonstração de que David Bowie faz parte da formação da musicalidade do álbum. Lembrando um pouco a levada de 'Starman' do disco The Raise and Fall of Ziggy Stardust..., a dupla empresta de Bowie a noção do pop setentista, as variações instrumentais, a crueza de batidas acústicas. Bem, é como se Bowie disesse para a dupla: "bons alunos, aprenderam direitinho". 'The Youth' é requintada em seu refrão, adocicado por vocal agudo e suave, produzindo mais cola, a que ajuda a grudar a música em sua cabeça. Você ouvirá uma vez durante a manhã e mesmo de noite, cantará "the youth is starting to change, are you starting to change? are you? together..." como se estivesse ouvindo a música pela primeira vez. Isso apenas comprova a sensibilidade pop da dupla, que usa ingredientes na medida certa para fazer um disco que em toda sua duração, não deixa a peteca cair. 'Eletric Feel' é uma incrível mudança no álbum, saindo do glam-pop de Bowie e correndo para a cena disco dos anos 70 e 80. Sinta o baixo, a levada cheia de groove e os vocais que combinam tanto. Se bobear, você vai verificar se não está ouvindo algum flashback no rádio.

Realmente muita banda têm feito um som com responsabilidade, sim, a responsabilidade de veicular algo de qualidade quando se tem a oportunidade (diferente de muita gente que tem público mas não tem a mínima habilidade ou noção musical). Claro que o MGMT não é um titã da cena musical, mas caminha a passos largos para alcançar a grandeza. E claro, não poderia esquecer: os caras vêm ao Brasil para o TIM Festival desse ano. Vai valer a pena.

*Sugestão de Julio

Set List

1- Time to Pretend
2- Weekend Wars
3- The Youth
4- Electric Feel
5- Kids
6- 4th Dimensional Transition
7- Pieces of What
8- Of Moons, Birds & Monsters
9- The Handshake
10- Future Reflections

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Today's Active Lyfestyles - Polvo

Essa banda americana formada em Chapel Hill, na Carolina do Norte (um dos grandes centros do indie rock dos anos 90) já está há um bom tempo na estrada, compartilhando qualidade e grandes histórias com outras bandas do math rock e do velho e genuino indie. O math rock do Polvo consiste em solidificar trechos com precisões algébricas e unificar toda essa racionalidade com a explosão à imprevisíveis rastros de acordes mais soltos e despretensiosos oriundos do indie dos anos 90.

Em 1990 a banda se formou sob a sombra do noise do Sonic Youth, grande influência do grupo, que se alimentava das dissonantes e ao mesmo tempo harmonicas canções da banda nova-iorquina. Cor-Crane Secret, seu primeiro álbum foi lançado em 1992 e não teve uma grande recepção pela crítica, embora tenha recebido resenhas favoráveis. A mesma crítica que decidiu esperar por outro álbum, afinal, a banda exibia potencial incrível e um faro para o experimentalismo tão emergente na época.

E foi em 1993 que a banda lançou seu grande êxito, a máxima expressão de sua arte: Today's Active Lyfestyles. A banda soube dosar bem o tempo das faixas, evitando que as experiências caíssem na cilada do cansaço da repetição. 'Thermal Treasure' abre o disco com a força suficiente para causar uma ótima impressão. Rápida evolução evidente, percepção musical invejável e consciência harmonica de jovens que sempre ouviram o rock progressivo, dos mais variados. E com toda essa bagagem, a mistura que já era bem aceita no meio do rock underground foi mais uma vez executada, agora por uns moleques que compunham o Polvo. Os vocais embora bem menos presentes, adornam com sujeira a sonoridade complexa do álbum. 'Tilebreaker' é a confusão transportada para ondas sonoras. Confusão num ótimo sentido, pois há uma linha estável dentro da faixa, mas há uma série de mirabolantes recursos, ruídos, distorções e cordas aparentando estourar, que a mente do ouvinte entra num frenesi extremamente arrepiante. 'Time Isn't in my Side' é a imagem, é a tradução do que podemos chamar de "tô pouco me fodendo, no final sempre sai bom". E no meio de flechadas de dissonância, não é que o som sai perfeito? E não precisa analisar profundamente os arranjos é só fechar os olhos e viajar nos ruídos de Atari, e nas cordas desobedientes e virtuosas.

Muitas bandas similares se desdobram para fazer algo mais complexo, com mais variações intrumentais, incrementos nos detalhes de produção e o cacete a quatro. O Polvo nos passa a sensação de que o som foi feito com os pés nas costas, de olhos fechados, embora o álbum conte com o dedo de Bob Weston, engenheiro de som e baixista do Shellac (leia o bate-papo que tive com o próprio Bob Weston), o que garante que a qualidade exista, mas que a naturalidade esteja acima de tudo.

Set List
1- Thermal Treasure
2- Lazy Comet
3- My Kimono
4- Sure Shot
5- Stinger (Five Wigs)
6- Tilebreaker
7- Shiska
8- Time Isn't in my Side
9- Action Vs. Vibe
10- Gemini Cusp


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Regretfully Yours - Superdrag

Confesso que fiquei impressionado com o alto número de downloads feitos do álbum Head Trip In Every Key do Superdrag. Se você perguntar para os fãs de rock no Brasil, inclusive do dito rock alternativo, se alguém conhece essa banda do Tennessee, você contatará que nem 1% das pessoas responderá que a conhece. A comunidade dela no Orkut tem poucas pessoas se compararmos com outras bandas do mesmo porte e origem. E mesmo assim, o disco que o Rock Town! Downloads disponibilizou foi um dos mais baixados por aqui. Minha surpresa não se originou da desconfiança em relação à qualidade e sim em relação ao conhecimento dos leitores sobre a banda. Muita gente me adicionou no messenger para saber mais sobre a banda, e até nos comentários do post o número foi relativamente bom.

pow, legal o som da banda =)
não conhecia
ótimo achado!
continue assim=D

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Po acabei de baixar esse album do superdrag. E kct! os caras mandam bem, poucas bandas me agradam pela primeira impressão.

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Bem legal a banda, não conhecia...powerpop que gruda na hora.

