Sky Blue Sky - Wilco

Após nadar no oceano do pop com discos mais acessíveis e não menos trabalhados, como por exemplo o Yankee Hotel Foxtrot ou o A Ghost Is Born, o Wilco volta às raízes do country alternativo que o consagrou em 1996 com o disco Being There. O novo trabalho Sky Blue Sky trás a sensação de algo que já foi ouvido, até porque usufrui da influência do rock de 70, aquele soft-rock de Neil Young, com notas mais suaves da guitarra porém bem tiradas em solos impressionantes, piano, orgão e teclado todos claros e familiares, trazendo uma brilhante união com o baixo não muito pretencioso porém funcional. O vocal de Jeff Tweedy é uma espécie de Bob Dylan que tomou aulas de canto, com uma leveza que rompe barreiras dos ritmos, ditando o andar da carruagem no disco inteiro.

Em 'Either Way' notamos na guitarra de Nels Cline um experimentalismo, próximo ao progressivo, tendo uma injeção de rusticidade dada pelo orgão de Mikael Jorgensen (que trabalha muito bem em outras faixas, complementando muitos espaços vagos em meios às melodias). Em 'You are my Face', existe algo de bucólico na letra, algo que se alia a canção e lhe leva a um lugar calmo, campestre:

I remember my mother's
Sister's husband's brother
Working in the goldmine full-time
Filling in for sunshine
Filing into tight lines
Of ordinary beehives

Claro que a letra evolui se mostrando mais pessoal e complexa. 'Impossible Germany' apresenta letra desconexa e um solo muito bem feito por Cline, que com certeza é um dos melhores guitarristas da atualidade, fazendo contorcionismo com as cordas, parecendo que tem mais de dez dedos nas mãos. 'Shake it Off' é rock setentista, com compasso da bateria lento e marcado por um baixo mais potente que o usual. A levada que a música assume é, na minha opinião, a que mais empolga em todo o disco. 'Hate it Here' já é mais explosiva, com guitarra trazendo escalas e mais escalas de notas e se entrelaçando com a bateria e seus potentes bumbos, numa melodia estrondosa.

Tocando como antigamente, o Wilco mostra um dos melhores trabalhos de sua carreira, escancarando um rock de gente que conhece bem o que faz e sabe muito bem aproveitar influências múltiplas. É um disco pra quem gosta de guitarra em sua essência, sem afobação. E claro, pra quem acredita que rock também pode ser sinônimo de relaxamento.

Set List

1- Either Way
2- You Are My Face
3- Impossible Germany
4- Sky Blue Sky
5- Side with the Seeds
6- Shake It Off
7- Please Be Patient with Me
8- Hate It Here
9- Leave Me (Like You Found Me)
10- Walken
11- What Light
12- On and On and On

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Fiquem à vontade!

Back to Black - Amy Winehouse

Ouvi uma música de Amy Winehouse no rádio e logo deduzi: "putz, deve ser uma negona no estilo Fat Family, gordona, com um vozeirão". O locutor citou o nome de Amy e este nome ficou guardado. Aì vi uma reportagem na TV à cabo sobre essa tal cantora. Fiquei impressionado com o detalhe dela ser branca e magrela. Boca sofrida, cheia de fracassos nas costas, e é inglesa! Pensei: "ela canta e tem estilo bagunçado, será que ela oferece algo mais?", e nesse embalo fui acompanhar o disco inteiro.

Back to Black é um disco angustiado, com batidas que misturam o hip-hop e o velho R&B, fazendo algo novo. Juntando elementos de vários estilos, Amy Winehouse faz o seu próprio estilo. Com voz muito poderosa, metais que em muitos casos remetem ao jazz, outras vezes aquela pegada Motown, e um pouco de reggae, a cantora encanta com esse disco.

A música de abertura, 'Rehab', foi a sensação, primeiro lugar em várias paradas de sucesso, prêmios pela canção e pelo clipe. Traz características perdidas, coisa que as chamadas 'divas modernas' nem sentem falta. Não há um trabalho instrumental, não há uma preocupação com a construção melódica (gosto dessa expressão). Porém em 'Rehab' há uma certa pressa nas batidas, no vocal, já começa com o refrão, sem introdução, sem delongas.

They tried to make me go to rehab, I said, "No, no,no"

Sem falsidade, é música extraída das experiências dessa mulher que vive fodida, sendo internada devido ao alcolismo, tropeçando bêbada na frente de fotógrafos sedentos por um furo. Privilegiada com um talento e sofrida com a vida. Logo em seguida, vem a faixa que considero a melhor, 'You Know I'm No Good', com batidas mais sólidas e bem acompanhadas de trompetes e aquela letra de mulher que já vai falando que avisou: "Você sabe que eu não boa pessoa". As batidas são o destaque, sem dúvidas. Em 'Me And Mr Jones (Fuckery)', conta com backing vocal no estilo antigo, te arremessando anos e anos atrás nas harmonias gospel. Trás a música de raíz, em todos os estilos. Em 'Just Friends' a cantora coloca a pitada reggae, muito bem executada por sinal. A faixa 'Tears Dry On Their Own' é flashback, aquele R&B que embalava os anos 70.

