Trees Outside the Academy - Thurston Moore

Eu não ouvi o suficiente para deixar aqui no blog uma opinião concreta e definitiva, mas a princípio, Trees Outside the Academy, o segundo disco baseado em canções de Thurston Moore soa como uma extensão do antecessor (baseado em canções), o Psychic Hearts. Não é tão parecido com o som que acostumamos a associar ao Sonic Youth, mas é experimental, com arranjos diferentes do noise-rock típico do guitarrista. Claro que você ainda poderá ouvir um noise corroendo seus ouvidos em 'American Coffin' ou 'Wonderful Witches + Language Meanies', mas vai se impressionar com a beleza de 'The Shape Is In A Trance' com violinos muito bem integrados às dedilhadas da guitarra. Esse disco mostra um Thurston Moore que não se conforma com rótulos, com concepções definitivas, velhos conceitos. Nesse disco você ainda ouve muito da veia rock dele como em 'Trees Outside the Academy', mas em 'Fri/End' você também percebe que ele muda sua visão, como o Sonic Youth vem mudando (mudança notável nos últimos dois discos).

Esse disco é um presente pra todo o fã de Sonic Youth. É uma extensão do trabalho da banda, sob a solitária inteligência e perfeição de seu maior mentor.

Set List

1- Frozen Gtr
2- The Shape Is in a Trance
3- Honest James
4- Silver>Blue
5- Fri/End
6- American Coffin
7- Wonderful Witches + Language Meanies
8- Off Work
9- Never Day
10- Free Noise Among Friends
11- Trees Outside the Academy
12- Thurston @13

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Dig me Out - Sleater-Kinney

Formado em 1994, o Slater-Kinney é referência em banda de garotas. Simples, com acordes fáceis e riffs incessantes, as garotas da cidade de Olympia (estado de Washington) marcaram seus nomes no hall dos grandes nomes do rock (no sentido figurado). O disco Dig me Out é uma pérola do punk rock feminista, superior ao Call the Doctor, disco anterior que havia aberto novas possibilidades e serviu de influência para garotas fazerem rock. Esse disco é mais maduro, mantém a mesma fórmula, a fórmula da fúria aliada a ótimos arranjos.

A faixa que dá nome ao disco, 'Dig me Out' tem um riff que já aparece no início e vai mudando somente o tom, a medida que o som vai ficando mais intenso. A bateria de Janet Weiss (que estreava na banda nesse disco) dá conta do recado, como se já tocasse há anos com a banda. É o som que mais se aproxima da loucura do Bikini Kill. 'One More Hour' tem harmonia simples, mas a guitarra que apresenta acordes repetidos fazendo da música um carrossel. Mas as variações existem e são as levadas do refrão que modificam o ambiente sonoro. 'Words and Guitar' é forte, com toda a potência das duas guitarras da banda. Agora potência mesmo tem a voz de Corin Tucker que não chega a ser gasguita como outras feministas que berram, como se tudo na vida fosse motivo de protesto. É uma voz cheia de autoridade e variações de notas, sabe equilibrar a beleza com a força. 'Little Babies' tem melodia chamativa, onde a bateria coordena a direção da canção. Carrie Brownstein, a outra guitarrista, ainda cede sua voz para acompanhar as batidas que intercalam algumas frases.

Esse disco tem muito valor, porque é a clara evolução do rock feminino, das gritarias e tosquices para a técnica mais apurada e a valorização do vocal feminino.

Set List

1- Dig Me Out
2- One More Hour
3- Turn It On
4- The Drama You've Been Craving
5- Heart Factory
6- Words and Guitar
7- It's Enough
8- Little Babies
9- Not What You Want
10- Buy Her Candy
11- Things You Say
12- Dance Song '97
13- Jenny

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The Swimming Hour - Andrew Bird's Bowl of Fire

Cativante. É o mais adequado adjetivo para a obra de Andrew Bird. Não há barreiras instrumentais para ele. O horizonte amplo de sons apresentado nesse disco é realmente impressionante. Junto com uma banda cheia de grandes músicos, o Bowl of Fire, Bird lançou o melhor disco de sua carreira em 2001. O Swimming Hour é uma homenagem ao violino, afinal, ele é muito bem tocado em todo o disco, mas não é simplesmente "bem tocado". Bird usa e abusa do instrumento, fazendo canções doces, tristes, extremamente agitadas. O violino faz rock, se integra ao jazz, faz uma mescla de clássico e conteporâneo. A banda não podia ser melhor e vai atrás do grande comandante Bird, executando arranjos monumentais.

'Two Way Action' é explosiva, cheia de energia, com um violino que não deixa a desejar nada para uma guitarra. O baixo dá uma solidez e a voz de Nora O'Connor, guitarrista virtuosa e bem conhecida no meio rock alternativo (já tocou com os New Pornographers) dá um toque suave e contrasta com o grave vocal de Bird. A música é incrível. Me faz lembrar a sensação de ouvir Vivaldi e as Quatro Estações, aquela chuva de raios que penso estar caíndo ao ouvir a seqüencia de violino. 'Core and Rind' tem um balanço relaxante, que o próprio Bird diz ter absorvido do zydeco, um ritmo do sul americano, oriundo de tradições européias. A estrutura pode vir do zydeco, mas há solo de orgão, guitarras à vontade e uma batida freestyle. O tambor come solto nessa faixa. A faixa '11:11' é a que considero instrumentalmente mais bonita. O violino mostra o que pode fazer. Uma introdução surreal, irradiando raios de violino pra todos os lados. Sem contar a coesão, como a harmonia é bem construída, com a bateria em ritmo de marcha, piano dando a cobertura sonora precisa... o refrão é extático, a coordenação de cada batida, como os instrumentos se abraçam e se dão bem. 'Case in Point' é complexa e devido a essa complexidade, é linda. O violão assume um papel importante e até um xilofone aparece para dar um toque especial a canção. 'Satisfied' é um dueto de violino e guitarra em meio a um rock mais pesado, cheio de solos e a percurssão que se mantem caótica, forte, como também fica a voz de Bird.

Quem gosta de Jeff Buckley vai gostar muito desse disco. A criatividade, a técnica são aliadas nessa obra perfeita de Andrew Bird. Se o seu negócio não é rock, tente gostar desse 'rock erudito'.

Set List

1- Two Way Action
2- Core and Rind
3- Why?
4- 11:11
5- Case in Point
6- Too Long
7- Way Out West
8- Waiting to Talk
9- Fatal Flower Garden
10- Satisfied
11- Headsoak
12- How Indiscreet
13- Dear Old Greenland

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Slanted & Enchanted - Pavement

Já fazem quinze anos que esse disco foi lançado. Mas o Slanted & Enchanted não é um disco comum. Foi uma diretriz, uma luz para quem queria fazer o rock no estilo lo-fi, um rock extremamente alternativo e cultuado por uma escassa fatia dos apreciadores do ritmo. O disco é bem produzido, é verdade, com uma qualidade bem superior a uma das lendas do lo-fi, o Guided by Voices e o seu disco Bee Thousand (gravações sofridas em 4 canais de materiais geniais). Stephen Malkmus, vocalista e líder do Pavement compôs todo o disco, dando um ar de amadorismo nos arranjos, amadorismo este não pela competência da banda que é indiscutível mas sim pela disposição dos instrumentos, da desafinação e atonia dos acordes da guitarra, tudo intencional. Aqui não estava apenas um disco para se ouvir e sim para explorar musicalmente como uma influência valiosa.