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Feroz essa banda Superdrag, nao conhecia! Excelente dica! Som calmo, bem trabalhado.
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A maioria dos comentários foi exatamente sobre a surpresa de conhecer uma banda tão boa e que estava escondida por aí.

Nesse post disponibilizo o que considero de longe o melhor trabalho da banda. Regretfully Yours foi lançado em 1996 e, bem diferente do disco que vocês baixaram por aqui, a banda apresenta sua faceta rasgada, gritada - explícita influência do Hüsker Dü. Quem gosta de uma inclinação ao punk, vai se deliciar com as ótimas faixas 'Cynicality' e 'Sucked Out' que foi o maior sucesso da banda até o momento, inclusive exibindo um clipe muito engraçado. O álbum também descansa numa levada mais calma, baseada especialmente na estrutura harmonica do Big Star, que na década de 70 resgatou o pop/rock de bailes dos anos 60. Esses traços podem ser notados em 'What If You Don't Fly', traços que são o grande forte da banda. Mas a grande atração dessa obra é sem dúvida as faixas que se complementam 'Phaser' e 'Slot Machine'. A primeira se inicia de forma intensa com uma distorção aguda e se desmancha numa inundação de acordes rápidos e um baixo extremamente preciso em toda a extensão da faixa. A segunda faixa já exibe a perícia apurada de John Davis ao compôr um início que poderia ser tanto uma continuação como um simples começo de faixa. Uma dica: se você discotecar essas faixas, mescle as faixas num editor de som, afinal, com uma junção tão perfeita, não faria sentido tocar uma ou outra apenas. 'Destination Ursa Major' é um indie rock intocável, agradando gregos e troianos.

A banda alcançou seu auge através desse álbum que com certeza é um dos melhores do alternativo dos anos 90. Se você gostou do disco que baixou por aqui, vai gostar tanto desse álbum, que com certeza colocará de uma vez por todas o Superdrag como uma das bandas do seu coração.

Set List

1- Slot Machine
2- Phaser
3- Carried
4- Sucked Out
5- Cynicality
6- Destination Ursa Major
7- Whitey's Theme
8- Truest Love
9- What If You Don't Fly
10- Garmonbozia
11- N.A. Kicker
12- Nothing Good Is Real
13- Rocket


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Hits are for Squares - Sonic Youth

A primeira grande compilação do melhor que a banda de New York produziu nesses vinte anos de carreira. Embora 'hits' sejam para quadrados - como diz o título da compilação - o Sonic Youth é uma verdadeira máquina de sucessos no meio alternativo. Quem nunca dançou com '100%' ou se entregou às batidas de 'Bull in the Heather'? E quem nunca fechou os olhos ao ouvir o início de 'Teenage Riot'? Quem está no meio alternativo sabe que a banda é quase unanimidade, seja na qualidade ou seja no reconhecimento de sua influência. Eu costumava ouvir de um amigo meu headbanger que o Sonic Youth não passava de ruído. Aliás, quem não conhece bem a banda, já sabe onde atacar: a musicalidade, a harmonia (que no caso é distorcida pelas guitarras). E os pretextos banhados em clichê sempre pulam pra essa direção. Ouvir isso de um ignorante no assunto é admissível. Mas ao ouvir isso de alguém que conhece um mínimo da obra deles é estupidez ao extremo. O Sonic Youth trabalha bem em riffs, como também sabe se desmanchar em harmonia (diga-se de passagem, lindas harmonias). O diferencial do grupo é uma mistura de influências bem executadas, é a invenção de uma concepção dentro do rock. Quem sabe inventar distorções e reproduzí-las quando quiser em shows e gravações? É um serviço complicado lidar com o descontrole das cordas, e a integração desse descontrole nos controlados arranjos que acompanham todo o som. E cá entre nós: quem tem Thurston Moore na linha de frente, não precisa de mais nada.

O Hits are for Squares foi lançado esse ano e é uma seleção bem intencionada ainda mais quando consideramos o critério de escolha das faixas do álbum: amigos da banda como Radiohead, Eddie Vedder, Flea, Beck, Flaming Lips entre outros, fizeram suas escolhas pessoais e tiveram sua opinião levada a sério quando o Sonic Youth levou os pitacos como referência de escolha para a compilação. E claro, não há como esquecer o fato da banda ter lançado uma nova canção, 'Slow Revolution' que desce suave com acordes macios de guitarra e um vocal distante. A faixa se prolonga no estilo complexo da banda, formando mais uma ótima representante da obra do grupo.

Os fãs da banda, ao gravarem um CD, sempre tinham que fazer uma seleção particular, com as preferidas. Isso é muito bom. Agora o Sonic Youth quebra o galho dos fãs e lança uma seleção, que embora não seja unanimidade, é sincera o suficiente pra prender a atenção dos apreciadores de um bom e velho noise-rock. Só acho que faltou Sunday e Junkie's Promise, mas tudo bem, eles têm crédito de sobra.

Set List

1- Bull In The Heather (selecionado por Catherine Keener)
2- 100% (selecionado por Mike D)
3-Sugar kane (selecionado por Beck)
4- Kool Thing (selecionado por Radiohead)
5- Disappearer (selecionado por Portia de Rossi)
6- Superstar (selecionado por Diablo Cody)
7- Stones (selecionado por Allison Anders)
8- Tuff Gnarl (selecionado por Dave Eggers & Mike Watt)
9- Teenage Riot (selecionado por Eddie Vedder)
10- Shadow of a Doubt (selecionado por Michelle Williams)
11- Rain on Tin (selecionado por Flea)
12- Tom Violence (selecionado por Gus Van Sant)
13- Mary-Christ (selecionado por David Cross)
14- World Looks Red (selecionado por Chloe Sevigny)
15- Expressway To Yr Skull (selecionado por The Flaming Lips)
16- Slow Revolution (Nova Gravação Exclusiva do Sonic Youth)


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Consolers of the Lonely - The Raconteurs

Os Raconteurs são considerados, pela grande maioria, o projeto paralelo de Jack White ante ao White Stripes. E embora a primeira banda de White tenha bem mais conhecimento por parte do público, devido a grandes hits, à emblemática formação e também pelo apelo visual, o 'trabalho paralelo' começa a se interpor à realidade do vocalista e compositor americano. Enquanto os White Stripes se utilizam de um som cru e rasgado, privado de baixo e abundante em pancadas de bateria com riffs de guitarra bem definidos, os Raconteurs prezam mais pela tradição do blues, do ato de contar histórias ('raconteurs' em francês significa 'narradores'), mas não fogem da raia quando o assunto é contruir verdadeiras epopéias do rock. Não se trata apenas de possuir ótimas letras, mas também possuem no aspecto musical a tríade essencial para existência (em evidência: corpo (coesão nos arranjos), alma (sentido integração arranjo-letra) e espírito (vivacidade típica do rock). E é na alma do som que a banda acerta em cheio.

