At Action Park - Shellac

ESPECIAL STEVE ALBINI - Parte 3

O "fim" do especial não significa um final. Temos que considerar que o Shellac (ou Shellac of North America), banda formada por Steve Albini em 1992, dura até hoje. Com trabalhos mais coesos que os anteriores, Albini mostra uma maturidade que já o seguia por um tempo, e que se mostra mais forte nos quase 16 anos de atividade. O Shellac tem um atrativo incrível: a imutabilidade de sua estrutura sonora, a essência da banda permanece a mesma, mostrando um experimentalismo tão incrível como, por exemplo, era o free jazz de Ornette Coleman, cheio de truques inimagináveis, breaks, isolamentos bruscos, e mais do que nunca, o improviso. A banda ainda conta com o genial e incansável baterista Todd Trainer (ex-Rifle Sport, ex-Brick Layer Cake) e o insondável baixista Bob Weston (ex-Sorry, ex-Volcano Suns) que se mudou pra Chicago pra tocar na banda. At Action Park foi o primeiro disco lançado pelo Shellac, em 1994, e com certeza o mais importante, por ter divulgado, apresentado a proposta do trio. Um som pesado, com Albini tocando mais que nunca sua guitarra em riffs cabais, amparado por um baixo virtuoso, com notáveis exposições e claro, a bateria resoluta, uma verdadeira arte em percussão. Tudo isso envolvido em extrema consciência, num trabalho coeso e controlado de forma brilhante.

'My Black Ass' já mostra pelo nome que Albini não renuncia sua inclinação para a polêmica. Vem com melodia soberba, com vitalidade incomparável e acordes fortes de guitarra, parecidas com o hard rock. Um aperitivo delicioso do que vem pela frente. 'The Admiral' vem com ritmo cadenciado no compasso calculado da bateria que se mostra agressiva em cada pancada. A guitarra incansável em notas aquecidas gera um certo comodismo no ouvinte, ao se acostumar com a levada incessante, mas logo em seguida 'Crow' aparece com batidas brutais e um baixo irredutível em sua missão de carregar toda a faixa. Se mostra ainda mais urgente quando o espaço da calmaria vai se reduzindo enquanto a harmonia vai ficando veloz. Enquanto isso, Albini lança seus berros encolerizados:

He flies, as a crow flies, straight to her
Why?
To tell her something
He promises her he will not do
All the things he has already done to her

É a situação das relações humanas colocadas sob o vôo de um corvo. Parece simples, mas o fato de você imaginar toda a situação, no desenrolar da música, intriga qualquer um. O Shellac transporta as situação normais da vida para uma ótica obscura enquanto os arranjos carregados dão conta de submergir o cotidiano em funestas águas. 'Dog And Pony Show' é cheia de trechos onde pequenos toques minimalistas que unem para transformar essa faixa numa das mais chocantes do disco. A voz agonizante de Albini se alterna em destaque quando sua guitarra atira ultrajes para todos os lados. Não há como confessar: o instrumental é pretensioso, irrepreensível. E não há como deixar de recomendar: ouça bem alto.

Muita gente já colocou o novo disco do Shellac, lançado esse ano, o Excellent Italian Greyhound (também disponível em nosso blog), como um disco à altura do primeiro. Realmente ficou em mesmo nível, mas não há como negar que o debute da banda foi mais direcionado a um caminho. Você pode ver que os acordes mudam, as batidas se transformam, mas o disco, todas as faixas, soam como uma só. É a integração de sons mais perfeita do rock, porque mesmo ao meio de tanto minimalismo e instabilidade, a banda consegue unir os sons. Genialidade ao extremo.

Salve Steve Albini!

Set List

1- My Black Ass
2- Pull the Cup
3- The Admiral Shellac
4- Crow
5- Song of the Minerals
6- A Minute
7- The Idea of North
8- Dog and Pony Show
9- Boche's Dick
10- Il Porno Star

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1 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Foda, foda, foda! Um clássico ainda não descoberto.