O rock descordenado e moroso de 'Summer Baby (Winter Version)' inicia o disco com uma guitarra distorcida ao fundo, abrindo uma capa de caos em meio a barulhinhos de chocalhos que fazem pausas durante a música inteira. A guitarra vai dominando até entrar em diversos trechos de solo muito bem feitos. 'Trigger Cut/Wounded-Kite at :17' é a visão pop de Malkmus. Visão esta que é magnífica, lembrando aquelas músicas antigas dos Rolling Stones, com complementos vocais no refrão:

I've got a message for you
I keep it in my hand
I've got a sister or two

Sem contar que todo o arranjo é voltado a uma harmonia mais limpa, mas sem perder algumas características, como por exemplo a guitarra que permanece bagunçada. Alguns 'ahoo-shalalala' rondam toda a musicalidade da canção. Quando você pensa que o fim chegou, umas notas de guitarra marcam a despedida da faixa. Muito bom! Na faixa 4, 'In the Mouth a Desert' uma guitarrinha baixinha vai tocando de forma despretensiosa até que a bateria quebra o gelo e a guitarra assume notas mais graves e finalmente o ambiente está criado. Ataques de bateria marcam o tempo da canção enquanto a voz manhenta de Malkmus preenche o espaço. O refrão é perfeito, finalizado com um conhecido 'uhu uhu uhuuu'. O ciclo recomeça. Toda a composição dessa música é essêncial para quem quer 'chupinhar' elementos do Pavement. A guitarra distorcida, a bateria incontrolável, o baixo que embora sóbrio, garante um pouco de estabilidade a zona sonora que se instaurou, enfim, toda a excentricidade da banda. O caos desafinado com bateria na linha do jazz e vozes complementares dão mais material de influência ao ouvinte em 'Conduit for Sale!'. Em 'Here' uma calmaria baixa sobre a banda, mas até em canções mais lentas, acordes de guitarra garantem que a marca Pavement permanecerá. Seria um ótimo fechamento de disco, mas ainda tem muito mais pela frente.

Esse disco figura entre os maiores da história pela sua influência, pela importância no desenvolvimento do rock que apareceu no desenrolar da década de 90. Por ser indie ao extremo (no sentido independent da palavra) eles não têm o reconhecimento devido. Infelizmente pra nós, pois o rock poderia ser bem melhor do que é atualmente.

Set List

1- Summer Babe [Winter Version]
2- Trigger Cut/Wounded-Kite at :17
3- No Life Singed Her
4- In the Mouth a Desert
5- Conduit for Sale!
6- Zurich Is Stained
7- Chesley's Little Wrists
8- Loretta's Scars
9- Here
10- Two States
11- Perfume-V
12- Fame Throwa
13- Jackals, False Grails: The Lonesome Era
14- Our Singer

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My Aim is True - Elvis Costello

Como classificar Elvis Costello? Tarefa dificíl, levando em consideração a versatilidade de suas criações. Um homem que parecia com Buddy Holly andava em meio ao movimento punk. Embora não fosse tão radical como seus colegas reclamões, ele aprontava de vez enquando, desafiando a televisão americana, por exemplo. Nascido em Liverpool, Costello foi peça importante no pub rock, uma vertente que combatia o rock progressivo com apresentações ao vivo em pubs (bares típicos ingleses), baseadas no som pesado do R&B. Talvez por combater o rock progressivo, o pub rock tenha sido uma pitada de fúria que compunha mais tarde o punk rock. Por isso Costello foi associado ao cenário também composto por Clash, Sex Pistols, Buzzcocks entre outros.

My Aim is True é um disco muito variado, apresentando mais pegadas rock'n'roll anos 50, baseado no blues. O punk tem a característica de guitarras de três acordes e notas rasgadas. Costello tinha treze músicas muito bem trabalhadas e bem diferentes da euforia musical punk. 'Welcome to the Working Week' tem uma levada the British Invasion, com batida em compasso dançante, cheio de 'doo-dooroo', lembra aquelas músicas de bailes dos anos 60. Com diversos toques de bateria de jazz e melodia cheia de energia com guitarra parecida com a do Cream (leia-se Eric Clapton), 'Miracle Man' é fácil de ouvir. A balada romântica que antagoniza com toda a pegada geral do disco é 'Alison'. Uma música introspectiva, com letra linda e cheia de ciladas sentimentais:

Well I see you got a husband now
But you leave your pretty fingers
lying in the wedding cake

É a música mais celebrada do disco, ouvida por amantes do rock e por quem odeia o rock. É uma música de aceitação universal. '(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes' tem por trás um baixo potente junto a bateria sendo tocada em ritmo de baladinha no estilo The Band, uma faceta de humor ainda mais quando se presta atenção na letra. 'Less than Zero' é outro clássico digno de destaque. Tem aquele ambiente calmo com algumas notas de guitarra em meio a evolução da canção. Realmente o trunfo instrumental do disco é a bateria, sempre instável e cheia de compassos dançantes como citei acima. Nessa faixa a bateria se integra muito bem não só com os outros instrumentos mas também com a voz de Costello. O refrão cheio de 're-uêee' é leve, perfeito. O disco é finalizado com 'Watching the Detectives', um dub potente, com linhas arrojadas de baixo e batidas marcadas. A harmonia é muito criativa, conta com alguns efeitos sonoros e a voz de Costello complementa toda a atmosfera, combinando bem com o ritmo jamaicano.

O disco não foi um sucesso de vendas, mas aos poucos foi virando uma lenda. O ano de 2007 foi brindado por ser o ano de celebração dos 30 anos de vários discos inesquecíveis. My Aim is True também foi lançado em 1977 e é essêncial na coleção de quem gosta de um rock bem executado, dançante e acima de tudo, versátil.

Set List

1- Welcome to the Working Week
2- Miracle Man
3- No Dancing
4- Blame It on Cain
5- Alison
6- Sneaky Feelings
7- (The Angels Wanna Wear My) Red Shoes
8- Less Than Zero
9- Mystery Dance
10- Pay It Back
11- I'm Not Angry
12- Waiting for the End of the World
13- Watching the Detectives

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Paparazzi Lightning - Ghostland Observatory

A KEXP tem que estar nos relatos que fizer sobre essa banda. KEXP é uma rádio fodona de Seattle que além de tocar muitos sons alternativos que já conhecemos, vive lançando novidades. Uma dessas novidades é o Ghostland Observatory. Era 2006 e eu moscava pela internet ouvindo a rádio. De repente ouço um som, que mescla batidas fortes, elementos eletrônicos e guitarra muito bem tocada. Fui olhar no set list do programa e lá estava o nome da banda. Mais abaixo havia um link para o MySpace deles. Comecei a pesquisar, ouvir as quatro canções que estava disponíveis em sua página. Mas era foda encontrar pra fazer download. Mas os contatos são bons, e uma amiga, a Ally, de Minneapolis, capital de Minesotta, tinha o disco completo deles. Ally não hesitou e mandou o arquivo zipado. Ao recebê-lo me esbaldei por semanas com o som deles e posso garantir: o som é muito bom, dançante, bem trabalhado e produzido.

As influências desses caras de Austin (Texas), flutuam entre Prince, James Brown, Daft Punk e sua versatilidade. No MySpace deles é cheio de piadas em relação às influências... Los Tigres del Norte, Elvis, Cash, anyone whit balls (qualquer um com culhões), nenhum desses nomes se faz presente em forma sonora nas músicas deles. Imaginem uma árvore fazendo amor. É assim que eles classificam a semelhança do som deles. Coisa de louco!