Em Consolers of the Lonely, lançado em 2008, eles aliam perfeitas composições musicais com letras inteligentes. A explosão de guitarras vindas dos distantes porém palpáveis anos 70, é bem evidente na primeira faixa 'Consolers of the Lonely'. As vozes de Jack White e Brendan Benson se completam na densidade da canção. A terceira faixa, 'You Don't Understand Me', faz o grupo passar por uma doce melodia - a mais bela do álbum - baseada num piano melancólico e respeitáveis harmonias vocais. A construção da harmonia é perfeita, usando da perícia quase mágica de Benson - o outro gênio da banda - nas teclas de piano. O refrão é fácil, cai nas graças dos fãs por sua estética apoteótica. Se você ainda não entendeu o que significa uma música possuir alma, ouça essa faixa. 'The Switch And The Spur' é uma mescla inteligente de ska com elementos mexicanos (os trompetes Mariachis), que é iniciada com uma harmonia singela, propícia para uma ponte bem feita na transição de estilos. Música bem pensada, com evidente trabalho minúcioso em cada nota. É o resumo da genialidade que permeia o álbum inteiro.

O disco é uma clara demonstração de que Jack White não visualiza os Raconteurs como um projeto paralelo. Ainda mais quando está reunido com alguns dos mais proeminentes músicos do rock atual. Uma ótima reunião de letras e músicas à moda antiga. Consolers of the Lonely é outro forte candidato para melhor álbum do ano.

Set List

1- Consoler of the Lonely
2- Salute Your Solution
3- You Don't Understand Me
4- Old Enough
5- The Switch and the Spur
6- Hold Up
7- Top Yourself
8- Many Shades of Black
9- Five on the Five
10- Attention
11- Pull This Blanket Off
12- Rich Kid Blues
13- These Stones Will Shout
14- Carolina Drama

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Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalaust - Sigur Rós

Se vocês estavam procurando o novo álbum do Sigur Rós, declarem a caminhada encerrada. Enquanto recolo os outros álbuns em um outro site de hospedagem (o 4shared apagou todos os álbuns lá hospedados), disponibilizo essa novidade pra movimentar o clima do RockTown! Downloads, enquanto refaço o trabalho de uploads.

Divirtam-se com esse disco que só aparecerá nas lojas no dia 26.

Muitos fãs da banda já baixaram este álbum de nome complicado. Tem gente que desmaiou, gente que chorou, gente que pulou de alegria. E pra ser sincero, todos ele têm razão nesse aflorar de emoções: esse novo álbum é um tiro no coração. Experimentem a intensa e sublime 'Við spilum endalaust' ou o triunfo da boa música em nossa década tão bem executado em 'Inní mér syngur vitleysingur'. Sabe aquelas listas de melhores álbuns do ano? Se não vir o nome Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalaust na relação, rasgue a revista.

*Sugestão de Mih Nakano

Set List

1- Gobbledigook
2- Inní mér syngur vitleysingur
3- Gódan daginn
4- Vid spilum endalaust
5- Festival
6- Med sud í eyrum
7- Ára bátur
8- Íllgresi
9- Fljótavík
10- Straumnes
11- All Alright


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Paciência com o 4Shared!

Meus queridos leitores e "baixadores" de álbuns, tenho uma notícia chocante.

O maldito 4Shared, site que HOSPEDAVA grande parte dos álbuns do RockTown!Downloads simplesmente CANCELOU minha conta.

Ok, temos materiais que abusam dos direitos autorais e o caralho a quatro, mas pelos deuses... tinham que apagar a conta? Bem, não dá pra chorar o leite derramado.

O QUE ISSO QUER DIZER?

Não só eu, mas vocês devem ter paciência na reestruturação do blog (recolocação dos álbuns em outro site de hospedagem).

Pretendo em pouco mais de uma semana estabilizar a situação e voltar ao normal com os downloads.

Conto com a paciência de vocês! Abraços!

Felipe Pipoko


p.s.: muitos álbuns hospedados no Rapidshare continuam disponíveis.

Hissing Fauna, Are You The Destroyer? - Of Montreal

Não, eles não são de Montreal, no Canadá. Na verdade esse nome foi dado pelo vocalista e guitarrista Kevin Barnes após um namoro terminado com uma garota de Montreal. Na verdade a banda foi formada em Athens, Geórgia - mesma cidade do R.E.M.. Mas exceto por alguns mínimos elementos dentro da concepção pop, o Of Montreal raramente é associado à banda de Michael Stipe. É mais lembrado por ter emergido através da Elephant 6, uma gravadora que lançou grandes nomes como Neutral Milk Hotel e Apples in Stereo. É claro que essas duas bandas tiveram uma exposição mais prematura, tanto que o Of Montreal só foi despontar de verdade (recebendo destaque da mídia - seja ela qual for) depois da segunda metade da presente década, embora tenha lançado ótimos trabalhos antes, sendo o seu primeiro lá em 1997. E como poderia ser descrito o som da banda? Fugindo de rótulos que muitas vezes confundem o leitor, o som da banda é uma mescla "alegre" do pop dos anos 70, remetendo nossa memória em muitas canções ao ABBA e aquela vocação para a dança. Mas nem só de pista o Of Montreal vive. Exibe belíssimas harmonias não só instrumentais como vocais também. E você nem precisa levantar pra dançar. É tanto cuidado na construção harmônica, que não é de se impressionar que você esteja sentado e atônito tentando pensar no modo como eles produziram aquilo.