Amy Winehouse resgata das profundezas o bom som, feito com sinceridade e bem trabalhado. Embora ela seja uma angustiada e sofrida, ela canta com a alma, com a amargura de sua alma. Uma branca que soa como uma Tina Turner em seu melhor momento. Um dos melhores discos da década, sem sombra de dúvida.

Set List

1- Rehab
2- You Know I'm No Good
3- Me & Mr. Jones
4- Just Friends
5- Back to Black
6- Love Is a Losing Game
7- Tears Dry on Their Own
8- Wake Up Alone
9- Some Unholy War
10- He Can Only Hold Her

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When The Deer Wore Blue - Figurines

Eu estava no ônibus ouvindo o disco Skeleton dos Figurines quando pensei: "cacete, será que eles lançaram novo disco?". Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi ligar o pc e procurar por informações sobre a banda e seu provável novo disco. Descobri que o disco havia sido lançado há um dia apenas! Intuição? Sei lá.

Os dinamarqueses não fogem muito do estilo que apresentaram nos Skeleton. Com a voz de Christian Hjelm que caracteriza todo o som da banda, as melodias do When The Deer Wore Blue passeiam por váriações sentimentais como no disco anterior, nunca se prendendo a uma levada de ritmo. Às vezes calma, às vezes acelerada, a música dos Figurines não deixa a desejar.

Em 'Childhood Verse' a canção começa angustiada, com vocais sombrios, fantasmagórico e bateria em ritmo de marcha. Até que que a guitarrinha começa a tocar, trazendo os acordes que têm a cara do grupo. A construção melódica da canção é muito bem elaborada e nos quase quatro minutos de música, não há nada que enjoe ou canse o ouvinte. Em 'Hey Girl', a bateria assume o destaque ditando o andamento e a direção que a faixa toma. Música rápida e dançante, fixa aquele "Oh Yeah!" na cabeça e te faz cantarolar o dia inteiro. Já 'Drove You Miles' é mais suave, flutua em vocal manso e agudo, fica instrumental na maior parte do tempo, com piano e guitarra disputando a atenção do ouvinte. Vale também destacar a faixa 'Drunkard's Dream', que é a mais longa e a que contém mais teor de blues. Um solo longo de guitarra envolvido em notas de orgão. Mesmo tendo sete minutos e meio, é a faixa mais prazerosa de se ouvir, afinal, o blues é algo que prende, ainda mais quando é bem executado.

O disco foi muito bem produzido e merece sua atenção. Quando ouço o som dessa banda, tiro a conclusão que esses caras são os dinamarqueses mais americanos que se tem notícia. Tire suas próprias conclusões.

Set List


1- Childhood Verse
2- The Air We Breathe
3- Hey Girl
4- Drove You Miles
5- Let's Head Out
6- Good Old Friends
7- Drunkard's Dream
8- Half Awake, Half Aware
9- Angels of the Bayou
10- Bee Dee
11- A Cheap Place to Spend the Night
12- Lips of the Soldier
13-

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Greatest Hits - The Jam

Um Greatest Hits? Sim, somente apresentando uma compilação dos melhores hits para ser justo com você. Afinal, são ótimos discos que me fariam omitir alguns grandes sons desse power trio de punk rock. O Jam é uma banda inglesa, nascida em 1975. Foi uma das bandas punks mais populares igualando o seu impacto no povo com o do Clash, Sex Pistols ou Buzzcocks. Enquanto os Pistols e os Buzzcocks seguiam aquela linha de 3 acordes, o Jam, como o Clash, modificavam as linhas melódicas, apresentando algo mais trabalhado. Sob liderança de Paul Weller, que sem dúvida foi um dos melhores guitarristas da história, o Jam não era explosivo como o punk sugeria, tinha um estilo mais influenciado pelo Small Faces e The Who. Mesmo assim, no meio punk foi um sucesso.