O disco de estréia deles, Paparazzi Lightning, foi lançado em 2006 e começa com 'Piano Man' em meio a barulhos de gelo e bebidas, portas abrindo até que o som começa a crescer e explode num balanço de sintetizadores. Diversos efeitos se revezam criando uma bagunça sonora. Diversas notas de piano dão característica incrível pra essa zona. Só ouvindo pra entender. 'Move with Your Lover' é a mais dançante de todas, com pegadas de guitarra e batidas extremamente pesadas. O sintetizador é rei nesse disco. E os efeitos são realmente fodas! Um dia fui tocar esse som numa noite de discotecagem, e todo mundo veio perguntar: "que som é esse, Pipoko?". Prontamente fui os informando sobre a banda. E todo mundo dançava frenéticamente. Gente com papelzinho nas mãos pedia pra eu anotar o nome deles e da música. 'Sad Sad City' é a minha preferida, pela tranqüilidade aliada a batidas sólidas e estáveis. O sintetizador fazendo um riff quase subliminar. A letra é triste como sugere o nome da faixa:

When I need you
To want me, to hold me, to tell me the truth
Ain't nobody in the Sad Sad City

'Stranger Love' começa incógnita, mas vai criando sua identidade com um riff de guitarra marcante e uma voz robótica que domina o refrão.

O disco tem uma característica: é dançante. Até nas mais tristes, você arruma um jeito de ensaiar uns passos mais comportados. Vale a pena baixar e ver que o som é contagiante de fato.

Set List

1- Piano Man
2- Ghetto Magnet
3- Move with Your Love
4- All Your Rock & Rollers
5- Vibrate
6- Sad Sad City
7- Stranger Lover
8- Paparazzi Lightning
9- I’ll Be Suzy
10- Midnight Voyage

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The Rise & Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars - David Bowie

Muita gente considera The Rise & Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars o disco mais importante e influente da década de 70. Essa afirmação deve ser feita com cuidado, levando em consideração que essa década teve lendárias bandas, que lançaram trabalhos geniais, conceituais ou não, temáticos ou não. Mas ninguém pode negar que David Bowie acertou na mosca ao criar todo o ambiente que permeia o disco. Criou um personagem acessível, compatível com as tendências da época (exceto o fato de Ziggy Stardust ser um alienígena - hahahahaha!). Ziggy como Bowie é carismático, é genial, andrógino e por que não, alienígena? Às vezes duvido que Bowie seja um terráqueo. O tema do disco era a ascenção e a queda desse rock star alienígena. E o disco inteiro narra não só a vida do pseudo-artista como também narra fatos futurísticos, compatíveis com o pensamento da época, influenciado pelo grande diretor de cinema Stanley Kubrick com seus filmes '2001 - Uma Odisséia no Espaço' e 'Laranja Mecânica'.

O som que domina o disco é o chamado glam rock, iniciado e disseminado por Marc Bolan, do T-Rex. Ele não é essencialmente glam, tendo variações de ritmos, mas a maior influência realmente é o glam. Sim, Bowie acertou ao se aproximar tanto desse som, afinal, o glam rock celebrava a androginia, o visual espalhafatoso e Bowie o fez perfeitamente. O modo de se vestir se completava com o som, afinal, tantas plumas e glitter não combinariam com terninhos à la Beatles ou o couro do Judas Priest. Algumas músicas tem muita semelhança, em seus arranjos, com o Transformer de Lou Reed. Não é coincidência: Bowie produziu o disco de seu amigo.

'Five Years' inaugura a odisséia com uma introdução com bateria crescente e piano suavemente introduzido. Conta com letra sombria com trechos como esse:

News guy wept and told us
Earth was really dying
Cried so much his face was wet
Then I knew he was not lying

Traduzindo:

O cara das notícias chorava e nos dizia
A Terra está realmente morrendo
Chorava muito, seu rosto estava úmido
E então eu soube que ele não estava mentindo

Realmente sombrio e catastrófico. A letra toda tem um caos implantado, com diversas situações bizarras. Já 'Soul Love' é uma mistura de guitarras, um saxofone sofrido e bem executado e linhas de um flashback (sim, como diz a música, um soul bem legal). 'Moonage Daydream' já rompe qualquer calma com sua guitarra estridente mas não se resume a isso. Tem uma melodia muito bem construída alternando backing vocals e alguns acordes rasgados da guitarra. A que mais fez sucesso aqui no Brasil é a 'Starman'. Numa levada de violão e baterias abafadas e ainda a pincelada de violino que envolve todo o arranjo, dando uma característica única ao som. O piano novamente entra em cena com desempenho espetacular em 'Lady Stardust' com vai e vem de notas que compoem uma bela canção. 'Hang Into Yourself' tem uma pegada meio rockabilly, e também é a música que mais se aproxima do som do T-Rex, inclusive o vocal mais grave e suave. E finalmente 'Ziggy Stardust' que apresenta Ziggy Stardust como um astro do rock, com carisma e poder. Ziggy era canhoto, revirava os olhos e desmanchava o penteado, vencia o público com um sorriso e entre outros feitos, fazia amor com seu ego. E a medida que a letra da música se desenrola, os motivos da queda de Ziggy são revelados: ele explodiu devido ao ego inflado de tanto sucesso. O riff da música é demais, tem partes cantadas em êxtase com um fim melancólico:

Ziggy played guitar

O disco é finalizado pela bela e estrondosa 'Rock 'n' Roll Suicide' com metais de sopro constrastando com belas faixas de guitarra. Uma atmosfera tenebrosa, sendo aumentada pelos gritos de Bowie. Fecha com chave de ouro.

Bowie nesse disco conseguiu chegar às paradas inglesas e americanas. Finalmente o mundo levava a sério o trabalho do Camaleão, desse artista que é um mestre em reinventar não só sons, como conceitos. Esse disco foi feito com uma intenção, a intenção de desencadear em Bowie suas outra habilidade artística: a atuação teatral. Ele foi um grande ator, assumindo física e mentalmente a forma de seu alter-ego alienígena. Bowie não era apenas um ótimo músico.

*Sugestão de Ricardo

Set List

1- Five Years
2- Soul Love
3- Moonage Daydream
4- Starman
5- It Ain't Easy
6- Lady Stardust
7- Star
8- Hang on to Yourself
9- Ziggy Stardust
10- Suffragette City
11- Rock & Roll Suicide

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Berlin - Lou Reed

Havia uma expectativa: "como será o novo disco de Lou Reed?", até porque o disco anterior, Transformer, foi excepcional, aclamado pelos fãs e pela crítica. Continha um teor poético magnífico e o som era o mais diverso possível. Berlin, lançado em 1973, precisava se manter no nível, pelo menos se manter. Realmente não é melhor que o seu antecessor, mas está à nível de Lou Reed. Ótimo. O ambiente do disco é marcado pelo piano, orgão e uma bateria mais abafada. Ambiente germânico, mais clássico. Mas não deixa de ser Lou Reed, o poeta imundo, sujo pela verdade, pela realidade. Mas embora esteja no nível dele, não impressionou como era esperado.

As músicas de destaque desse disco são 'Lady Day' que tem melodia potente na base de piano e orgão. 'How Do You Think It Feels' tem características do disco Transformer, tem um baixo muito bem tocado, encorpado e bateria nada convencional. Lembra o estilo de Elton John. Muito bom. 'Oh Jim' tem ritmo de marcha e intrumentos de sopro. Aqui entre sopros de trompetes você pode ouvir um ótimo solo de guitarra. É o melhor momento da guitarra no disco inteiro. Na mesma linha de baixo e bateria que predomina no disco inteiro, Caroline Says I é ambiciosa, com linhas de backing vocal, guitarra se entrelaçando com violinos em cima de batidas contundentes.

