Walking with Thee - Clinic

Talvez você nunca tenha ouvido falar da banda. Pelo menos não é muito comum, nem na mídia (viva a síndrome do underground!) e nem na roda de seus amigos (alguns são descolados pra cacete). O Clinic, nascido em Liverpool no ano de 1997 é uma junção de um acid jazz com um rock completo de qualidade - leia-se guitarra, bateria, baixo e teclado numa sincronia semelhante a de uma jam session. O saxofone quando andam ao lado dos arranjos tradicionais, faz a música serpentear pelo ar, num movimento sensual. Walking with Thee é uma ótima forma de você apreciar essa tão peculiar sonoridade. Com melodias que podem ser do rock em sua essência até as mais sombrias composições com o bendito instrumento de sopro jazzístico, o grupo nos brinda com um trabalho sério e ambicioso.

'Harmony' soa despótica ao iniciar o disco com compasso veloz e arranjos nebulosos. O vocal de Ade Blackburn junto a uma gaita melancólica e toques vigorosos e graves de piano fazem lembrar muito a versatilidade do Radiohead. É um clichê compará-los, mas é inevitável. 'The Equaliser' já conta com leve influência de R&B em sua batida. O saxofone na maior parte do tempo é sóbrio e direcionado a finalização de trechos, diga-se de passagem que é uma ótima tirada. Mas em certo momento, seu solo, em notas mais agudas, é de arrepiar. A música que dá nome ao disco, 'Walking with Thee' tem uma atmosfera densa, com súbita entrada de arranjos dominados pelo teclado. Mas as batidas seguras de Carl Turney preenchem o espaço deixando viável alguns passos de dança na pista. Os breaks que a faixa tem, com Turney espancando seu instrumento, segido do teclado e a voz de Blackburn gritando "NO!" é o trecho que fixa a música na cabeça. 'Pet Eunuch' tem um vocal invocado num estilo Johnny Rotten nos acordes punks do Wire (alguém lembra?). Não faria feio se figurasse entre as músicas punks no fim dos anos 70. 'The Vulture' rasteja com seu baixo alinhado a um toque jazzístico da bateria. Notas agudas de piano permanecem teimosas ao fundo, fazendo um ótimo efeito. O sax é um show à parte, com variação frenética das notas em alguns momentos, mas realmente o que impressiona é quando uma nota é fixada e prolongada, em meio a todo o ambiente ocasionado.

Os críticos dizem que não houve inovação nesse disco, em relação ao seu antecessor Internal Wrangler. A crítica mudou de 2002 pra cá? O Interpol lança o Our Love to Admire, um som que é uma cópia dos trabalhos anteriores, sem inovação alguma e é aclamado. Não estou dizendo que seja ruim se manter focado numa direção de trabalho. Se for preciso, repita a fórmula por dois discos seguidos, não tem problema. Mas o que acho errado é a crítica aclamar uns e desmoralizar outros. O trabalho da banda deu certo. E nesse disco, continua dando.


Set List

1- Harmony
2- The Equaliser
3- Welcome
4- Walking With Thee
5- Pet Eunuch
6- Mr. Moonlight
7- Come into Our Room
8- The Vulture
9- The Bridge
10- Sunlight Bathes Our Home
11- For the Wars

Baixar o disco!

DICA: Se você quiser localizar um disco ou artista, veja nosso menu ao lado direito da tela ou simplesmente pressione Ctrl + F para localizar.

2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

cara esse disco é maravilhoso. a sua resenha está perfeita para descrever o som dos caras. dica: seria importante vc colocar alguns discos do The Wire, pois existe muita gente que não conhece essa banda, e assim como o Clinic, foi uma banda muito injustiçada pela mídia.
grande abraço!

Emerson Facão

ps: pra vc que curte bons sons, vou dixar o linka do som que eu faço. o nome da minha banda é Nocturno.



http://www.myspace.com/bandanocturno

cara esse disco é maravilhoso. a sua resenha está perfeita para descrever o som dos caras. dica: seria importante vc colocar alguns discos do The Wire, pois existe muita gente que não conhece essa banda, e assim como o Clinic, foi uma banda muito injustiçada pela mídia.
grande abraço!

Emerson Facão

ps: pra vc que curte bons sons, vou dixar o linka do som que eu faço. o nome da minha banda é Nocturno.



http://www.myspace.com/bandanocturno