Black Holes And Revelations - Muse

Diacho, se você começar a traçar as influências do Muse, vai encontrar muita coisa. A banda inglesa formada em 1997, geralmente é comparada ao Radiohead (já toco nesse assunto) pelos elementos eletrônicos, o grau de excentricidade e complexidade dos arranjos e letras. De Jeff Buckley vem a perfeição na disposição de instrumentos, na composição minuciosa de cada acorde e como tudo é unido em belas canções. A musicalidade e harmonia do Suede é bem presente nos trabalhos do Muse. As influências são realmente uma seleção de grandes bandas e músicos, mas o que faz do Muse algo diferente e o que proporciona o sucesso do qual gozam hoje em dia? A capacidade de assimilar, de digerir características de seus "mestres". A banda não pretende soar idêntica às suas influências (como por exemplo o The Vines e The Subways que são cópias cagadas do Nirvana), mas prefere utilizar um efeito aqui, um batida ali, algo similar, mas não igual. E eles cumprem essas pretensões em Black Holes And Revelations. O disco lançado em 2006 foi aclamado foi sucesso de público, crítica e 'bilheteria'. Todo mundo falou bem, salvo alguns "xerifes old-schools" que torceram o nariz e disseram: "ah, querem ser o próximo Radiohead". Não há base para uma declaração tão infantil como essa. O Muse com certeza sabe que o Radiohead está longe do fim e é preciso fazer muito pra se equiparar ao som da banda de Thom Yorke. Existem sim, semelhanças entre as duas bandas, e não posso tirar razão de quem observa tais semelhanças. O que muita gente não pensa é que os ventos do rock estão soprando para um ritmo mais eletro, com fusões de efeitos de sintetizador com um rock mais pesado, enfeitado com notas de piano. O Radiohead foi um dos pioneiros em nossa geração nessa tendência, mas não se pode condenar o Muse por seguir a tendência do rock. O rock se reinventa, e se não há mais o que ser inventado, o rock "inventa um jeito de inventar". E é nesse caminho que o Muse vai: no grande desafio de nossa geração: mesclar influências e trabalhar para que soe como novo.

'Take A Bow' é reflexiva, progressiva, sombria e imprevisível. Um ótimo começo para um disco tão diferenciado. A voz de Matthew Bellamy permeia toda a massa sonora composta por efeitos eletrônicos, um baixo poderoso, bateria ríspida e uma guitarra assombrosa de tão grande que é a presença de suas notas. A atmosfera vai se densificando, à medida que o som vai se intensificando e nos dá uma impressão de afunilamento sonoro, como se tudo fosse se comprimindo num funil que não dá em nada, apenas um silêncio. Lembra muito o Queen, pelos acordes de guitarra e pelas harmonias vocais. 'Starlight' é um dos sucessos do disco, singelos toques de piano que dão à melodia uma face graciosa, em meio a uma batida regrada num compasso fixo e bem coordenado. O baixo de Christopher Wolstenholme é excepcional na criação da corrente harmônica da faixa. A música se vale de ótimos altos e baixos de intensidade. A guitarra tarda, mas não falha. Finaliza a canção com um ótimo trecho de sincronia de intrumentos. 'Supermassive Black Hole' já é mais encorpada com batidas mais cadenciadas, aquela levada mais R&B repleta de acordes de guitarras. A voz de Bellamy assume um tom agudo, perfeita combinação com os efeitos que sublevam no refrão, intercalados por backing vocal muito bem introduzidos. Um riff aparece para enriquecer as ondas sonoras. A harmonia vocal é perfeita. 'Soldier's Poem' conta com acordes e a estrutura em geral bem parecidos com os daquela música do Elvis Presley, Can't Help Falling In Love. Ouça as duas. Com certeza você traçará paralelos. A riqueza harmonica das vozes é incrível. 'Assassin' vai em contrapartida do disco e despeja notas graves de metal. Mas não se assuste, tudo sob a sensibilidade musical da banda, que transforma as hostís notas em bela canção. 'Knights Of Cydonia' é ambiciosa, pela diversidade de rumo que a melodia toma, pela longa introdução instrumental e pela valorização vocal no andar da faixa. A letra narra uma luta contra a mistura de descrença com Deus e sua humanidade e a eterna sensação de abandono:

Come ride with me through the veils of history
I'll show you a God falls asleep on the job
How can we win when fools can be kings?
Don't waste your time or time will waste you

Ótimos trechos vocais abrindo espaço pra ótimos momentos de puras notas de guitarra nos remetem novamente à ópera-rock do Queen naquele disco A Night at the Opera.

O disco é um marco muito significante em nossa década. Não criou nada novo, mas abriu portas para que outras bandas experimentem mais, incrementem mais e não tenham medo das possíveis comparações. Assimilar ótimas influências e criar novas idéias é o caminho que nossa geração deve seguir. E o Muse prova nesse disco que esse caminho é o correto.

Set List

1- Take a Bow
2- Starlight
3- Supermassive Black Hole
4- Map of the Problematique
5- Soldier's Poem
6- Invincible
7- Assassin
8- Exo-Politics
9- City of Delusion
10- Hoodoo
11- Knights of Cydonia

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6 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Coincidencia não, ia indicar o absolution, album de mais sucesso desses britânicos, e do nada, ao pressionar F5, aparece o Black Holes And Revelations, ultimo album dessa baita banda,
Matthew, Dom, e Cris, estão juntos desde o inicio da decada de 1990, mas o MUSE, só surgiu mesmo em 1997, diante da preocupação de seus integrantes com o futuro que teriam, sem universidade, entediados com sua cidade fria e chuvosa, e Matthew tinha um motivo a mais pra querer uma banda que se firmasse no cenário britânico: a necessidade dele em canalizar sua raiva em algo, a crença de que o verdadeiro sentido do rock é esse, explodir os mais intensos sentimentos em bons acordes, duas claves de piano muito bem tocadas, e uma voz num tom descomunal, um tom maior até que o Thom Yorke, (realmente, eu sou um entusiasta dessa banda, e de seu vocal e principal guitarrista)
Acumulam indicações a premios, recentemente ganharam o de melhor show, no Q awards, (realmente, muito boa a performance dos caras)
mas somente ouvindo toda a obra pra saber do qe eu falo, as habilidades guitarristicas de Matthew, no segundo album 'Origin of simmetry' os agudos diferentes a cada album, a complexa produção e arranjos, enfim, sem comparações infundadas ou coisas do genero, MUSE é uma banda que vale a pena ser ouvida e analisada.

ps. vamos movimentar esse blog galera! há muito a se falar sobre todas essas bandas que o Felipe já postou aqui.

Este comentário foi removido pelo autor.

Filipe, só uma pequena correção: o Primal Scream já trilhava nesse caminho(eletro,jazz, o soul e a eletrônica, sintetizadores e etc.) antes mesmo do Muse. aliás é outra banda que é muito injustiçada. para mé o Primal é uma das maiores bandas do mundo, que teve por uma certa época um dream team do Rock:
Gillespie é ex-baterista do Jesus & Mary Chain, um ex-guitarrista e um ex-tecladista do Felt (Robert Young e Martin Duff, respectivamente), um ex-baixista do Stone Roses (Mani) e um ex-guitarrista do My Bloody Valentine (Kevin Shields). é uma puta banda. tenho aqui o melhor shows deles que foi gravado no Japão em 2003.
abs

Disco muito bom!
Adicionado aos que eu sempre ouvirei.

Tipo vc escreve mt bem"" Eu que n conhecia a história da banda! adorei sua pekena resenha!
parabéns!