O Jam apresentou grandes discos numa série de quatro anos seguidos, todos muito bem aceitos pela crítica, como por exemplo o ótimo In the City, de 1977 ou All Mod Cons, de 1978. O Greatest Hits conta com grandes sucessos, como 'Town Called Malice', com introdução de baixo perfeita e marcante e bateria num compasso muito dançante (que o Jet imitou descaradamente). Com refrão grudento, 'All Around the World' é outra pérola do punk, um tipo de balada acelerada, com alguns pontos de distorção de guitarra. E riff simples porém ideal para a urgência da letra. Com linhas de ska e reggae, 'When You're Young' começa com rock rasgado e batida estufada até que assume características do ska, e alguns trechos assumem uma levada de reggae (os punks ingleses costumavam ouvir Bob Marley). 'Precious' é algo inclinado para o dub, não se culpe se lembrar do Police pelos arranjos. Incluí nessa compilação duas faixas 'The Dreams Of Children' e ''A' Bomb In Wardour Street' que não poderiam se esquecidas. Essa última é explosiva como o nome diz, com uma batida violenta que permeia toda a música, e a guitarra segue inflamada... cheiro de pólvora no ar.

Ignorar o Jam é o mesmo que ignorar o punk, ignorar aquela época toda. É deixar de lado um dos melhores grupos que representaram o punk no fim dos anos 70 e no começo dos anos 80.

Set List

1- In the City
2- All Around the World
3- The Modern World
4- News of the World
5- David Watts
6- Down in the Tube Station at Midnight
7- Strange Town
8- When You're Young
9- The Eton Rifles
10- Going Underground
11- Start!
12- That's Entertainment
13- Funeral Pyre
14- Absolute Beginners
15- Town Called Malice
16- Precious
17- Just Who Is the 5 O'Clock Hero?
18- The Bitterest Pill (I Ever Had to Swallow)
19- Beat Surrender
20- The Dreams Of Children
21- 'A' Bomb In Wardour Street

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Twelve - Patti Smith

Covers, uma obrigação que qualquer artista de música precisa desempenhar. Obrigação essa cheia de responsabilidade, principalmente quando no cover escolhido, o artista evoca uma lenda. Elvis já fez covers, os Beatles viviam fazendo covers, os Rolling Stones também. Todo mundo precisa uma vez ao menos mostrar a todos a sua visão de um trabalho alheio. E Patti Smith, para nossa sorte, lançou um trabalho assim: com sua visões sobre grandes músicas de grandes nomes.

Lançado em 2007, Twelve é um trabalho de genialidade em cima de genialidade. A voz trêmula e manhosa de Patti Smith se entrelaça em arranjos muito bem elaborados e bem executados. Traz versões mais calmas (porém com o mesmo espírito) de Jimi Hendrix em 'Are You Experienced?', onde a psicodelia dos anos 60 ronda o ambiente, mantendo a pureza da composição de Hendrix. 'Helpless' de Neil Young mantém a sobriedade e beleza da composição original. Já em 'Gimme Shelter' dos Rolling Stones, ela segue com o rock porém dá um toque mais blues na canção e a voz, bem, é cheia de urros, no estilo Mick Jagger. A faixa mais comentada é a 'Smells Like Teen Spirit', original do Nirvana, que tem um arranjo completamente diferente da música que arrebatou os jovens dos anos 90. Mesmo sendo tão minimalista, tão melancólica, mantém o ideal da banda grunge. 'Within You Without You' dos Beatles, que tinha aquele arranjo com cítaras indianas, ganha nova roupa, algo retumbante (diacho, essa palavra me veio à cabeça). Aí de repente o ouvinte se pergunta: "cacete, o que Tears for Fears está fazendo em meio a tantos rocks?". É verdade, 'Evebody Wants to Rule the World' é meio estranho nesse disco, mas tem uma letra legal, idealista, e levando em conta que é um disco de Patti Smith, dá pra entender.

É um ótimo disco, se fosse uma compilação de grandes sucessos (com as versões originais) Já seria bom demais. E tendo essa compilação numa voz tão familiar pra tanta gente (voz que se mantém jovem como aquela que ouvimos no primeiro disco dela, o lendário Horses) fica ainda mais interessante.

Set List

1- Are You Experienced?
2- Everybody Wants to Rule the World
3- Helpless
4- Gimme Shelter
5- Within You Without You
6- White Rabbit
7- Changing of the Guards
8- The Boy in the Bubble
9- Soul Kitchen
10- Smells Like Teen Spirit
11- Midnight Rider
12- Pastime Paradise

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África Brasil - Jorge Ben

Esse Jorge Ben é um gênio (foda-se o sufixo 'Jor' que ele acrescentou ao nome - soa melhor assim). Nascido em 1942, passou sua juventude sob as trevas da ditadura militar. Mas isso não foi prerrogativa pra criar músicas políticas, como seus contemporâneos Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil entre outros. Jorge Ben focou a criação de novos sons, trabalhou a música mas não esqueceu da letra, criando maravilhosas canções.