O álbum Hissing Fauna, Are You The Destroyer? foi lançado em 2007 e pode ser incluído no topo dos melhores trabalhos da banda, sem dúvida alguma. Ele mantém a característica da banda, mas há uma sensação inevitável de que alcançaram uma maturidade musical muito difícil de encontrar por aí. Construir harmonia não necessita apenas de estudo, mas em sua maior parte demanda talento. E Barnes demonstra talento e conhecimento ao exibir canções tão belas. 'Suffer for Fashion' abre o álbum e já consegue o que somente músicas que originam de criatividade conseguem: marcar o ouvinte. Não é igual o Créu, ou o Tchan que utilizam de artifícios covardes como ritmo + repetição. Não é disso que estou falando. Criar um arranjo complexo que seja estritamente fácil de guardar é um grande trunfo. A primeira faixa é um grande exemplo disso: guitarra deslizando solta pela extensão da música, variando com destreza entre a aparente estabilidade dos versos até que se embaralha em acordes mais pesados no refrão, que é propício para cantarolar sem hesitar. 'Heimdalsgate Like a Promethean Curse' é uma viagem em notas de teclado e levadas eletrônicas. Harmonia singela e de fácil aceitação. Mas a verdadeira jóia dentro deste álbum é 'Gronlandic Edit' que com ritmo um tanto sensual, serpenteia com um baixo profundo que se entrelaça ao compasso contínuo da bateria e a incrível flexibilidade vocal de Barnes, que faz parecer fácil tanta alucinação nas interposições vocais que a faixa exibe.

O álbum tem diversas a serem lançadas na mesa. Mas os ás principal com certeza é a integração de harmonia nos vocais e no instrumental que abarrota a atmosfera sonora do lugar onde esse trabalho esteja sendo executado. Um riqueza sonora fora do sério e que vale cada minuto de atenção.

Sugestão de Thiago e Markim

Set List

1- Suffer for Fashion
2- Sink the Seine
3- Cato as a Pun
4- Heimdalsgate Like a Promethean Curse
5- Gronlandic Edit
6- A Sentence of Sorts in Kongsvinger
7- The Past Is a Grotesque Animal
8- Bunny Ain't No Kind of Rider
9- Faberge Falls for Shuggie
10- Labyrinthian Pomp
11- She's a Rejecter
12- We Were Born the Mutants Again with Leafling


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Albúns que Você Precisa Ouvir (Nessa Semana)


É, o tempo não anda contribuindo com o andamento do RockTown! Downloads. Mas nada impede que eu coloque uns eventuais álbuns aqui, só pra tirar o pó dessas linhas.

Esse post traz quatro discos diversificados, alternando os estilos, mas que você deve conferir um por um. Digamos que deve ser algo como "álbuns que você deve ouvir até o fim dessa semana". Recomendo sem hesitar.

Vantage Point - dEUS: Lançado este ano, o novo álbum dessa banda belga é coisa fina. Fruto da genialidade de uma seleção de músicos proeminentes, o som mantém muito da sonoridade típica da banda, que é recheada de batidas definidas e entrelaçadas com ataques rápidos de guitarra num estilo cheio de swing. As faixas assumem uma aparência experimentalista, com um rock pesado associado a muitos elementos eletrônicos. Mas não vá se enganar: é puro rock, bem tocado, bem elaborado e complexo o suficiente pra te deixar atônito. Experimente a suave e dinâmica 'When She Comes Down' ou acrescente um peso à sua adição com 'Oh Your God'. Outra boa pedida é a 'The Architect' com sua cara explícita de anos 80, aliás, que versão dos anos 80!

Set List

1- When She Comes Down
2- Oh Your God
3- Eternal Woman
4- Favourite Game
5- Slow
6- Architect
7- Is a Robot
8- Smokers Reflect
9- Vanishing Of Maria Schneider
10- Popular Culture


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Engine Takes To The Water - June of 44 : Antes de mais nada, é uma banda formada em 1994 na grande cidade de Nova York. Definir o som dos caras é algo meio difícil, digamos que se trata de um experimentalismo nos moldes do Shellac, com acordes de guitarra em ritmo pausado, versos em sua maioria falados, batidas abafadas e abusadas e o baixo bem fundamentado. Se você prestar atenção, vai identificar muitas influências vindas do jazz, principalmente no compasso da bateria e na estrutura da harmonia que escancara uma aparência de improviso. Não, não é um conjunto de sons desorganizados. Tem muita coesão, afirmada na firmeza de cada nota tocada. Ouça com atenção 'Have a Safe Trip, Dear', que abusa das variações de intensidade. E vá sem medo para a clássica 'June Miller'.

Set List

1- Have a Safe Trip, Dear
2- June Miller
3- Pale Horse Sailor
4- Mindel
5- I Get My Kicks for You
6- Mooch
7- Take It With a Grain of Salt
8- Sink Is Busted


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Vietnam - Vietnam: Outra banda de Nova York, é uma surpresa excepcional da nova leva de bandas que surge por todos os cantos. Ouvi uma música desse álbum no ano de seu lançamento, em 2007, na rádio KEXP de Seattle. Fiquei atento e corri atrás do som, sem êxito algum. Tenho o costume de anotar num arquivo do Bloco de Notas todas as bandas que descubro, pra escutar depois, com mais atenção. Confesso que até esqueci deles e só fui ver essa anotação um ano depois, quando em uma nova busca, consegui achar o álbum para o download. A canção que havia ouvido é 'Mr. Goldfinger', uma ode ao anti-materialismo, de música intensa, embelezada por toques de piano e uma guitarra teimosa, envolvente e ríspida. Comecei a identificar influências jorrando como uma fonte graciosa, da fatia mais blues dos Rolling Stones até a amargura muitas vezes encontrada na poesia de Bob Dylan, que não só na poesia é presente, mas também na construção das canções, que conta com um ar folk bem requintado. De repente você observa e ouve aquelas viagens espaciais do Pink Floyd seguidas de notas de um rock despretencioso, enxarcado com whisky, como você pode ouvir na faixa 'Priest, Poet & the Pig'. A faixa que abre o álbum, 'Step on Inside' tem um canto soturno de início, sob notas graves de piano até que fios de blues se entrelaçam ao pop dos anos 60, muito bem aproveitado aqui. Sobre a última faixa, cabe uma nota: não toca merda nenhuma, não estranhe.