Não é nem de longe o melhor trabalho dele, mas é um disco onde você pode ver como se efetua mudanças: gradualmente. Coisa que Lou fez nesse disco. Berlin tem seu brilho, e vale a pena ser ouvido com atenção pela riqueza de detalhes instrumentais.

*Sugestão de M.

Set List

1- Berlin
2- Lady Day
3- Men of Good Fortune
4- Caroline Says I
5- How Do You Think It Feels
6- Oh Jim
7- Caroline Says II
8- The Kids
9- The Bed
10- Sad Song

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A Guide to Love, Loss & Desperation - Wombats

Eu escutei pouco, mas o suficiente para escrever aqui: eles são bons. A energia que o Bloc Party perdeu em seu segundo disco, tem de sobra no primeiro disco dessa banda de Liverpool. Até hoje não entendi porque o Bloc Party mudou tão drásticamente para músicas mais reflexivas e tristes (a banda tem seus motivos, geralmente é aquele clichê de dizer que queriam experimentar novos sons, novas concepções e aquela ladainha toda). Mas os Wombats vêm para deixar o fogo aceso, cheio de brincadeiras com a guitarra (cabe ressaltar que é um tipo de 'brincadeira séria'), o baixo aqui tem liberdade, é flexível se esticando por todas as músicas. A bateria embora seja uma cúmplice do baixo, tem sua independência, com batidas diferentes.

'A Guide to Love, Loss & Desperation' foi lançado no fim de outubro desse ano, ou seja, há pouco menos de um mês. É uma ótima perspectiva do rock inglês, que anda por cima, bem representado por diversas bandas, mas os Wombats deixam claro que não é apenas um complemento em meio a tantos trabalhos. Você nota que embora seja uma banda nova, faz um bom trabalho, consciente, bem executado. 'Moving to New York' é a terceira faixa e é a mais parecida com o Bloc Party (principalmente o vocal). O baixo de Tord Øverland-Knudsen (a banda é inglesa mas o baixista é noruegues) é bem perceptível, fazendo um ótimo trabalho. A bateria de Dan Haggis segue um compasso pausado durante toda a evolução da melodia. A letra é no mínimo controversa:

So I'm moving to New York
'Cos I've got problems with my sleep

Sucesso. 'Party in a Forest (Where's Laura?)' tem uma pegada mais calma e conta com um refrão muito bom. Enquanto Matthew Murphy grita: "Laura!" um backing vocal é adicionado com um tremulante "uh-uh-uhuuuu", sem contar a bateria que utiliza do bumbo perfeitamente. E claro, a harmonia entre as cordas da guitarra e do baixo são excepcionais. As vozes passam a ser mais utilizadas com o "uh-uhuuuu" e novos "do-do-doooos" que se alternam de forma minusciosa. 'Let's Dance to Joy Division' já era uma música tocada nas rádios da Europa. Lançado no EP deles que precedeu esse disco, alterna ótimas batidas e momentos de sintetizador. Chega a um auge acelerado com ataque de bateria em meio a uma atmosfera tensa. O nome da música desperta curiosidade em relação ao que é cantado na letra. Digamos que é algo bem Ian Curtis:

Let's dance to joy division
And celebrate the irony
Everything is going wrong
But we're so happy


Uma música que gosto muito, pela letra principalmente é 'Patricia the Stripper'. A história de um cara que se apaixona por uma stripper. Como ele diz: eu não deveria ter me apaixonado por uma "dama da noite"! Hahahahahha! Sofrido. Mas tem versos singelos de romance como o do refrão:

Why didn't God give her two left feet
Then she couldn't run away from me!

Sofrido duas vezes.

Vamos lá: o som deles não é nada novo, mas é algo que dá ótimas expectativas sobre o futuro do rock. Não é ruim ser comparado com o Bloc Party, até porque eles têm ótimas influências. Existem elementos do Franz Ferdinand como dos Killers também, mas volto a escrever: eles usufruem de ótimas influências (esses últimos são oriundos de sons como Talking Heads, Television entre outros). Tanto os Wombats como o Bloc Party e cia, fazem um estilo novo que é originado da mescla de diversos sons. Digamos que parece um Gang of Four mais festivo. Esse estilo é o que todos ouvem hoje em dia e com certeza é o que marcará nossa década como um dos mais populares.

*Sugestão de Pierre

Set List

1- Tales of Girls, Boys and Marsupials
2- Kill the Director
3- Moving to New York
4- Lost in the Post
5- Party in a Forest (Where's Laura?)
6- School Uniforms
7- Here Comes the Anxiety
8- Let's Dance to Joy Division
9- Backfire at the Disco
10- Little Miss Pipedream
11- Dr. Suzanne Mattox PHD
12- Patricia the Stripper
13- My First Wedding

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Rockets to Russia - Ramones

O nome já é polêmico. Em época de Guerra Fria, o que significaria "Foguetes para a Rússia"? Terceira Guerra Mundial, com certeza! E é num ritmo caótico que o punk dos Ramones invadiu as rádios e toca-discos de punks e até 'não-punks' do mundo inteiro. Com o rock básico de três acordes, os Ramones desafiam a frieza e complexidade do rock progressivo e suas músicas longas (alguns discos continham apenas uma música de quarenta minutos). Nada de disco conceitual: o Rockets to Russia é uma bagunça, é acelerado (a música mais longa tem dois minutos e quarenta e nove segundos), é rude mas é cheio de harmonia. O quarteto não pecou por falta de melodia em suas canções. Os Ramones fizeram de arranjos simples, grandes hits punks.

'Cretin Hop' abre o disco com a guitarra estufada, e o baixo de Dee Dee bem mais ressaltado. A voz de Joey Ramone não atende aos padrões e isso é bom, afinal, a voz dele é marcante, feita para o punk. Não há o esculacho da voz de Johnny Rotten dos Sex Pistols (que a deixa forçada). Joey é autêntico ao cantar, gigantesco em estatura, desajeitado e grudado ao microfone. 'Rockway Beach' como em todas as músicas deles tem um refrão difícil de esquecer, não só pela repetição de "rock-rock-rockway beach!", mas pela guitarra de Johnny que se alastra na estrutura da música. 'Here Today, Gone Tomorrow' é a pausa em toda a euforia, não chega a ser lenta, mas comparada às outras, ele toma o aspecto de música pra dançar com rosto colado (hahahahaha!). O maior destaque, o hit desse disco sem dúvidas é 'Sheena is a Punk Rocker'. O equilíbrio instrumental que a banda demontra, em meio a uma música tão urgente, é incrível. São perfeitos. E o refrão é unanimidade nas pistas de qualquer casa de rock no mundo inteiro:

Sheena is a punk rocker
Sheena is a punk rocker
Sheena is a punk rocker nooooow!

Os Ramones têm muitas músicas engraçadas e eu particularmente acho engraçado quando Joey canta "daddy likes men". Hahahahaha... ah uma certa ironia na voz dele. O fim dessa música é cheio de diálogos familiares, crianças berrando em choro, cachorro latindo, sim... bem familiar. Usando a lobotomia como tema da faixa, os Ramones fazem uma letra engraçada e crítica em 'Teenage Lobotomy'. Lendo esta frase, dá pra ver o teor da coisa:

Now I guess I'll have to tell 'em
That I got no cerebellum.

Lembra o final daquele filme Um Estranho no Ninho? 'Do You Wanna Dance' é um dos covers mais celebrados, uma versão totalmente diferente e original para o sucesso de Johnny Rivers. Ficou demais, embora curta, está na dose certa. E a agitada 'Surfin Bird' é a mais dançante, magnífica em sua repetição. Cabe ressaltar que esse é um cover também, a música original é de uma banda de surf-music chamada Trashmen.