Com África Brasil, lançado em 1976, Jorge Ben transbordou em criatividade em meio à tantas influências, como o toque rock que a guitarra deu às canções, evidente em 'Ponta De Laca Africano (Umbabaraúma)', ou o samba carioca presente em todo o disco e bem destacado na forma acelerada na ótima 'Meus Filhos, Meu Tesouro', cheio de reco-reco, cuíca e o caralho à quatro ou ainda o vulto soul que perambula em volta de 'Hermes Trimegisto Escreveu'. A atmosfera carioca tão clara no sotaque dele, na voz calma e malandra, se intensifica quando ele presta homenagem ao craque Zico do Flamengo, o 'Camisa 10 da Gávea'. Ele transforma futebol, o êxtase popular em poesia. Só Jorge Ben e mais ninguém.

Pra mim, disparado o melhor disco que o Brasil já concebeu. Célebre em todo o mundo, é referência de boa música brasileira. Se você só ouviu 'W Brasil' ou 'Mas que Nada!', ouça esse disco e verá que não é só hit que o cara fazia. Ele fazia arte.

Set List

1- Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)
2- Hermes Trimegisto Escreveu
3- O Filósofo
4- Meus Filhos, Meu Tesouro
5- O Plebeu
6- Taj Mahal
7- Xica da Silva
8- A História de Jorge
9- Camisa 10 da Gávea
10- Cavaleiro Do Cavalo Imaculado
11- África Brasil (Zumbi)

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Grace - Jeff Buckley

Sem dúvida, a voz mais bonita que emergiu nos anos 90, e não se pode negar que foi uma das maiores perdas da música em geral (morreu prematuramente afogado num rio em 1997, aos 30 anos de idade). Filho do cantor de folk-rock Tim Buckley, Jeff Buckley era um garoto tímido, que não usava do nome do pai para tentar entrar no mundo musical, muito menos pra se promover. Estudou música em Los Angeles, tocando em bandas de jazz e funk, tomando uma base excepcional, que resultou no disco Grace.

Esse trabalho, lançado em 1994 conta com um instrumental magnífico, com influências das mais variadas, pois lá você encontra o compasso de uma bateria de jazz, guitarra cheia de energia, dedilhar de cordas bem coordenados, baixo perfeitamente introduzido. Jeff soa como rock pra uns, soa mais pop pra outros, mas independente do que ele soe, é facilmente aceitável. A voz de Jeff Buckley na faixa 'Mojo Pin' dá uma introdução do que o ouvinte encontrará em material de trabalho vocal. Variações de tons, do mais baixo ao mais alto estão presentes em todos as músicas, e ele faz isso com a facilidade mais incompreensível. Os arranjos da banda estão perfeitos e ainda se aliam a uma melodia perfeita na canção 'Grace'. O disco ainda conta com um dos melhores covers que se tem notícia: 'Hallelujah' (cover de Leonard Cohen). Música sublime, celestial cantada numa voz angelical raramente ouvida.

É rock, pop, blues, pegada funk na medida certa: exagerada. Grace é um tesouro em meio a tanta porcaria lançada na década de 90 (é claro que muita coisa boa foi feita nessa década). E não me sinto ousado ao colocar esse disco como um dos 10 melhores da década. Experimente fazer uma viagem (não de drogas, junkie!) ouvindo esse disco: é olhar a paisagem e ver a integração automática que a audição e visão fazem. É viagem em cima de viagem.

Set List

1- Mojo Pin
2- Grace
3- Last Goodbye
4- Lilac Wine
5- So Real
6- Hallelujah
7- Lover, You Should've Come Over
8- Corpus Christi Carol
9- Eternal Life
10- Dream Brother

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Pure Mania - The Vibrators

Fundada em 1976, os Vibrators chegaram no embalo do punk e das bandas que começavam a pipocar pelo cenário inglês, influenciados pelo punk americano. Com acordes mais complexos e elaborados que o Sex Pistols, com criatividade similar à do Clash e clara influência do New York Dolls, os Vibrators chegaram num momento crucial do punk rock. O ano posterior ao lançamento de Pure Mania (1977) seria o mais marcante do movimento, e os jovens punks contavam com diversos trabalhos de qualidade, e com certeza um dos melhores era o Pure Mania. Com letras que se ajustavam a revolta experimentada pela juventude da época, podia-se ouvir versos como esse, que está na faixa Bad Time:

Well I've been havin' a bad time,
Since I was twenty-two.
I never had a chance in life,
Used to get trodden on in school.

E algumas canções singelas, com intimições amorosas da maior simplicidade, como podemos ouvir em Baby, Baby, single mais famoso do disco (e da banda):

Baby baby baby,
Won't you be my girl.


No aspecto sonoro, não deixa a desejar, afinal, conta com músicas rápidas, típicas do punk, mas com solos que parecem uma eternidade (de tão bons que são). Tem uma pegada mais pesada, a bateria forte, com o baixo bem marcante. E o vocal de Knox é uma atração a parte.