Set List

1- Step on Inside
2- Priest, Poet & the Pig
3- Apocalypse
4- Mr. Goldfinger
5- Toby
6- Gabe
7- Welcome to My Room
8- Hotel Riverview
9- Summer in the City
10- Too Tired
11- Piano Song (Hidden Track)


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Nuit Blanche - Vive la Fête: Se você tem a mente aberta para tendências experimentais, ainda mais quando essas experiências envolvem conhecimento profundo do rock e influências dos sintetizadores enlouquecidos dos anos 80, esse disco tem sua cara. Essa dupla belga (Danny Mommens integrava a banda dEUS disponível acima) formada em 1997, mistura da melhor forma possível, batidas de sincronia perfeita, harmonias que encaixam perfeitamente com essa mescla, apresentando o dinamismo do eletro e a atitude do rock que nesse álbum parece que nasceu para ser tocado assim. E claro, a voz deliciosa de Els Pynoo aliada ao idioma francês dá calafrios ao ouvinte (e dependendo do caso, à ouvinte também). A faixa de abertura 'Nuit Blanche' é sombria e principalmente sensual, no sotaque carregado de Pynoo. 'Touche Pas' é a mescla da qual eu estava falando, tocando bem alto, efeitos dos mais magnéticos misturados com a guitarra rasgando ao fundo. 'Malad d'Un Fou' merece destaque pela repaginação feita pela dupla de todo o euro-dance do fim dos anos 80 e início dos anos 90. É pra sentir satisfação do início ao fim, em todas as necessidades, sejam elas musicais ou sexuais.

Set List

1- Nuit Blanche
2- Touche Pas
3- Jaloux
4- Joyeux
5- Mon Dieu
6- Malad d'Un Fou
7- Assez
8- Noir Desir
9- KL
10- Mr. le President
11- Maquillage
12- Adieu

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Do You Like Rock Music? - British Sea Power

O British Sea Power galga degraus rapidamente numa curta trajetória. Essa banda inglesa formada na cidade de Cumbria em 2000 apareceu na cena musical em 2003 com o aclamado álbum The Decline of British Sea Power, marcando o início de uma caminhada de aprendizado e clara evolução musical. Em 2005 lançaram o novamente elogiado Open Season, que despontou com algumas canções pela Europa, dando uma certa notoriedade aos ingleses. Qualquer pessoa que dizia entender de rock, havia ouvido pelo menos um som da banda. As influências do grupo passeam pelo pós-punk do Joy Divison (pra variar), serpenteiam pelo rock mais garagem dos Stooges e saltita pelo solo macio do britpop. Se você unir em sua cabeça tudo que citei, com certeza deve imaginar uma sonoridade sujeita a elasticidade de intensidades: acertou. Agora some a tudo isso a sensibilidade de letras que abordam diversos temas (em muitos casos, tragédias) e uma facilidade em criar uma atmosfera sombria. Pronto, este é o British Sea Power.

Agora em 2008, os ingleses lançaram seu terceiro disco, o Do You Like Rock Music? que apresenta um ambiente musical bem parecido com o Neon Bible do Arcade Fire. Semelhanças existem, mas não podemos cometer o erro de afirmar que é uma cópia perfeita da banda canadense, afinal, se olharmos para o histórico do British Sea Power, notaremos que até chegar no estado atual, eles se aventuraram em diversos caminhos, dos mais movimentados e intensos até os mais sombrios e pavorosos (no sentido da sensação e não da qualidade). 'All In It' abre o álbum com sons de orgãos ao fundo, uma percussão pesada e de compasso bem marcado. Um coral, que parece de centenas de vozes nasce para auxiliar a voz grave de Yan Wilkinson. A faixa se arrasta com pequenas alterações por um pouco mais de dois minutos. 'Lights Out For Darker Skies' segue com a textura sonora que a banda utilizou no disco anterior. Uma versão mais acessível da banda, uma espécie de aperitivo que antecede os sinais de evolução da banda. Até aqui, quem é familiarizado com os trabalhos anteriores da banda vai pensar que tudo continua o mesmo. Mas logo em seguida, 'No Lucifer' surpreende com inicio calcado numa sinistra calmaria, figurada por um violino que puxa como que um pavil, toda a paz proposta. Aos poucos este pavil é aceso e a chama formada acaba em um barril de pólvora, que não se limita a inicializar a mudança na faixa, e sim em todo o álbum. É aqui que as coisas ficam realmente interessantes. O senso harmônico apresentado nessa faixa é de deixar a boca aberta. Só acho que eles deviam dar um jeito de prolongar essa canção. 'Waving Flags', o primeiro single do álbum, mantém o clima iniciado e tem refrão contagiante, fácil de cantar, o que faz o ouvinte atentar para essa faixa. Os arranjos alcançam o êxtase extremo e de repente adormecem numa ponte marvilhosa:

Here is my pride
here is my life
It just tastes good
Especially tonight

A ponte leva o consciente do ouvinte para uma espécie de complemento, um salto para um grand finale. É de arrepiar. 'A Trip Out' já mexe com guitarras, numa aparência mais lo-fi, onde a brinca de power-pop, lembrando a banda Big Star, dos anos 70, que inspirou muita gente, de Guided by Voices atéo R.E.M.. A guitarra é mais agressiva e a linha de baixo é sinuosa, sob uma parede sonora que intensifica a união dos instrumentos. E não há como deixar de destacar a enigmática 'No Need To Cry' que prepara de forma precisa e soturna o ouvinte para o fim do álbum. 'We Close Our Eyes' termina como começou, com aquele mesmo coral de centenas de vozes. Porém o diferencial dessa faixa é o conjunto de sons, ruídos, compondo algo como uma cena de guerra, ou melhor, cena de fim de guerra. Como diz o título da faixa, recomendo você fechar os olhos e vislumbrar a cena de devastação. É incrível. A interposição de vozes e ruídos é deliciosa e fecha de forma gloriosa o disco.

É um clássico instantâneo de nossa década que está por acabar. Sem dúvidas o British Sea Power criou um trabalho coeso, sério e perpétuo. Se muita gente das gerações anteriores mantém o rock vivo, gente da geração atual - através de uma utilização perfeita de influências - também faz esse árduo serviço com louvor.

