Cross - Justice

Muita gente já alcunhou o som do Justice de dance, de house e o cacete a quatro. Mas a verdade que ele é mais um disco revival. Uma batida herdada do mais puro R&B e aquele baixo saliente são o sufuciente para perceber que a maior inspiração deles foi o disco e seus maiores expoentes como era o caso do KC and the Sunshine Band ou os Bee Gees. Existe uma linha pop bem semelhante a do Michael Jackson, mas não se engane, é uma mistura que ocasiona uma coisa diferente. Poderíamos chamar de eletro disco. Cross ou apenas '' trás de volta o vigor das pistas. Lançado nesse ano, foi uma verdadeira sensação na Europa, de onde a dupla saiu - mais precisamente de Paris, França. O disco triunfa sobre as comparações com os conterrâneos do Daft Punk que soam mais robóticos e menos disco. O Justice trás uma sensação de que algo que foi roubado foi restituído. Mas duvido que isso desencadeie uma nova onda de disco music, embora eu suspeite muito da nossa geração que adora criar uma onda retrô de não sei-o-quê-lá.

'Genesis' significa começo, e como na Bíblia, o disco se inicia. Com ares de filme épico da Hollywood dos anos 40, de repente o ritmo começa com o sintetizador descendo o cacete com efeitos supersônicos em meio a interposição de uma batida cheia de groove e um baixo ainda tímido. 'Let There Be Light' mantém uma semelhança com as páginas do primeiro livro bíblico ao dizer "que haja luz". E como numa evolução do escuro para o claro, o ritmo começa repetido e simples, até que um clarão de arranjos resplandece com um baixo mais atirado e as batidas, num sample parecido com a da primeira faixa, mas cheio de efeitos longos que atravessam a melodia. Com uma certa inocência vocal, 'D.A.N.C.E' é a mais célebre das faixas, uma verdadeira exaltação do ritmo que arrebatou muita gente nos anos 70 e 80 (inclusive meu pai, de boca de sino e cabelo estilo John Travolta). A harmonia é contruída em sua maior parte por um baixo flexível e uns efeitos de notas de violino. Umas notas de guitarra ao fundo, naquele estilo groove, garantem o total teletransporte para aquela época. 'The Party' tem um vocal feminino muito parecido com o timbre da Lovefoxxx do CSS e o desleixo da M.I.A. De melodia simples, a música tem seu encanto com alguns trecho de alternação de batida com notas de orgão (um efeito). 'DVNO' já é mais focada no vocal, é repentina e urgente em sua harmonia, como se fosse um Death from Above em versão disco.

É uma grata descoberta e uma ótima alternativa pra quem quer dar um tempinho no rock. Tem um som relaxante, que tem rock em sua atitude (a dupla fazia covers do Nirvana e do Metallica antes de formarem o Justice), o que garante ótimos momentos de balanço, nem que seja o balanço da cabeça, acompanhando toda a levada das batidas.

Set List

1- Genesis
2- Let There Be Light
3- D.A.N.C.E.
4- Newjack
5- Phantom
6- Phantom, Pt. 2
7- Valentine
8- Tthhee Ppaarrttyy
9- DVNO
10- Stress
11- Waters of Nazareth
12- One Minute to Midnight

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