É um dos maiores clássicos do punk rock. Fazem exatamente 30 anos do lançamento desse disco e é incrível como os Ramones permanecem e permanecerão atuais.

Set List

1- Cretin Hop
2- Rockaway Beach
3- Here Today, Gone Tomorrow
4- Locket Love
5- I Don't Care
6- Sheena Is a Punk Rocker
7- We're a Happy Family
8- Teenage Lobotomy
9- Do You Wanna Dance?
10- I Wanna Be Well
11- I Can't Give You Anything
12- Ramona
13- Surfin' Bird
14- Why Is It Always This Way?

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She Wants Revenge - She Wants Revenge

Justin Warfield e Adam Bravin são dois DJs multi-instrumentalistas, que se uniram para lançar um projeto post-punk baseado em sintetizadores, como nos anos 80. A comparação mais óbvia é com o Interpol, mas nãe é exagero, parece mesmo. O vocal é o fator mais semelhante, mas a estrutura das músicas não são muito diferentes. O fato é que a influência mais comum dessas bandas de post-punk é o Joy Division, seja no compasso da bateria ou no vocal sombrio, sempre tentando fazer soar como um Ian Curtis. Tanto Justin Warfield como Paul Banks (vocalista do Interpol) chegam perto, mas não têm a depressão, a angústia que davam originalidade e peculiaridade à voz do vocalista do Joy Division. Existem elementos que sempre vão faltar neles, embora seja muito bom ouví-los, esse é o timbre vocal que mais se identifica com o ambiente post-punk, com as batidas estáveis e contínuas, guitarra tocada com intensidade, o baixo tão tenebroso quanto as batidas, que embora sejam mais vívidas, coordenam os acordes do baixo com a melancolia de sua repetição. Em alguns momentos o She Wants Revenge soa como Depeche Mode e em outros, soa como o rock gótico do Bauhaus.

O disco que leva o nome da 'banda' foi lançado no início de 2006 e claro que choveram as comparações com o Interpol (como citei acima). Querendo ou não, foi uma divulgação gratuita, afinal, os fãs de rock ficaram curiosos com o novo som. Não foi de decepcionar. 'Red Flags And Long Nights' abre o disco deixando clara uma das principais propostas do disco: explorar batidas, integrá-las ao som da guitarra e do baixo e fazer com que toda essa harmonia se ajuste a voz triste de Justin. O refrão é convidativo e ao mesmo tempo repele:

You can occupy my every sigh
You can rent a space inside my mind
At least until the price becomes too high


Com batidas que dominaram o pop dos anos 80, 'These Things' é um dos destaques. Graças ao refrão que repete "It's cause of this things, it's cause of this things", a música não sai da cabeça. Conta com acordes de guitarra mais expostos, tomando um pouco os holofotes das batidas eletrônicas. 'I Don't Wanna Fall in Love' tem à favor uma batida acelerada que marca o ritmo de toda a faixa, e tem a melhor ponte para refrão, com guitarra baixando notas e uma contagem até sete que explodem com um refrão cheio de energia intercalada com a frase "I don't wanna fall in love". Se quiser discotecar o som deles, experimente essa faixa. 'Out of Control' tem uma atmosfera mais melancólica, e soa demais como Depeche Mode. 'Tear You Apart' já tem a velocidade do vocal mais acelerada. A letra tem trechos que intimam:

I want to hold you close
Skin pressed against me tight
Lie still, and close your eyes girl
So lovely, it feels so right


Mas tem trechos bem, digamos, agressivos:

I want to fucking tear you apart

Esse disco não faria feio se fosse lançado na década de 80. Contém todos os elementos típicos daquela época e os utiliza com louvor em todas as faixas, todas as notas de guitarra, o baixo insosso, coadjuvante na maior parte das músicas e claro, as batidas de sintetizador, que nos fazem pensar se eles são mesmo dos anos 2000.

p.s.: não custa nada avisar que tem show deles em Sampa, no dia 08/12/07 no Espaço das Américas, na Barra Funda.

Set List

1- Red Flags and Long Nights
2- These Things
3- I Don't Wanna Fall in Love
4- Out of Control
5- Monologue
6- Broken Promises for Broken Hearts
7- Sister
8- Disconnect
9- Us
10- Someone Must Get Hurt
11- Tear You Apart
12- She Loves Me, She Loves Me Not

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B.R.M.C - Black Rebel Motorcycle Club

O nome já é muito bom. Sinal de bom gosto. Black Rebel Motorcycle Club era o nome da gangue de motoqueiros lideradas por Marlon Brando no filme The Wild Ones. Formados em 1998, o BRMC se deliciava com influências mais diversas como Iggy and the Stooges com a explosão de guitarras e a energia do vocal seco, o teor das letras que o Velvet Underground cantou e também a face soturna de alguma músicas que ainda por cima se revestem de um noise-rock, herança do Jesus and Mary Chains. Por mais nova que seja, já tem alguns seguidores pela cena do novo rock, afinal, eles conseguiram arrebatar a crítica com o disco de estréia, B.R.M.C. lançado em 2000. Quando o mundo ainda não havia vivido a euforia dos Strokes (que utilizariam as mesmas influências), o BRMC já lançava um trabalho coeso e coerente, firmado em influências sólidas e, como só influências não fazem o som, o disco foi muito bem executado pelo trio.

'Love Burns', a música que apresentaria a banda pela primeira vez ao mundo, começa criando uma expectativa, por uns 50 segundos, com ruídos e cordas da guitarra. Até que bruscamente a bateria é atacada e o som começa, lembrando uma mistura de Velvet Underground com uma pitada de T.Rex. A dupla Peter Hayes (guitarra) e Robert Turner (baixo) se revezam nos vocais e a idéia dá certo. O baterista Nick Jago sabe variar entre a fome de espancar os pratos e as batidas que parecem desinteressadas em algumas músicas. 'Red Eyes and Tears' é pura escuridão, embora eles não tenham muitas características do Bauhaus, soa parecido. A levada repetida da guitarra é constratada com alguns trechos de pura habilidade com as cordas. O vocal é depressivo mas se complementa com o tom das guitarras. 'Whatever Happened to My Rock 'N Roll' é a mais dançante de todas, a mais punk. Começa com aquele "one, two, three, four" típico de começo de música dos Ramones, mas não é tão acelerado quanto o quarteto nova-iorquino. Mas essa canção é a concentração de energia do disco, com guitarras cortantes e estridentes. Excepcional. A triste 'As Sure as the Sun' deixa explícita uma grande semelhança com My Bloody Valentine fica melancólica de verdade quando o vocal é introduzido às guitarras e a bateria. O refrão tem uma harmonia morosa, como bombas explodindo em câmera lenta. A letra então:

And all the time
I thought your words were mine
You held me down
As sure as the sun
You held me down
As sure as the sun


Um ótimo disco de estréia de uma das melhores bandas que apareceram nessa nossa década, embora eu ache que no futuro, o nome deles será lembrado da mesma forma que o dos Stone Roses, que embora geniais, não têm o crédito merecido.