Set List

1- All in It
2- Lights Out for Darker Skies
3- No Lucifer
4- Waving Flags
5- Canvey Island
6- Down on the Ground
7- A Trip Out
8- The Great Skua
9- Atom
10- No Need to Cry
11- Open the Door
12- We Close Our Eyes


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Real Emotional Trash - Stephen Malkmus

É claro que qualquer fã do Pavement que se preze sente falta da banda, de novos lançamentos, dos shows, enfim, de tudo que esteja associado ao Pavement e à palavra 'novidade'. Mas quando o ex-líder da banda, Stephen Malkmus, continua cantando e encantando em sua carreira solo, não há como se deliciar com as 'novidades' que ele lança. A última dele é sem dúvida o melhor álbum de sua carreira. O Real Emotional Trash é ensandecido, é calmo, lisérgico com uma epopéia de guitarras vindas de uma banda de apoio espetacular (The Jicks). Este disco é um abrasivo para a dura camada de carência que o fim do Pavement deixou em seus fãs. Não há como negar o êxito dos discos anteriores do cantor, mas ele conseguiu pela segunda vez se responsabilizar pelo nascimento de um clássico do rock alternativo, já que ele cantarolava impecavelmente pelas faixas do Slanted and Enchanted.

O disco lançado em 2007 começa com acordes pomposos, lotados de estética sessentista, flertando bem com o ácido que ludibriava e guiava aquela geração. Sim, 'Dragonfly Pie' tem um título alucinado e uma variação harmônica fora do sério. Malkmus está à vontade para manipular as notas, subir e descer em intensidade. A flexibilidade é assunto ativo e presente em todo esse disco. Em 'Hopscotch Wille', o que parecia marasmo estampado se transforma em uma perseguição, onde as cordas da guitarra são implacáveis na marcação da voz de Malkmus. Cada fim de estrofe é um desaguar de arranjos explosivos que arrasam tudo pela frente. E quando tudo está devastado, há uma restauração do ambiente, com a exibição de um solo virtuoso, sustendado por um baixo tão rude que todo o solo, escandaloso, toma ares sombrios graças ao desempenho do instrumento de apoio supracitado. Mas não há dúvida: se você observa e viaja em acordes de guitarra, essa é sua faixa. 'Real Emotional Trash' é meloso, é um pop perfeito, é um rock distorcido, são notas dissonantes e embriagantes, é psicodelia obscura, é o sucesso transmutado para ondas sonoras, é experimentalismo despretensioso. É autoridade em matéria de rock. São dez minutos tão rápidos, que você tem a sensação de que nesse disco, cada minuto tem apenas dez segundos. 'Baltimore' me fez balançar a cabeça negativamente por vários minutos. Fiquei pensando: "filho da puta, como você consegue fazer isso? só pode ter usado droga". E sinceramente, pra exibir esses contornos distorcidos e ao mesmo tempo alinhados, tem que estar sob muitas substâncias químicas. Bem, era isso que eu pensava até ouvir essa faixa. Me dêem licensa, mas preciso dizer um VAI TOMAR NO CU!
Real Emotional Trash é um deleite para quem aprecia o rock sem rótulos. Para quem quer ouvir um homem desarmado do medo, do receio e de preconceitos. E ainda dizem que o rock está morrendo. Enquanto gente como Malkmus - que integra as memórias dos loucos anos 90 - existirem, o rock estará a salvo. Sim, sem necessidade de sair por aí elegendo hypes e punhetando em cima de pseudo-salvadores. Esse disco é uma aula de rock para a nova geração.

*Sugestão de Angela

Set List

1- Dragonfly Pie
2- Hopscotch Willie
3- Cold Son
4- Real Emotional Trash
5- Out of Reaches
6- Baltimore
7- Gardenia
8- Elmo Delmo
9- We Can't Help You
10- Wicked Wanda

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Vampire Weekend - Vampire Weekend

O post 200 apresenta uma banda que tem um potencial de crescimento muito grande. Bem naquelas: "você ainda vai ouvir falar muito sobre eles".

O que você diria da curiosa mistura do rock com ritmos africanos? Estranho, né? E é isso que você encontra ao ouvir o Vampire Weekend, uma banda de Nova York, formada em 2006. Não vou me arriscar a emitir um rótulo para o som do grupo, mas não posso me limitar na exposição dos pontos positivos (e acredite, o som é tão sincero que não há como numerar pontos negativos). A percussão toma em suas mãos o controle, a identidade sonora da banda e amarra sua características junta à memória do ouvinte, que se nega a esquecer qualquer uma das músicas.

A audição do álbum que leva o nome da banda, lançado no começo desse ano, é tão prazerosa, que você se impressionará ao notar que já sabe qual é a sequência das faixas. Mas é claro que o álbum não fica apenas na percussão, por Cristo, não pense que se tratam de batidas repetitivas e tribais. O mais intrigante no som deles é o papel que o baixo faz junto ao compasso de batidas, sejam elas convencionais ou 'exóticas'. Cada acorde desse instrumento essencial é um aperto, uma pressão no senso musical do ouvinte. Mas não há como ficar muito tempo preso a um detalhe: Os arranjos brincam numa ciranda harmoniosa, girando em variações precisas, em pequenas tiradas, como vozes de multidão, raios cortantes de sons de violino e claro, toda a atmosfera de savana que é perfeitamente transportada aos fones e caixas de som ocidentais através da faixa 'Cape Cod Kwassa Kwassa'. Se você lembrar de cenas do Rei Leão, pode rir. 'A-Punk' é uma aventura através de uma versão pop africana, com guitarrinha maleável e canção irrepreensível. 'M79' é iniciada numa textura clássica, renascentista aquela coisa européia do século 16, mas não se engane: a estética dá um salto das terras européias e cai em quentes areias de Kingston, na Jamaica, simulando um rápido dub malicioso e flexível, se esticando até aqueles ritmos caribenhos. 'Mansard Roof' é mais conhecido pelos seus ouvidos, mas é tão complexas em minúcias encantadoras, que ampliam a já rica liga de atrações do arranjo. E ainda há espaço para influências dos anos 80 e a new wave dos Talking Heads, na faixa 'One (Blake's Got A New Face)'. Toques de sintetizador são caprichosamente distribuídos ao longo da música. Muito bom.

