Do or Die - Dropkick Murphys

Se fazendo valer da mistura da tradição irlandesa com o vigor do punk rock, o Dropkick Murphys não só resgata alguns elementos da tradição da Irlanda, como também mantém vivo melhor do verdadeiro punk. Hoje em dia você vê de tudo: pop punk, dance punk, disco punk... mas a essência, a displicência do movimento anda fora de pauta nas letras e nas músicas. A maioria tem a tendência de por seus coturnos num mundo mais pop. Mas essa banda de Boston (cidade símbolo da imigração irlandesa nos EUA) vocifera com fúria em meio a influências baseadas no estilo do Oi! e nos acordes do hardcore, sendo muito comparado com por exemplo, o Pennywise, NOFX entre outros grandes nomes do hardcore americano. Agora um erro que acho que muita gente comete, principalmente a crítica é chamar o som deles de celtic-punk. O som deles é essencialmente punk com adição de alguns elementos tradicionais, mas o som deles não se baseia em gaitas de foles, muito pelo contrário. Quem os ouve, percebe que algumas músicas contam com essa característica, mas a maioria é bateria, baixo e guitarra. Do or Die foi lançado em 1998 e foi produzido por Lars Frederiksen do Rancid, por isso você pode perceber algumas semelhanças no som das duas bandas, como por exemplo nos acordes apimentados do baixo, ressaltados em diversos trechos do disco. Era o primeiro disco lançado pela banda, e uma expectativa existia graças a ótimos EPs como o Boys on the Dock. A banda não deixou os fãs na mão, lançando um trabalho que, além de ser bem produzido por um rato velho da cena hardcore, ostenta uma vitalidade aliada a ótimas interposições de melodias mais amenas.

'Cadence to Arms' é uma tradicional melodia irlandesa, tocada em gaita de foles. Um tempo depois é adicionada uma pitada de caos e de repente o ontem dança com o hoje. Serve como introdução ao público, como se dissessem: "hey! somos irlandeses, porra!". 'Do or Die' vem no compasso do hardcore, cujo qual todo o público já estava acostumado a ouvir com o Social Distortion, por exemplo. É uma canção breve mas sintetiza o ambiente geral do disco. 'Get Up' já tem uma linha de acordes iniciais mais aguda, é ensandecida pela voz bradante de Mike McColgan que se une numa atmosfera pesada com diversas viradas de bateria e um baixo que de forma valente carrega no colo todo o arranjo. A letra seria um tipo de homenagem à missão do punk rock:

Since '77 they've made music for me and you
Playing punk rock songs while the bombs they blew
Now I suspect these songs are about pain and strife
But I'll tell you this, they didn't waste their life


'Caught in a Jar' é a pausa necessária pra "quebrar o gelo". Mas essa pausa ensaia algumas rasgadas de guitarra no refrão, mas o que domina e destaca a faixa são os trechos em marcha da bateria de Matt Kelly, leves acordes de guitarra dedilhados por Rick Barton e um tom mais brando do vocal. Diabos, 'Memories Remain' me faz lembrar a linha de guitarra dos Sex Pistols. 'Fightstarter Karaoke' é música pra "fanfarrão" nenhum botar defeito:

Riot tonight, everybody let's go gonna start a fight
But with who I don't know!

Parece até hino de hooligans. 'Barroom Hero' começa no estilo irlandês até assumir o ritmo que arrasou as ruas inglesas nos meados de 1977. Batidas aceleradas, urros e "hey-hey-heys" atravessam a faixa, que conta com aquele ritmo de marcha entrelaçados à acordes distorcidos.

O disco foi uma ótima estréia de uma banda que se firmou na cena underground e teve um folego extra ao ter uma música (I'm Shipping Up to Boston) incluída no filme "Os Infiltrados", que foi muito bem relacionada com o clima de máfia irlandesa e brigas sanguinárias. O Dropkick Murphys é um bom exemplo da continuidade da eficiência do hardcore nos EUA.

*Sugestão de Jack

Set List

1- Cadence to Arms
2- Do or Die
3- Get Up
4- Never Alone
5- Caught in a Jar
6- Memories Remain
7- Road of the Righteous
8- Far Away Coast
9- Fightstarter Karaoke
10- Barroom Hero
11- 3rd Man In
12- Tenant Enemy #1
13- Finnegan's Wake
14- Noble
15- Boys on the Docks
16- Skinhead on the MBTA

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Cara, parabéns pelo seu trabalho. Gostei muito do texto, ficou excelente. Obrigado por disponibilizar este álbum. Dropkick Murphys e Rancid são minhas bandas favoritas. Valeu!

texto show, mas o link ta off.