Tango - Vitor Ramil

Vindo de uma família de músicos onde se destacaram seus irmãos Kleiton e Kledir, muita gente o considera um artista acima de tudo gaúcho. Em parte, é verdade. Embora tenha morado no Rio de Janeiro por 5 anos, e feito um relativo sucesso com suas composições, sempre manteve a paixão pela terra natal, seja na questão de costumes ao tomar um bom chimarrão semi-nu no calor do Rio ou biológicamente, sentindo saudades do clima frio de Pelotas (como está detalhado em seu livro 'A Estética do Frio'). E foi nessa 'fase carioca' que Vitor Ramil lançou o disco Tango, no ano de 1987. Em relação aos discos anteriores, Tango é mais conciso em questões instrumentais (não apresenta tanta diversidade dos experimentalismos anteriores), porém conta com ótimas letras, menos poéticas é verdade, mas não deixava de exibir brilhantismo ao contar longas histórias ou fazer jogos com palavras. Por não exigir tão excentricidade, da espaço para ótimas participações dos músicos.

'Sapatos em Copacabana' mostra em sua letra uma visão poética de um jovem em exílio, numa terra que ele insistia em dizer que, embora fosse no mesmo país, se mostrava diferente. Ali ele estava tentando a vida, a fama, no grande centro da indústria músical. Ele encara o desafio certo que a juventude é seu maior trunfo:

Sei que não tenho idade
Sei que não tenho nome
Só minha juventude
O que não é nada mal


'Virda' é um curto jogo de palavras em meio a fortes toques de pianos que remetem ao tango argentino. Se a faixa anterior tinha um pouco mais de um minuto, a próxima faixa 'Joquim' tem quase nove minutos. É excepcional em seu começo, com a voz branda de Ramil e um ótimo acompanhamento de piano. A letra conta história de um idealista, revolucionário, gênio inventor que morava em Satolep, a cidade inventada por ele que vem do nome Pelotas ao contrário. É uma longa história de revolta contra a burocracia brasileira. Conta com ótimos solos do saxofonista Leo Gandelman, grande nome do jazz brasileiro. 'Nada a Ver' tem influência de Milton Nascimento, que inclinava sua canção para a new-wave, mas sempre incluíndo alguns elementos brasileiros, como a percurssão. Carlos Bala faz um ótimo trabalho na bateria da música. O baixo do célebre Nico Assumpção se entrelaça as enérgicas notas de piano.

O Rio Grande do Sul é um berço genial de música. Muita gente acha que é só do rock que saem grandes nomes. Mas da MPB saiu Vitor Ramil que não pode ser considerado injustiçado, pois diferente de muitos artístas que não têm condição de subir ao eixo rio-sampa, Ramil teve a oportunidade. Voltou graças ao chamado do frio dos pampas, mas embora seja um tanto isolado, tem lugar cativo entre os nomes de nossa música.

*Sugestão de Ricardo

Set List

1- Sapatos em Copacabana
2- Mais um Dia
3- Virda
4- Joquim
5- Passageiro
6- Nada a Ver
7- Nino Rota no Sobrado
8- Loucos de Cara

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

"Vitor Ramil" é um dos melhores expoentes da música gaúcha. Quem já ouviu, sabe que "Satolep" nunca mais será a mesma...

pipoko, muito bom comentário! escreveste bem praca