É disco do bom, de uma puta banda, que merece bem mais reconhecimento do que o usual.
Set List

1- Into the Future....
2- Yeah Yeah Yeah
3- Sweet Sweet Heart
4- Keep It Clean
5- Baby Baby
6- No Heart
7- She's Bringing You Down
8- Petrol
9- London Girls
10- You Broke My Heart
11- Whips and Furs
12- Stiff Little Fingers
13- Wrecked on You
14- I Need a Slave
15- Bad Time

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In Rainbows - Radiohead

Não tenho como avaliá-lo no momento, pois ainda não o escutei o suficiente para poder escrever algo. Li em algum lugar que 'In Rainbows' seria o disco mais rock desde 'The Bends'. Isso é verdade. Posso adiantar uma coisa: está muito bom! E nós, fãs de Radiohead, finalmente temos material novo para ouvir por mais uns quatro anos!

Se eu pudesse destacar alguma música, na primeira impressão que tive, 'Jigsaw Falling Into Place' seria a mais indicada. 'Bodysnatchers' também é sensacional.

Set List

1- 15 Step
2- Bodysnatchers
3- Nude
4- Weird Fishes/Arpeggi
5- All I Need
6- Faust Arp
7- Reckoner
8- House of Cards
9- Jigsaw Falling into Place
10- Videotape

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Friend and Foe - Menomena

Se você juntasse três músicos, onde cada um sabe tocar uma infinidade de instrumentos, o que você imagina que resultaria? Não imagine. Ouça. Ouça o som do Menomena. Foda-se se eu estou lhe intimando a ouví-los. O som que esses caras de Portland (Oregon) fazem, lhe impulsiona a correr e compartilhá-lo com quem você conhece. São três músicos quem sabem de tudo um pouco: Brent Knopf na guitarra e teclados, Justin Harris no baixo, guitarra, sax barítono e sax alto e Danny Seim na percurssão. A banda ainda tem um trunfo exclusivo: eles utilizam um programa desenvolvido por Brent Knopf chamado Digital Looping Recorder, que os ajuda na composição das músicas, misturando diversos trechos tocados em cada intrumento (como um riff de guitarra) criando uma composição musical. Parece loucura? Não parece, é.

O último do Menomena, o Friend and Foe, que foi lançado nesse ano, segue a mesma do primeiro disco (de 2003). Logo de início, a faixa 'Muscle'n Flo' demonstra a perícia de Danny Seim na bateria, com muitos ataques e pausas. O baixo de Justin Harris vem constante, trazendo um pano grosso de fundo para a canção. Brent Knopf contribui com sua voz que se ajusta ao clima criado na canção e suas habilidades com o teclado. A voz de Knopf em alguns momentos em que alcança o auge, lembra Tunde Adebimpe, vocalista do Tv on the Radio. Aliás, não deixe de associar essas duas bandas, elas têm muito em comum. A segunda faixa The Pelican é marcada por notas graves e repetidas de piano, que sustentam boa parte da canção. E quando tudo parece mais uma composição de cunho lo-fi, a bateria, a guitarra e o baixo se fundem numa esfera sonora tão intensa que causa arrepios. Todo o arranjo, todas as inclusões de trechos vocais para adornar mais a canção são indescritíveis. Vã tarefa é explicar. Ouça. E as faixas continuam empolgando, trazendo novas experiências com o dinamismo do trio. A música 'Boyskouts Sweetboyskouts' foi a que mais me chamou atenção. O início te mpurra para aquelas canções infantis entoadas com assovios. O sax barítono (que Justin Harris toca muito bem) que preenche a canção mistura-se com a bateria e o baixo e faz lembrar do Morphine. Claro que essa comparação é mais pro lado da composição instrumental que para o som que sai dessa mistura. Na metade da música você já está de olhos fechados tentando captar o som do teclado (que é constante ao fundo), do baixo, bateria e claro, o sax que tempera tudo isso. Ah! É bom lembrar que ao chegar no refrão, aqueles assovios do início, acompanham a harmonia do vocal, fazendo de toda essa mistureba uma ótima sensação de ritmo.

Prometi à mim mesmo que não iria mais fazer artigo sobre uma banda e acabar analisando o disco inteiro. Por isso, acho mais legal comentar somente sobre essas três faixas, e lhe deixar curioso para baixar outros trabalhos deles (que logo disponibilizarei aqui no blog). Tem muita qualidade e demonstra uma coragem que muitas bandas não têm, coragem ao desbravar novos territórios utilizando os bons e velhos instrumentos. Muita gente já colocou sax no rock, mas o som do Menomena não se limita aos parâmetros do jazz-rock ou da influência que esse mesmo exerceu sobre o rock. Ouça e comprove o que estou escrevendo.

