Bows and Arrows - Walkmen

Eles têm apenas 7 anos de existência, mas causaram estardalhaço com o primeiro disco Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone. Com uma sonoridade pesada proporcionada por uma guitarra obstinada e um baixo assimétrico, aliados à execuções brilhantes de bateria, que diversificam muito nas tomadas de percurssão, o Walkmen é um ótimo exemplo da qualidade da nova safra do rock. O post-punk racional aplicado à estética grotesca dos acordes rasgados do garage rock marcam a principal característica dessa banda de Nova York. Bows and Arrows é um trabalho diligente em não deixar escapulir o objetivo sonoro do grupo, embora possamos encontrar variações na levada dos arranjos. Mas se usarmos uma ótica geral e resumida do disco lançado em 2004, notaremos que há uma notável coesão de ambição entre a banda.

'The Rat' é a mais brilhante e empolgante faixa do disco. Aqui realmente tem início o trabalho do Walkmen. Aquela perícia aguçada de Matt Barrick ao conduzir a bateria em ritmo instável é só um dos atrativos. A voz de Hamilton Leithauser é ríspida e angustiada. A sua guitarra aliada com a de Paul Maroon levantam uma muralha de distorção e improvisos criando uma proteção para todo o arranjo, que se abriga nas notas aceleradas e contínuas dessas guitarras. 'Little House of Savages' é imediata em sua explosão com uma bateria que permanece num compasso acelerado e sem muitos ataques. A guitarra teima em circundar os arranjos, agora com um fino fio de notas graves. O baixo aparece espalhando uma segurança admirável a toda harmonia da faixa. 'The North Pole' tem batidas sujas e um vocal mais aberto, mais largado. Como sempre, acordes de guitarras preenchem e suportam a melodia enquanto a mesma apresenta subidas e descidas de intensidade. 'Hang on, Siobhan' é a pausa que o disco precisava, o fôlego a ser tomado. Lembra as canções serenas que o Cold War Kids anda criando. O piano doce em notas agudas cria uma melodia de caixa de música, lembram? É pura em sua essência e deprimente em sua letra:

I've been up half the night so get off it or leave
We're singing a song, we don't care if we're wrong
Have a drink on each other, and call it a day
You're calling me back, when the money is gone
That's all and for us


O disco é uma ótima resposta para aqueles críticos que tocam o terror quando o assunto é o segundo disco. Não há mistério algum. A banda não precisou fazer esforços para confirmar seu espaço. Há uma grande pressão desnecessária em cima das novas bandas. Como se fosse obrigatória a perfeição. O segundo disco virou um mito ridículo, pois se o segundo trabalho sair fora das expectativas, significa que a carreira acabou ou que a fonte secou. O Walkmen trabalhou sob a confiança de suas habilidades e sem preocupação lançou seu segundo disco, derrubando o mito dos críticos que flutuam no maldito mar do hype.

Set List

1- What's in It for Me
2- The Rat
3- No Christmas While I'm Talking
4- Little House of Savages
5- My Old Man
6- 138th Street
7- The North Pole
8- Hang on, Siobhan
9- New Year's Eve
10- Thinking of a Dream I Had
11- Bows + Arrows

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Tá aí um álbum que baixei por curiosidade mesmo, já que não conhecia a banda. Mas eu gostei muito mesmo, ótima banda! Só nesse blog que eu encontro essas coisas finas. Parabéns pelo blog Felipe, tas mais do que de parabéns.

Ai cara esse disco marcou epoca na minha vida...e seu blog é muito bom...alias recomendo que ouça o novo disco do The Walkmen... esta muito bom...

Juliano