O som do Vampire Weekend é uma viagem exótica que passa por lugares misteriosos e e vai até regiões já conhecidas, mas a incrível impressão é de tudo está ligado, de que tudo acaba sendo a música típica do planeta. Não é bem aquilo que chamam de world music, não tem nada a ver. Mas a união de ritmos faz da música da banda algo universal. Daqui a pouco eles incluem um samba.

Set List
1- Mansard Roof
2- Oxford Comma
3- A-Punk
4- Cape Cod Kwassa Kwassa
5- M79
6- Campus
7- Bryn Koenig, Vampire Weekend 2:13
8- One (Blake's Got a New Face)
9- I Stand Corrected
10- Walcott
11- The Kids Don't Stand a Chance

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Third - Portishead

O trio formado em Bristol, Inglaterra, no ano de 1991, finalmente reaparece no cenário músical com novo disco. A questão é: será que ainda há espaço para o trip-hop característico da banda? Muita gente vem falando sobre esse assunto, se foi sensato esperar onze anos para lançar um novo álbum, ainda mais num nicho de mercado tão limitado, e não seria exagero dizer, tão esquecido. Na metade dos anos 90, havia um boom de bandas, duplas, e artistas solo fazendo álbuns sob essa versão mais consistente da música eletrônica. Em 1998 a dupla francesa Air lançou seu disco mais celebrado, o Moon Safari. Um ano antes, o Portishead lançou um disco homônimo onde figuravam pérolas do estilo, como 'All Mine' e 'Humming'.

E em 2008, aquela onda já passou, as tendências são outras, mas o trip-hop aliado a um tipo de pop/rock alternativo deixou marcas na música conteporânea. E é sob essa marca que o Portishead lança o Third, nome mais óbvio para o seu terceiro álbum (de estúdio). Não houve muita mudança, mesmo considerando o hiato que separa o último disco de 1997 e o atual lançamento. A impressão que o disco dá é que o trio foi congelado em algum lugar sem a possibilidade de absorção de novas influências, até porque de 1997 a 2008 não houve nada realmente inovador, só mistura de influências. Claro que alguns elementos novos aparecem, por exemplo nas guitarras e toques de sintetizador que assemelham muito o som da banda ao do Silver Apples. Melhor exemplo dessa comparação você encontra na faixa 'We Carry On', que por sua atmosfera caótica, dissonante, garante o melhor momento do fã com o álbum. A faixa de abertura 'Silence' é a melhor performance vocal de Beth Gibbons no disco (sem contar o trecho em português que a faixa apresenta em sua abertura). Ela mantém a agonia em sua voz, sentimentos sufocados, tão destacados naquela música 'Glory Box' do primeiro disco, lembram? 'Hunter' é um caledoscópio de notas, e traduz a insegurança da letra não só na voz trêmula de Gibbons mas também em cada acorde:

I stand on the edge of a broken sky
And I'm looking down, don't know why

And if I should fall, would you hold me?
Would you pass me by?
Ooh, you know I'd ask you for nothing
Just to wait for a while


'Machine Gun' explode em batidas/tiros num ar de resgate dos anos eletrônicos da década de 80. A sequência de batidas está devidamente encaixada e executada e embora não te transporte a um tiroteio, não deixa de passar a angústia de uma composição sombria, quase bélica (hahaha).

O novo álbum do Portishead pode não escancarar novas influências, mas com certeza mantém a tristeza, o frio do congelamento do trio durante esses onze anos. E pra ser sincero, melhor assim.

Set List

1- Silence
2- Hunter
3- Nylon Smile
4- The Rip
5- Plastic
6- We Carry on
7- Deep Water
8- Machine Gun
9- Small
10- Magic Doors
11- Threads


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Delaware - Drop Nineteens

O Drop Nineteens é uma banda formada em 1991 em Boston, Massachusetts e é um dos grandes representantes do movimento shoegaze (onde bandas tocam olhando para os sapatos ignorando o espaço que o cerca, inclusive o público) nos EUA. Claro que o shoegaze não se limita apenas ao comportamento atípico de quem integra o movimento, mas apresenta uma sonoridade tão deformada, tão rastejante, que não há como estranhar um vocalista que cante cabisbaixo, como um semi-morto deprimido. O Drop Nineteens utiliza bem as ondas sonoras de guitarra, onde as vozes desaparecem, criando uma atmosfera tão rica em sonoridade que não há como você distinguir os instrumentos tocados. Uma flecha de distorção é lançada contra nossa percepção e quando notamos, estamos de cabeça inclinada, não olhando para os sapatos como os shoegazers fazem, mas tentando entender tamanha dimensão da diversidade sonora.

O primeiro álbum da banda é o Delaware, lançado em 1992. As faixas alternam entre uma aparência mais aceitável, digamos mais reconhecível, como são os casos de 'Baby Wonder's Gone' e 'My Aquarium' e aquela textura ríspida arrastada em distorções variáveis, bruscas alternações de canais, gritarias e um ar de experimentalismo, como é o caso 'Reberrymemberer', que extrapola o discernimento dos ouvidos, o que faz dessa faixa não só uma música, como também um desafio complexo.

O disco é uma grata mistura de estilos, do tão citado shoegaze (mais concentrado na Europa) até o indie rock do fim dos anos 80, que permeava a cena musical dos EUA. Uma junção perfeita de Pavement, Hüsker Dü e My Bloody Valentine.

Set List

1- Delaware
2- Ease It Halen
3- Winona
4- Kick the Tragedy
5- Baby Wonder's Gone
6- Happen
7- Reberrymemberer
8- Angel
9- My Aquarium
10- (Plus Fish Dream)


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Bookend - Simon and Garfunkel

Entre os jovens antenados nas novidades da cena musical, muito se fala em Bob Dylan, ainda mais quando testemunhamos um dos melhores filmes biográficos já feitos, o I'm Not There, que com certeza aumentou ainda mais o interesse da juventude pela extensa obra do cantor americano. Muito se fala em Van Morrison, em Tim Buckey, em Nick Drake. Todos são gigantes da música, com certeza merecem seus respectivos lugares no consciente popular. Mas por que é tão difícil Simon e Garfunkel serem reconhecidos? Com certeza eles foram a dupla folk de maior sucesso nos anos 60, lançando hits aclamados, embalando romances e desabafos agoniados dos jovens daquela geração. Os hits não eram apenas dotados de uma compreensão pop aguçada, mas tinha um revestimento magnífico de letras bem escritas, ajustadas à realidade de uma época tão confusa, com uma poesia requintada de um dos maiores compositores de nossa era: Paul Simon. Ali havia um refúgio, ali a música assumia sua propriedade mais nobre: ser um abrigo para a mente, conturbada ou não. Os dois formaram seu repertório em Nova York, a partir de 1964 e embora não tivessem encontrado o sucesso rápido e repentino, experimentaram o reconhecimento merecido com a música 'Sounds of Silence' que provavelmente ao ouví-la, você reconhecerá. Influenciados pelo rockabilly misturado com folk-country dos Everly Brothers, a sensação campestre dos Byrds e a complexidade em escrever letras de Bob Dylan, os dois mostravam uma carreira prolífera, lançando discos de extrema qualidade e aceitação.