Set List

1- Love Burns
2- Red Eyes and Tears Black
3- Whatever Happened to My Rock 'N Roll [Punk Song]
4- Awake
5- White Palms
6- As Sure as the Sun
7- Rifles
8- Too Real
9- Spread Your Love
10- Head up High
11- Salvation

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Different Class - Pulp

É uma verdadeira lenda. O Pulp é uma unanimidade para os amantes do rock alternativo, aliás, é difícil ser unanimidade num mundo tão complexo como é o do rock. Acho que no rock alternativo, o Sonic Youth também goza de unanimidade, não só pelo som, mas pela história da banda, pelo que representa em inovações. O Pulp tem uma figura que os eleva a grande nome do rock: Jarvis Cocker, compositor e cantor engraçado e genial. Sua voz é uma mistura de sobriedade e euforia. Seu estilo de escrever é direto, abordando diversos temos com outras visões. Ele não escreve sobre chifrudos sofridos. Ele escreve sobre os 'ricardões' que comem mulheres quando o marido sai da cidade. Fora isso, a construção harmonica da banda é incrível, das baladas dos anos 80 às músicas mais frias, com vocal melancólico. Mas é som pra todo mundo curtir.

O Different Class foi lançado em 1995 e quebrou um pouco o gelo daquela euforia ocasionada pelo britpop. Em 'Mis-Shapes' com todos os instrumentos em mesmo ritmo, no mesmo compasso, Cocker canta com a alma, e manda versos idealistas como:

What's the point of being rich,if you can't think what to do with it?

Um bom início. Digno de disco histórico. Em 'Pencil Skirt' dá pra notar a safadeza de um homem na hora de seduzir uma mulher casada. Hahahahaha! Toda vez que ouço essa música, morro de rir. É de uma cachorragem fora do sério:


I'll be around when he's not in town
I'll show you how you're doing it wrong
I really love it when you tell me to stop
Oh it's turning me on

E a música, o instrumental é todo inclinado para um ambiente de suspense, de coisa proibida. É muito bom como ele capta essa situação. A mais famosa, 'Disco 2000' tem aquele ritmo de pista, com guitarra mais rock, e a letra que narra em primeira pessoa a ligação do homem com uma tal de Deborah. Nasceram no mesmo dia, com uma hora de diferença, cresceram juntos e de repente a frustração: ela se casou! É um sucesso. 'Underwear' é uma ode a mulher em suas roupas íntimas. A tara de ver a mulher de lingerie deixa Jarvis Cocker maluco. É demais acompanhar a bela harmonia e notar que a letra é incrivelmente maníaca.

Vale a pena baixar esse disco, pela música, pelas letras e pelo valor histórico. O Pulp continua sendo um posso de influências para diversos artistas e bandas. Jarvis Cocker fez um ótimo trabalho solo que em breve disponibilizarei. Esse disco é obra-prima.

Set List

1- Mis-Shapes
2- Pencil Skirt
3- Common People
4- I Spy
5- Disco 2000
6- Live Bed Show
7- Something Changed
8- Sorted for E's & Wizz
9- F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E
10- Underwear
11- Monday Morning
12- Bar Italia

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Costello Music - Fratellis

Um trio escocês, formado em 2005 que traz à nossa década o britpop. Britpop mais acelerado, como um Blur baseado naquela música deles, a Song 2, lembram? No disco você nota que a musicalidade aliada à ótima execução dos instrumentos cria um ambiente extremamente dançante, sim, o som deles é muito bom pra discotecar numa pista.

'Henrietta' é mais um skacore, porém com diversos lances de guitarra punk. O vocal descontraído de Jon Fratelli cheio de 'wa wa wa waaaahhhs' contrabalança com a emergência que a música demanda para alguns trechos. Alguma quebras de ritmo são engraçadas. É uma boa música. 'Flathead' foi utilizada para um comercial de iPod e desde então, é fenômeno. O clipe da música ajuda ainda mais, fazendo alusão à capa do disco, com atrizes incrivelmente semelhantes às da capa. Mas o ritmo tem uma levada agitada que alterna entre uma aliança de palmas com guitarra e uma explosão cheia de ataques de bateria e baixo estridente. Uma pérola. Na faixa 5, 'Chelsea Dagger' tem uma introdução 'por camadas'. Bateria, depois o baixo seguido da guitarra. Quando essas camadas enfim se juntam, um vocal coletivo começa a ser entoado, dando uma ótima introdução a canção. A levada dos arranjos continua coordenado pela batida pausada da bateria, tendo algumas pausas onde a guitarra assume a direção, criando uma ponte para o refrão. O disco tem outros grandes destaques que valem a pena ser analisados por você.

É bom ficar de olho, o primeiro disco deles é uma boa surpresa pra quem acha que o Reino Unido só sabe lançar imitações baratas da new-wave dos anos 80.

Set List

1- Henrietta
2- Flathead
3- Whistle for the Choir
4- Chelsea Dagger
5- The Gutterati?
6- For the Girl
7- Doginabag
8- Creepin Up the Backstairs
9- Vince the Loveable Stoner
10- Everybody Knows You Cried Last Night
11- Baby Fratelli
12- Got Ma Nuts from a Hippy
13- Ole Black 'N' Blue Eyes

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Through the Windowpane - Guillemots

Uma banda multinacional. O vocalista inglês, o baterista escocês, a baixista canadense e o guitarrista brasileiro. Talvez esse seja o maior motivo da diversidade musical contida nesse álbum. O guitarrista MC Lord Magrão achava o som do Guillemots pop demais, por isso se comprometeu a dar uma cara mais psicodélica aos arranjos. Funcionou. O som da guitarra assume formas mínimas, pequenos detalhes das músicas, com dedilhadas caprichosas nas cordas, que diferenciam o cenário que se forma quando o disco é executado.

Through the Windowpane foi lançado em 2006 e para mim, foi um dos melhores discos do ano. Por mais que muita gente o considere pop demais para figurar entre os discos rock, existem muitos elementos do rock presentes. A primeira faixa 'Little Bear' é serena, entoada com piano e violino, lembrando as velhas canções de Hollywood, nos meados dos anos 40 e 50. A segunda música, 'Made Up Love Song #43' já tem outra cara, é mais agitada. Tem uma poesia excêntrica e abstrata, como podemos ouvir em alguns versos:

Now there's poetry, in an empty coke can

ou

The best things come from nowhere

A bateria marcada com a potência do contra-baixo dançam com a psicodelia da guitarra, deveras citada. A voz de Fyfe Dangerfield chega a um agudo potente, sem se tornar feminino. Existe uma variação incrível de tons em sua voz. Um espetáculo à parte. Em seguida 'Trains to Brazil' (música dedicada ao brasileiro morto em Londres confundido com um terrorista) começa com bateria diversas vezes no ataque, com vozes de criança ao fundo. O riff simples de Mc Lord Magrão ajuda a caracterizar a canção. No meio da música os arranjos são enriquecidos com a presença de instrumentos de sopro. Sucesso. A harmonia celestial de 'Redwings' encanta. Se ela permanecesse no embalo que começa, destilando paz, ficaria ótimo. Mas fica melhor ainda, quando a bateria da ares colossais a música. O acompanhamento vocal que a baixista Aristazabal Hawkes transporta a música ao êxtase final. É realmente linda. A voz de Fyfe é colocada à prova na música 'Blue Would Still Blue', e é aprovada, com uma quase acapela. 'Annie, Let's Not Wait' conta com um compasso próximo ao samba. Se bem que há um samba regado à psicodelia no final dessa faixa, clara influência do brasileiro da guitarra. Vale a pena ver o clipe dessa canção no YouTube.

Muitos críticos estão os elegendo como sucessores do U2. Mas não há semelhança entre o som das duas bandas. O U2 vive numa fórmula única, sem mudanças, sem aventuras. Apenas aquele feijão com arroz comercial que dá certo. O Guillemots já desbrava novos campos, fazendo sons originais. Esse povo adora criar novas divindades pop.