Set List

1- Muscle 'N Flow
2- The Pelican
3- Wet & Rusty
4- Air Aid
5- Weird
6- Rotten Hell
7- Running
8- My My
9- Boyscout'N
10- Evil Bee
11- Ghostship
12- West

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Experimente! Ouça a segunda faixa do álbum!


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Cease to Begin - Band of Horses

Para quem gostou do som da banda de Seattle, que lançou seu primeiro disco em 2006, chamado Everything All the Time, vai gostar ainda mais quando ouvir o disco Cease to Begin, que será lançado no dia 08 deste mês. Não me considero um privilegiado por ter ouvido antes do lançamento, afinal, hoje em dia isso não é mais uma 'exclusividade'.

Não ouvi o suficiente para dar uma opinião correta. Mas posso garantir que está muito bem tocado, bem produzido, afinal, o disco é da Sub Pop. Não foge muito da pegada do primeiro disco, e isso é bom, pois acredito que não seja uma oportunidade propícia para mudanças, até porque é o segundo trabalho, e não há som parecido com o deles, o que quer dizer que eles estão naquela de explorar ao máximo a fórmula que os tem levado ao sucesso, levando em consideração que em 2006, o seu primeiro disco foi considerado o melhor do ano na lista Top 90,3 da rádio KEXP de Seattle. Se você nunca ouviu essa rádio, pelos deuses, vá conferir já!

Disco novo de uma das bandas mais promissoras que perambulam pela cena rock mundial. Vale a pena ouví-los!

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Set List

1- Is There a Ghost
2- Ode to LRC
3- No One's Gonna Love You
4- Detlef Schrempf
5- The General Specific
6- Lamb on the Lam (In the City)
7- Islands on the Coast
8- Marry Song
9- Cigarettes, Wedding Bands
10- Window Blues

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The Complete Stone Roses - Stone Roses

Para quem deseja conhecer os Stones Roses, eu recomendo esse disco. É uma ótima forma de conhecer a banda de uma forma crua, com gravações originais, muitas raridades. Como a faixa 'Sally Cinnamon' que está despida dos backing vocals (existe sim um pouco, mas somente se prestar bem atenção) e da produção maciça de estúdio.

A compilação conta com grandes sucessos como 'Elephant Stone', 'Wonderfall', 'I Am the Resurrection' entre outros. É um ótimo disco para conferir o que esses ingleses de Manchester fizeram no fim dos anos 80, como por exemplo, abrir a porteira para toda aquela leva que levava a bandeira do brit-pop, que apareceu no meio dos anos 90.

Da música mais agitada e dançante ao extremo da melancolia, os Stone Roses souberam misturar muito bem as guitarras dos anos 60 às batidas que invadiam as rádios nos anos 80. Eles já desempenhavam muito bem a função que as bandas de hoje têm a fazer: juntar influências de diversas épocas e juntá-las criando algo novo. A voz de Ian Brown emite o clima de marasmo da cinzenta Manchester e mesmo assim, tem desempenho perfeito ao entoar canções agitadas como 'She Bangs the Drums' ou ao nos afundar totalmente quando canta 'I Wanna be Adored' (puta que pariu, que música).

Embora meio atrasado (no final dos anos 80), lançaram em 1989 o disco Stone Roses. Esse é um dos dez melhores discos dos anos 80 o que prova ainda mais a genialidade inesgotável da banda, que embora tenha acabado, continua trabalhando na influência de muito som novo por aí. Aproveite ao máximo esse disco!

Set List

1- So Young
2- Tell Me
3- Sally Cinnamon
4- Here It Comes
5- All Across the Sands
6- Elephant Stone
7- Full Fathom Five
8- The Hardest Thing in the World
9- Made of Stone
10- Going Down
11- She Bangs the Drums
12- Mersey Paradise
13- Standing Here
14- I Wanna Be Adored
15- Waterfall
16- I Am the Resurrection
17- Where Angels Play
18- Fools Gold
19- What the World Is Waiting For
20- Something Burning
21- One Love

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Love - Beatles

Na verdade, o mérito, por incrível que pareça, não deve ser atribuído aos Fab Four, mas sim ao lendário produtor George Martin e seu filho Giles Martin. George Martin é considerado o quinto Beatle, pois ele é responsável pela esmagadora maioria das produções dos trabalhos da banda inglesa. Embora a banda tenha acabado há mais de 35 anos, o último trabalho dos Beatles mostra a genialidade de George Martin ao brincar com as músicas do quarteto. Autoridade o cara tem de sobra, conhece as canções como ninguém e nesse trabalho ele nos prova essa afirmação. A junção de músicas é a coisa mais fantástica! Embora você tenha ouvido as canções milhares de vezes durante sua vida, esse disco parece uma novidade. O modo como as faixas vocais são destacadas, a bateria de Ringo Starr ganha mais vida, as guitarras de Lennon e Harrison são elevadas à condição celestial e McCartney nos brinda com a genialidade de sua técnica com o baixo, desta vez mais forte.