Bookends lançado em 1968, foi o grande marco da carreira da dupla. Eles havia semeado os Estados Unidos com canções impressionantes, mas como sempre aconteceu, o público e a crítica aguardavam um próximo trabalho, para constatar não ser sorte de principiantes. E não foi. Era talento em abundância, praticamente na voz e violão, mas com uma ótima produção, uma ótima exploração de ruídos, de elementos externos que faziam uma ornamentação precisa e oportuna. A harmonia presente em cada faixa sugeria uma consonância perfeita, o equilíbrio entre os diversos momentos de um ser humano. Haviam toques tímidos aqui e acolá de psicodelia, mas o som essencialmente é sereno e muito ambicioso. E se todos aguardavam um hit, vieram três consideráveis: 'America', 'A Hazy Shade of Winter' e 'Mrs. Robinson', esta última sendo interpretada por diversas bandas e artistas ao passar dos anos.

Se você não conhece, não sabe o que está dizendo: você conhece, já ouviu, provavelmente gostou muito, mas não reconhece. Esta é a chance de lembrar de momentos da vida que você nem sabia que Simon e Garfunkel estavam no meio.

Set List1- Bookends Theme
2- Save the Life of My Child
3- America
4- Overs
5- Voices of Old People
6- Old Friends
7- Bookends Theme
8- Fakin' It
9- Punky's Dilemma
10- Mrs. Robinson
11- A Hazy Shade of Winter
12- At the Zoo


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Birth of Cool - Miles Davis

Fazia um bom tempo que nada de jazz aparecia aqui no blog. Que tal um clássico?

Não há como negar: Miles Davis em suas devidas proporções foi o grande gênio da música em nosso século. Não vou destacar seu espírito inovador, isso é muito comum e muita gente porta o mesmo dentro de si. Mas há um diferencial incrível muito ressaltada não só na esfera musical como também estava cravada em sua personalidade: o inconformismo. Davis antes de lançar sua primeira obra-prima, Birth of Cool em 1949, já participava da banda de Gil Evans que era um tanto diferente para a cena da época que se esbaldava no frenesi do bebop. As sessões de Evans junto a Davis e uma banda magistral, eram regadas de influências do impressionismo, visões emprestadas de outras artes e implantadas com louvor no jazz. Havia liberdade, havia espaço para as asas de Davis, mas ele precisava inovar, ele necessitava de uma invenção. A partir daí o mundo não o via como mais um músico que se destacava em sessões. O mundo o via como uma chama enorme, em meio incêndio que o jazz representava. Nesse álbum, Davis apresenta uma versão requintada, elegante do ritmo. Ainda utiliza um pouco da elasticidade do bebop, mas o estica com tanta perícia e afinco, que arranca a tensão, fazendo sair de seu trompete incomparável, notas suaves, perfeitas e relaxantes. O nome realmente veio a calhar.

O swing apareceu e estourou como um dos grandes êxitos comerciais da história da música. Haviam big bands de destaque, mas nada isolado. O bebop teve sua curta época de apogeu, mas contava com uma vanguarda de seletos músicos, todos contribuindo para o desenvolvimento dessa vertente. E com esse álbum, mais uma revolução aparecia. Mas pela primeira vez no jazz uma revolução carregava consigo um gênio incansável e insaciável, um ícone individual de talento infinito, que pode ser considerado, sem medo de errar, o Beethoven do século XX.

Set List

1- Move
2- Jeru
3- Moon Dreams
4- Venus de Milo
5- Budo
6- Deception
7- Godchild
8- Boplicity
9- Rocker
10- Israel
11- Rouge
12- Darn That Dream


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Riot on a Empty Street - Kings of Convenience

O Kings of Convenience, dupla formada na cidade de Bergen, Noruega, sempre teve muito seu trabalho atrelado à pureza poética e sensibilidade sonora de Nick Drake, cantor britânico de carreira curta e que influenciou metade dessa nova leva de cantores dos mais diversos estilos, do lo-fi até o folk simples. Realmente existem muitas propriedades semelhantes entre a dupla e o cantor, mas costumo lembrar e associar o som da dupla nórdica com outra dupla, dos anos 60, os célebres Simon e Garfunkel. A estrutura dos arranjos é realmente bem próxima, com uma leveza de acordes de violão que dança em volta de letras magníficas e uma voz tão sublime que são poucos os momentos que consigo me manter de olhos abertos, tamanho é o alcance celestial das notas vocais que não brilham por uma desenvoltura de notas altas mas sim pela estabilidade compatível com a precisão das cordas do violão. 'Riot on a Empty Street' que apareceu em cena no ano de 2004 e marcou o fim de um tempo de sumiço da dupla (foram três anos). Eles mantém a fórmula, e contam com uma participação breve da canadense Feist, em duas canções: 'Know How' e 'The Build-Up', o que faz as canções que contam com essa fusão chegarem à perfeição.

Como disse o Thiago na comunidade, "Kings of Convenience, afinal, algo mais voz e violão de vez em quando é muito bom também". Concordo com ele.

*Sugestão de Thiago Coacci

Set List

1- Homesick
2- Misread
3- Cayman Islands
4- Stay Out of Trouble
5- Know How
6- Sorry or Please
7- Love Is No Big Truth
8- I'd Rather Dance With You
9- Live Long
10- Surprise Ice
11- Gold in the Air of Summer
12- The Build-Up


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