Almost Killed Me - Hold Steady

"Caramba, eu nunca ouvi essa banda!". Eu vivo ouvindo isso. E não é de se admirar, afinal, pouco se fala deles na nossa imprensa, exceto alguns artigos na Rolling Stone do começo de 2007. Mesmo assim, o destaque é quase nulo e eu gostaria muito que você ouvisse essa banda. Formada em 2000 em Nova York, a banda vai de contrapartida com a tendência musical das bandas que surgem às centenas, que caem de cara na new-wave/post-punk, o Hold Steady é baseado no blues, na técnica dos guitarristas que não se conformam com acordes simples e coadjuvantes, e num som mais pesado, mas cheio de qualidade harmônica. Solos bem trabalhados do vocalista e guitarrista Craig Finn e do excelente guitarrista Tad Kubler. A linha de guitarras faz lembrar muito dos Replacements, com sucessão de diversos acordes bem alinhados e distorcidos. As batidas são pulsantes e fazem jus à missão da banda: tocar um rock completo, ou melhor, um som com cara de rock. 'Almost Killed Me' é o álbum de estréia da banda, no ano de 2004 e foi muito bem recebido pelos críticos que cansados de tanto hype com bandas que se diziam influenciadas por Velvet Underground, Joy Division, Talking Head, Blondie e etc, viram no Hold Steady não uma salvação do rock, mas a salvação dos ouvidos. É claro que bandas como o Wilco estavam agraciadas pela crítica por não se renderem ao hype, não mascarem aquele arroz-e-feijão que o rock havia se tornado, mas o Hold Steady é mais vigoroso na extensão de suas músicas, sem muitos trechos de experimentalismo, seguindo uma melodia franca, límpida e coesa.

O disco começa com a ótima 'Positive Jam', ditada e alarmante é ornada de pequenos acordes ao fundo, enquanto Finn narra uma história incrível de viagem entre as décadas dos anos 20 até hoje em dia. Realmente é interessante acompanhar a letra e veja o que ele diz sobre sua passagem pelos anos 80:

The 80's almost killed me
Let's not recall them quite so fondly.

Seria uma crítica às bandas que relembram em demasia o ritmo oitentista? Com certeza sim, e isso se conecta com aquela fuga que eles fizeram do new-wave/post-punk que citei acima. Depois um ritmo pesado esmaga a levada contínua de acordes e exibe notas mais apuradas e aceleradas. 'Barfruit Blues' é baseada num baixo rijo e seguro, dando as coordenadas para todo o arranjo. Guitarras chiadas se acumulam como ondas violentas, se chocando em uma canção que não perde melodia, mesmo tendo tamanho arsenal sonoro. 'Most People Are DJs' entra em palco com forte influência de Thin Lizzy, com sua presença incrível, ataques rápidos nas cordas das guitarras, e pontes bem construídas para o refrão. A bateria é instável, mas tem um compasso ritmado, sincronizado com a guitarra que repete acordes agudos e inflamados. Finn é frenético em seu canto, não respira em momento algum, somente nos trechos memoráveis de solos. É uma verdadeira viagem. 'Certain Songs' é síncope, aparente morta (levando em consideração as últimas faixas), o piano é agente ativo e diferenciado no decorrer da música. Sim, a melodia se exalta num rock forte e rasgado. A bateria alterna entre um compasso pausado, ou marchado ou constante. É poderosa em suas manobras e ataques.

Se você é fã de bandas que centralizam a guitarra como a musa de suas canções, você vai se apegar a essa banda. Mas também têm como forte letras bem escritas, com sentido explícito e indiretas constantes. Uma espécie de rock setentista, sem a imaturidade de quem está começando agora. Embora a banda seja nova, o grupo tem muito tempo de rock. Vale a pena conferir.

Set List

1- Positive Jam
2- The Swish
3- Barfruit Blues
4- Most People Are DJs
5- Certain Songs
6- Knuckles
7- Hostile, Mass.
8- Sketchy Metal
9- Sweet Payne
10- Killer Parties

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