O repertório foi preparado especialmente para o espetáculo LOVE do Cirque du Soleil (inspirado nas canções dos Beatles, óbvio) e ao ouvir, constata-se que é a trilha perfeita. O início do disco com a canção 'Because' somente com os vocais e os efeitos de 'Blackbird' (os pássaros ao fundo) são de nos deixar loucos para que a próxima faixa inicie. Falando em Blackbird, é incrível o mashup que George Martin fez ao juntar perfeitamente os violões de Blackbird e 'Yesterday'! Nos faz pensar que se trata de uma só canção. Pra mim, o grande destaque é 'Strawberry Fields Forever' que conta com citações de 'Penny Lane', 'In my Life', 'Piggies' e 'Hello Goodbye', que estão muito bem introduzidas à canção. Em 'Being for the Benefit of Mr. Kite' você nota trecho da maravilhosa 'I Want You'. Bem, para notar tudo, é necessário ouvir tudo e uma dica: não coloque na opção shuffle, ouça na sequência correta, do 1 ao 26, pois a cada mudança de faixa você nota a evolução de um som para o outro, é genial.

Eu pertenço à geração atual, geração que não viu os Beatles tocar, não viu um disco deles ser lançado. Mesmo assim, me arrepiei ao ouvir o disco pois é mais um reconhecimento ao trabalho tão breve, mas tão marcante de quatro caras que em 7 anos de sucesso, evoluiram tanto, contribuiram tanto para o rock e vai além do rock, contribuiram para solidificação da identidade da cultura ocidental moderna, afinal, quem, num futuro distante, poderá citar o século XX sem citar os Beatles? Como havia dito, embora o som seja antigo, embora o som faça parte de nossas vidas há muito tempo, LOVE nos trás uma sensação incrível de novidade relacionada aos Beatles. Por mais que esse disco seja uma coletânea, soa como novo. E fazer uma coletânea soar como novidade, só os Beatles podem.

Set List

1- Because
2- Get Back
3- Glass Onion
4- Eleanor Rigby/Julia
5- I Am the Walrus
6- I Want to Hold Your Hand
7- Drive My Car/The Word/What You're Doing
8- Gnik Nus
9- Something/Blue Jay Way
10- Being for the the Benefit of Mr. Kite!/I Want You (She's So Heavy)/Helt
11- Help!
12- Blackbird/Yesterday
13- Strawberry Fields Forever
14- Within You Without You/Tomorrow Never Knows
15- Lucy in the Sky with Diamonds
16- Octopus's Garden
17- Lady Madonna
18- Here Comes the Sun/The Inner Light
19- Come Together/Dear Prudence/Cry Baby Cry
20- Revolution
21- Back in the U.S.S.R.
22- While My Guitar Gently Weeps
23- A Day in the Life
24- Hey Jude
25- Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
26- All You Need Is Love

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Marquee Moon - Television

Lançado em 1977, Marquee Moon sem dúvida alguma é o melhor disco do Television, e na minha opinião, um dos 5 melhores da era-punk. Tom Verlaine mostra sua concepção de rock através de influências marcantes do folk de Dylan, ao swing do soul. Você pode ver pelo ritmo do baixo em 'Friction' que a marca do soul é grande. Falando em instrumento, cabe ressaltar que esse álbum é essencialmente uma obra-prima envolvida por notas e mais notas de uma guitarra virtuosa e frenética, que mudou a concepção, por pelo menos 46 minutos, que o punk devia ter músicas de apenas 2 minutos. As músicas desse disco são longas pois há uma clara procura de novos sons, novas idéias. Você pode observar na longa Marquee Moon (mais de 10 minutos) que Verlaine rastreia desesperadamente um novo estilo, prenunciando o que viria em seguida: o pós-punk. O solo dessa faixa é incrível, longo e mesmo assim não te faz lembrar da complicação do rock progressivo. É realmente um disco onde você ouve uma música de dez minutos como se fosse um rock dos Ramones, rápido e empolgante. É incrível como a faixa é bem produzida, bem elaborada, com o solo se encaixando em improvissos da guitarra. É maravilhoso ouvir Marquee Moon. Em 'Elevation' você vai saber de onde os Cardigans roubaram a introdução de 'Fool Me'. Quem conhece, vai detectar de primeira. A faixa é poderosa, com o refrão cantado junto à bateria e guitarra abrindo o caminho para uma próxima estrofe. O riff da música é clara profecia do pós-punk dos anos 80.

É realmente incrível como muita gente deprecia esse disco, o taxando de 'punk' como qualquer outro. Aqui há um punk de qualidade, há filhos do punk que sabiam que a era do punk não duraria muito tempo e já se preocupavam em dar novas propriedades ao som das ruas. É um disco genial de uma banda genial.