Set List

1- Little Bear
2- Made-Up Lovesong #43
3- Trains to Brazil
4- Redwings
5- A Samba in the Snowy Rain
6- Through the Windowpane
7- If the World Ends
8- We're Here
9- Blue Would Still Be Blue
10- Annie, Let's Not Wait
11- And If All...
12- São Paulo

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At Folsom Prison - Johnny Cash

Em 13 de janeiro de 1968, na prisão estadual de Folsom, na Califórnia, Johnny Cash gravava um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. Seu primeiro grande sucesso foi 'Folsom Prison Blues' e não havia lugar mais interessante pra gravar do que naquele prisão. Nesta música acima citada, Cash narra a vida na pele de um prisioneiro que está na Folsom, lembrando das advertências de sua mãe, do motivo de seu encarceramento, e é rica em detalhes, como o trem passando, a ausência do sol, a indignação de viver enjaulado enquanto ricos bebem café e fumam ótimos charutos. Cash se tornou um padroeiro dos presos nos EUA. E foi sob esse título que Cash se aventurou a gravar um disco na prisão. A gravadora Columbia se recusava a fazer o disco. Achavam que a sociedade americana era conservadora demais para aceitar um disco gravado num antro de assassinos, ladrões, estupradores e tudo de ruim que existe. Mas Cash não aceitou a recusa e fez o disco de qualquer forma. A gravadora teve que engolir a determinação do artista e acabou colhendo ótimos frutos.

Cash que já havia sido preso diversas vezes, por porte de drogas principalmente, sabia o que era viver atrás das grades. As letras de sua música muitas vezes falam de homens que "deram uma cheiradinha numa cocaína e assassinaram a mulher" ou " que na segunda-feira eu foi preso" ou ainda "que tem correntes nos pés". Havia uma clara identidade de Cash com a população carcerária.

O disco começa com um sutil "Hello, I'm Johnny Cash", seguido de urros e assovios dos presos. Ali estava o homem de preto, cara a cara com eles, era uma celebração. Nada melhor que começar com o blues da Folsom ou 'Folsom Prison Blues'. Os presos estavam mais em casa do que nunca. Havia uma identificação em casa verso cantado. Ele continua com outro hino de prisão: 'Busted'. E o som continua, acompanhado da banda The Tennessee Three. Cash arrebata aqueles corações rudes com 'I Still Miss Someone', afinal, todos ali sentem falta de uma pessoa, da convivência. Cash sempre esmurrando o coração duro deles. A seqüência vem no compasso do blues acelerado de 'Cocaine Blues'. Essa é a melhor, uma das letras mais fodas de todas:

Early one mornin' while makin' the rounds
I took a shot of cocaine and I shot my woman down

Um monte de assassinos deve ter dito: "caralho, essa é minha história!". Hahahaha! A banda arregaça nos arranjos e a voz forte e grossa de Cash transborda em segurança. A gaita come solta em 'Orange Blossom Special', som peculiar do interior dos EUA, trazendo familiaridade ao público que acompanhava a apresentação. O legal desse disco é que não há disfarces, a gravação é crua, com pigarros, tossidas e algumas desafinadas. Sem frescuras. Algumas faixas depois, Cash chama sua companheira em todas as ocasiões, June Carter para entrar em dueto, cantado a bela música 'Jackson'. A voz rasgada dela se complementa perfeitamente com a voz grave de Cash. 'I Got Stripes' talvez seja a música mais calebrada em todo o disco. Quando Cash canta "I got stripes around my shoulders' os presos assoviam, aplaudem, gritam. Aquela é a realidade deles. Um dos maiores cantores do mundo estava ali, dizendo: "eu entendo vocês", "vocês não estão sós". Essa música marca o auge da apresentação.

Esse disco é um marco histórico, não só para a carreira de Cash, mas de toda a música. Ele encarou o desafio, sabia que tinha os presos em suas mãos. Sabia que se tocasse em qualquer outra cadeia, seria bem recebido. Cash quebrava uma barreira, afinal, ele tocava para pessoas livres e também para pessoas presas, afinal, não é porque estamos fora da cadeia que não temos erros, defeitos. Para Cash, não havia distinção entre livre ou preso. Ainda bem.

*Sugestão de Camila Lana

Set List

1- Folsom Prison Blues
2- Busted
3- Dark as the Dungeon
4- I Still Miss Someone
5- Cocaine Blues
6- 25 Minutes to Go
7- Orange Blossom Special
8- The Long Black Veil
9- Send a Picture of Mother
10- The Wall
11- Dirty Old Egg Sucking Dog
12- Flushed from the Bathroom of Your Heart
13- Joe Bean
14- Jackson
15- Give My Love to Rose
16- I Got Stripes
17- The Legend of John Henry's Hammer
18- Green, Green Grass of Home
19- Greystone Chapel

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Let Go - Nada Surf

Esqueça a surf music. Não tem nada a ver, embora alguns surfistas sejam fãs da banda. Matthew Caws (vocalista e guitarrista) e Daniel Lorca (baixista) grandes amigos de escola, fundaram a banda, que no início (em 1988) chamava-se Because Because Because. Em 1993 mudaram o nome para Nada Surf. Logo depois Ira Elliot entrou na banda. O som deles varia muito entre as baladas românticas e um som bem mais pesado. Seja como for, é um som elaborado, pensado em cada detalhe. Lembra muito o Weezer. Uma das melhores bandas da atualidade.

O disco Let Go foi lançado em 2002 e tem algumas das melhores canções da banda. Escolhi esse disco pelo conjunto da obra, o disco mais coeso de todos os lançados pela banda. A abertura já conta com uma ótima canção 'Blizzard of' 77' que esparrama sobre o público uma harmonia doce e centrada no violão. Simples e eficiente. 'Happy Kid' já desponta com mais energia, mostrando o outro lado da banda. Mas a canção posterior 'Inside of Love' é uma das melhores já feita pelo trio. A letra é magnífica, de alguém que está alienado do amor, e gostaria de saber como é estar dentro desse 'amor'. Uma balada perfeita e conta com um clip muito bom que pode ser visto YouTube. O baixo de Daniel Lorca é muito marcante nessa música. 'Killian's Red' está na mesma pegada, calma e de melodia magnífica. Na minha opinião é a melhor faixa do disco. Preste atenção na construção da harmonia dessa música. Porra, deve ser muito difícil elaborar algo tão bonito. E o disco é muito bem finalizado pela faixa 'Paper Boats', tem uma bateria de leve, pausada, guitarra levemente tocada. A letra é linda. Antes do refrão, há um diálogo:

-What's wrong?
-Nothing
-Are you sure nothing's wrong?
-Yeah
-But you're sad about something?
-Yeah
-So tell me what
-I don't know. I can't tell you...

Letra soturna e dramática, existencialista pra ser mais exato. "All I am is a body floating down-wind".

O disco reveza entre a balada mais calma e explosões de guitarra. Em breve vou disponibilizar outros discos, com outros grandes hits. Mas dá pra curtir ótimos momentos com o Let Go.

