The Weirdness - The Stooges

Muita gente "esculhambou" o novo trabalho dos Stooges. A banda que havia rompido em 1974, foi um dos grandes ícones da história do punk rock. Considerado um som "proto-punk" por ter sido uma das bandas que gerou a sonoridade do punk, a pergunta é: com o punk rock já formado e cheio de vertentes, o que os Stooges tocam hoje em dia? A banda passou por diversas experiências, viu o rock se transformar diversas vezes, viu grandes nomes surgirem e caírem rapidamente. E nessa jornada de pelo menos 30 anos, os Stooges desenvolveram uma visão ampla da direção que o rock está tomando. Iggy Pop, o lendário Iguana, o imortal, como também seus companheiros Ron e Scott Asheton, parmaneceram tocando rock, lançando discos e assimilando experiências. E é nesse ponto que eu queria chegar: muita gente esperava um trabalho idêntico aos três primeiros discos da banda. Só que os tempos eram diferentes, uma nova cena surgia, o MC5 fazia intercâmbio contínuo de sons inovadores (não só o MC5) e anos depois, baseado na loucura daqueles jovens "patetas" (como diz o nome Stooges), o punk apareceu, com Ramones, Sex Pistols, Clash, Dead Boys, Dictators, Buzzcocks entre outros grandes nomes. Os tempos eram realmente diferentes. Hoje os Stooges aparecem diferentes, não em energia, coisa que jamais faltará à banda. Mas o objetivo hoje é criticar o governo, a religião, o patriotismo boçal dos EUA. Não há como localizar inovação numa banda que já inovou há tempos. Os Rolling Stones não inovam mais, se os Beatles estivessem unidos (e alguns vivos) até hoje, também não teriam inovado. Sabe por quê? Porque os tempos mudam, como previa Bob Dylan. Se eu me estender nessa discussão, faria outro post gigantesco.

The Weirdness foi uma das grandes sensações de 2007, afinal, era um trabalho inédito daquela banda que deixou saudade pra muita gente. Aqui no Brasil, há dois anos atrás, os Stooges haviam feito uma apresentação memorável (foi realmente foda!) e as expectativas aumentavam ainda mais. O som continua cru, com uma guitarra ríspida de Ron Asheton e a bateria de Scott Asheton mantendo a mesma fúria que o consagrou. O baixo está ocupado pelo excepcional Mike Watt, ex-baixista do Minutemen, o que significa que a linha de baixo continua potente, mantendo a firmeza dos arranjos originais. A voz de Iggy Pop não passa mais aquele ar de juventude, mas passa a euforia de quem venceu a juventude. É um senhor que celebra em sua voz a alegria de quem ressurgiu, com velhos companheiros para tocar sem compromisso algum, sem pressão. Apenas por diversão. 'ATM' é a primeira faixa que notamos alguma semelhança com a sordidez dos arranjos de antigamente. O riff de Ron é muito bem elaborado enquanto Scott estraçalha a bateria com diversas viradas. Confesso que ouvir esse disco me emocionou como há muito tempo eu não me emocionava. Quem lê "Mate-me Por Favor", a história nua e crua do punk, sabe da importância que Iggy e os Stooges tiveram. E parecia que todas aquelas letras do livro desfilavam no ar, os Stooges estão de volta! 'Idea Of Fun' é visceral como a música anterior, mas conta em sua letra com uma crítica direta a Bush, com sua "idéia de diversão que está matando todo mundo":

Now is the season for war with no reason

ou

My idea of fun is killing everyone

Clara alusão à figura do neurótico presidente americano. Os arranjos são pesados, ideais para uma crítica tão sarcástica. 'The Weirdness' tem um compasso mais lento, mas não deixa de ter brilhantes aparições de uma guitarra entorpecida e um baixo de Watt amortecendo as diversas pancadas da bateria. Steve Mackay desfila notas graves de um saxofone livre, leve e solto. 'Free and Freaky' tem melodia que nos remete ao The Who, com refrão rápido cheio de energia. Fácil de grudar na cabeça. A letra debocha do estilo "livre e bizarro" do povo dos EUA. Muito bom. 'Mexican Guy' tem batidas mais despersas enquanto uma grande rede sonora se preocupa em isolar a canção dentro de acordes distorcidos de guitarra ao fundo.

Se esta é a última tentativa dos Stooges, nós não sabemos. Mas que The Weirdness foi válido, isso é inegável. Brindou os fãs em sua quase desistência em ver o grupo reunido novamente. Eu sinceramente espero que sejam lançados novos discos, embora uma parte de mim não acredita na possibilidade, até levando em consideração a idade deles. Bem, os Stooges já têm seu nome e nos deram grandes discos, com grandes clássicos. Esse novo disco só vem somar os grandes êxitos dessa lenda do rock.

Set List

1- Trollin'
2- You Can't Have Friends
3- ATM
4- My Idea of Fun
5- The Weirdness
6- Free & Freaky
7- Greedy Awful People
8- She Took My Money
9- The End of Christianity
10- Mexican Guy
11- Passing Cloud
12- I'm Fried

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

"A cada dia, o Rock está mais rico" Foi isso que disse Iggy Pop aos 58 anos, antes de subir no palco do Claro que é Rock, em poucas palavras ele deu sua opinião sobre o cenário do rock mundial, e ele tem consciencia de que a ampla beleza desse ritmo musical que nos fascina e que faz pessoas como o Felipe criar blogs como esse, deve-se um pouco à ele, (há certa beleza em ver o vocalista de uma banda nova que na época abria o show do Joe Cocker, se auto-flagelar com uma baqueta e depois disso sair andando em meio a platéia)
Concordo com o Felipe que 'The Weirdness' não tem muita inovação, mas isso não desmerece o novo trabalho dos Stooges, pelo contrário, enquanto muitas outras lendas vivas do rock seguem 'somente' produzindo, eles (os Stooges) vem com um trabalho novo, e músicas inéditas, o , Mike Watt no baixo substituindo Dave Alexander, dá conta do recado(desde 2003, quando os Stooges voltaram em turnê), e o albúm mantem o mesmo frescor dos Stooges do final dos anos 60, (repare na faixa de abertura: troolin, 'mi dick is turning into a tree' já na faixa Claustrophobia a frase 'my second mind burying me alive' mostra um Stooges mais experiente, porem, não cansado)
Enfim, convenhanamos que 'the weirdness' pode ter decepcionado alguns fãs enlouquecidos da banda que 30 anos depois do ultimo disco esperavam algo mais impactante...

Mas vale a pena ter esse disco, não só pra completar sua coleção, mas como simbolo que o comodismo, não deve ser atribuido à essa banda =)

(Como fã de david bowie não posso deixar de lembrar que um dia, a muito tempo ele resgatou Iggy num sanátório, e de certa forma, possibilitou tudo isso)

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