Set List

1- See No Evil
2- Venus
3- Friction
4- Marquee Moon
5- Elevation
6- Guiding Light
8- Torn Curtain

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Doin' Allright - Dexter Gordon

Esse clássico de Dexter Gordon, gravado pela lendária Blue Note, mostra um jazzista que iniciava uma ótima série de bons discos, terminada dois anos após, depois de 8 ótimos discos. Doin' Allright é hard-bop até a alma, lançando o sax potente e descontrolado de Gordon para todas as direções. Você vê que há um senso imenso de harmonia em cada nota executada, como você pode escutar em 'Society Red', onde no começo, o sax acompanha uma bateria em ritmo de marcha, até se desmanchar em uma suavidade. No jazz, na maioria de suas vertentes, o início das músicas sempre é a parte que fisga o ouvinte. E nessa faixa, a regra não é exceção. Em 'Doin' Allright', a variação de notas, da mais alta à mais baixa em questão de milésimos, pode até prenunciar uma melodia agitada, porém não é. A paz que essa faixa trás, com a clareza do sax de Gordon, a bateria sendo tocada com a vassourinha, fazendo ótimo acompanhamento. O baixo dedilhado sem a mínima pretensão, apenas aguardando os solos do sax chegarem. E claro, sem tirar os méritos do piano que fica ao fundo, abraçando todos os outros instrumentos, os revestindo de classe (mas do que já a tem). E o hard-bop é muito bem apresentado em 'For Regulars Only', com sax rápido e bateria pausada. E a o jazz em sua essência.

Eu poderia disponibilizar Miles Davis, John Coltrane, Charlie Parker (e eu os disponibilizarei), porém Dexter Gordon é um músico cheio de vitalidade, um destaque do jazz, cria do be-bop criado pelo genial Charlie Parker. Gordon não tem o devido reconhecimento do público em geral e sofreu desse 'anonimato' por muito tempo. Já tocou com diversas figuras consagradas do jazz, mas sempre se afastava devido às drogas e às diversas prisões. Sempre voltava com estilo, mas logo algo o afastava. Uma carreira brilhante porém conturbada marcou Dexter Gordon e vocês têm a oportunidade de ouví-lo agora.

Set List

1- I Was Doing All Right
2- You've Changed
3- For Regulars Only
4- For Regulars Only [alternate take]
5- Society Red Gordon
6- It's You or No One
7- I Want More

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Fidelity Wars - Hefner

Darren Hayman, o vocalista do Hefner, estava sofrido, no estilo bêbado na sarjeta. E o resultado de toda essa tristeza foi o disco Fidelity Wars. Aclamado pela crítica, é uma ode ao álcool e ao cigarro. As letras deprimentes, exaltam o vinho, o whisky como saídas para o sofrimento. Na primeira faixa 'The Hymn for the Cigarettes', Hayman cita diversas marcas de cigarro, sendo que todas elas o lembram algo:

Lucky Strikes remind me of my friends out on the westcoast
Camel Lights remind me of my ex-girlfriend at Christmas time
Marlboro Reds remind me of giving up in Berlin
B&H remind me of not giving up but giving in.

É incrível que letras perfeitas são aliadas à melodias agitadas e bem construídas. Claro que em muitas faixas, a depressão assola as melodias, como em 'The Hymn for the Alcohol', onde Hayman faz comparações entre sua habilidade de beber e sua habilidade de amar. Clara evidência de que foi trocado por outro cara. Um diálogo entre ele e sua ex-mulher, numa mesa onde a bebida prevelace:

Don't start me on the rum
Just because it makes me numb
Start me on the whiskey
I know whiskey is his drink
You never drank it with me
but now you drink it with him
I'm not good enough for whiskey
not good enough for you


Em 'We Were Meant to Be', aquela fase onde o homem rejeitado vai buscar consolo do amigo é muito bem retratada, sob a atmosfera melancólica de Londres:

I took a tube to the west end of London
To see a friend who I'd almost forgotten
He gave me hope that I still hadn't lost you


Tudo isso cantado numa voz de tão triste e trêmula, fica bizarra. Mas isso é um dos atrativos da música. Guitarra de leve e metais fazem a letra flutuar perfeitamente.

Esse disco é perfeito, pra ouvir com as letras à disposição. É pura reflexão e prova de que há males que vêm para o bem, afinal, sem o chifre de Hayman, esse disco não teria sido lançado.

Set List

1- The Hymn for the Cigarettes
2- May God Protect Your Home
3- The Hymn for the Alcohol
4- I Took Her Love for Granted
5- Every Little Gesture
6- The Weight of the Stars
7- I Stole a Bride
8- We Were Meant to Be
9- Fat Kelly's Teeth
10- Don't Flake Out on Me
11- I Love Only You

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