Set List

1- Blizzard of '77
2- Happy Kid
3- Inside of Love
4- Fruit Fly
5- Blonde on Blonde
6- Hi-Speed Soul
7- Killian's Red
8- The Way You Wear Your Head
9- Neither Heaven nor Space
10- Là Pour Ça
11- Treading Water
12- Paper Boats

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Pills 'n' Thrills and Bellyaches - Happy Mondays

Pills 'n' Thrills and Bellyaches foi lançado em 1990, apresentando um rock psicodélico, uma viagem maluca de batidas dançantes e guitarra herdada dos anos 80, que logo seria substituída pela força da notas grunges. A banda de Manchester que junto à Joy Division, New Order, Stone Roses entre outros, colocou a cidade industrial no mapa do rock mundial. O Happy Mondays já havia lançado ótimos trabalhos como o Bummed, mas em minha opinião, nenhum foi superior ao som que o Pills 'n' Thrills and Bellyaches escancarou. A Haçienda (Factory) era uma gravadora-clube (criada por Tony Wilson) onde todos os descolados de Manchester (também conhecida como Madchester) íam para curtir um bom som, seja ao vivo ou discotecado. E o Happy Mondays fazia parte desse cenário, isso explica o porquê de um som tão cheio de ritmo. Feito para aquele povo dançar.

'Kinky Afro' tem uma levada fácil de compreender, radiofônica em sua essência. Mas o que mais chama a atenção é o refrão que é uma descontrução do refrão da música Lady Marmalade de LaBelle (fez muito sucesso em 1974 e também em 2001 com o filme Moulin Rouge). O refrão é uma cópia descarada do single de Labelle, mas funciona, afinal, há um certo deboche nessa versão. Genial. 'God's Cop' é embalada por uma batida mais dançante. Intercalada com a guitarra, é uma ótima canção. Não estranhe se estiver ouvindo alguns ritmos caribenhos, tambores, chocalhos e afins. Eles utilizaram muita influência caribenha como bode ser ouvida em 'Donovan'. A atmosfera calma de 'Bob's Yer Uncle' é uma quebrada de ritmo, com seu violão e tambor. 'Step On' é pop e dá as bases para o brit-pop, que em alguns anos explodiria com a disputa entre Oasis e Blur.

O disco não é totalmente rock, mas o ouvinte ficará satisfeito com a mistura entre o rock e o pop com alguns elementos retirados de outros ritmos.

Set List

1- Kinky Afro
2- God's Cop
3- Donovan
4- Grandbag's Funeral
5- Loose Fit
6- Dennis and Lois
7- Bob's Yer Uncle
8- Step On
9- Holiday
10- Harmony

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Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! - DEVO

Pra celebrar a vinda dessa banda maluca ao Brasil, nada melhor que disponibilizar o disco mais importante da carreira deles, que os marcou na história do rock graças aos hits presentes nesse disco. Mas o hits são elaborados com som vindo da new-wave, post-punk e por que não um dance-rock? Afinal, existem muitos elementos dos primórdios do dance.

Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! foi lançado em 1978 e trouxeram muito humor à cena da época, marcada por protestos políticos com o punk ou a frieza da execução do rock progressivo. O som era dançante, cheio de elementos eletrônicos e o vocal de Mark Mothersbaugh é debochado e frenético. A visão de sociedade da banda influênciou demais na criação das músicas. A sociedade para eles é repressiva, rígida e entediante. Robóticamente entediante. Vai ver que esse é o motivo pelos ritmos robóticos...

'Uncontrollable Urge' inicia o disco com arranjo mais parecido com o Gang of Four. Conta com um bom riff e boa seqüência de bateria em diversos momentos da faixa. Alguns sons robóticos aparecem de vez enquando, e a guitarra constante aliada à característica robótica dá ótimas expectativas sobre a seqüência de faixas. E de repente começa '(I Can't Get No) Satisfaction', o cover mais estranho que alguém já fez. Eles desconstruíram toda aquele ritmo dos Rolling Stones, com aquele riff de Keith Richards e deram outra música à letra. Bizarra mas perfeita. Expressa totalmente a irreverência do DEVO. 'Praying Hands' tráz início eletrônico, te remetendo aos video-games. 'Mongoloid' já é mais rock, mais new-wave. O solo de guitarra é uma viagem total. A letra, bem, diz praticamente que todos somos mongolóides. Sucesso.

O disco todo é muito bom. Eu poderia destacar mais canções, mas acredito que essas sejam os destaques. O primeiro disco da banda é também o melhor. Você não pode deixar de conhecê-lo.

Set List

1- Uncontrollable Urge
2- (I Can't Get No) Satisfaction
3- Praying Hands
4- Space Junk
5- Mongoloid
6- Jocko Homo
7- Too Much Paranoias
8- Gut Feeling/Slap Your Mammy
9- Come Back Jonee
10- Sloppy (I Saw My Baby Gettin')
11- Shrivel Up

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Funeral - Arcade Fire

O Arcade Fire apareceu do nada, mas atraíram todas as atenções fazendo um som diferente, incorporando diversos tipos de instrumentos, construíndo uma musicalidade totalmente nova. O vocal expirra agonia para todos os lados, e as guitarras se complementam com pequenas rajadas metalizadas. Os canadenses se fartaram com ótimas influências, como Roxy Music, Gang of Four, Pixies, David Bowie, Talking Heads entre outros. Você ouve em cada música claras influências desses artistas e bandas.

O ambiente musical de Funeral se retorce totalmente quando um acordeon e um violino são introduzidos em 'Neighborhood #2 (Laika)'. É um som monumental, feito por uma banda cheia de integrantes (são sete ao todo), um mais criativo que o outro. Não fazem músicas apenas por fazê-la, porque têm que fazer. Existem motivos, razões, sentido em todas as letras, arranjos, gritos. 'Crown of Love' é linda e melancólica. Duas qualidades que se complementam. Harmonia cheia de violino e tristeza no vocal. É realmente tocante. E claro, não poderia deixar de destacar a 'Wake Up', tão cheia de energia e berrada, uma letra cheia de apelos e uma introdução de guitarra inesquecível, circundada de vozes. Não é à toa que David Bowie quis subir no mesmo palco dos caras para executá-la (procure esse vídeo no You Tube). Aliás, a performance deles é foda, cheia de surpresas. Muitos amigos meus choraram no show deles. 'Rebellion (Lies)' é iniciada com sólida linha de baixo e logo seguida com ótimos e suaves toques de piano. O violino muito bem tocado dá uma camada de paz ao andamento da canção. O refrão marcante com a frase "Every time you close your eye. Lies, lies!" é perfeito.

Esse disco é um dos melhores de nossa década e vai se tornando uma lenda ao passar dos tempos. É ótimo saber que vem mais por aí (disponibilizarei o Neon Bible em breve).

*Sugestão de Hugo

Set List

1- Neighborhood #1 (Tunnels)
2- Neighborhood #2 (Laïka)
3- Une Année Sans Lumière
4- Neighborhood #3 (Power Out)
5- Neighborhood #4 (7 Kettles)
6- Crown of Love
7- Wake Up
8- Haïti
9- Rebellion (Lies)
10- In the Backseat

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Harmacy - Sebadoh

Por falta de tempo, não estou escrevendo resenhas. Logo que eu recuperar o ritmo, voltarei a escrevê-las. E por enquanto, fiquem com esse disco, lançado em 1996, que na minha opinião é o melhor da banda de Lou Barlow. O Sebadoh é um dos precursores do estilo lo-fi de tocar, mas nada de sofrido. Existe uma ótima produção no som, ótimas letras e guitarras dignas de um ótimo rock.

Set List

1- On Fire
2- Prince-S
3- Ocean
4- Nothing Like You
5- Crystal Gypsy
6- Beauty of the Ride
7- Mind Reader
8- Sforzando!
9- Willing to Wait
10- Hillbilly II
11- Zone Doubt
12- Too Pure
13- Worst Thing
14- Love to Fight
15- Perfect Day
16- Can't Give Up
17- Open Ended
18- Weed Against Speed
19- I Smell a Rat

*Sugestão de Natu

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