Through the Windowpane - Guillemots

Uma banda multinacional. O vocalista inglês, o baterista escocês, a baixista canadense e o guitarrista brasileiro. Talvez esse seja o maior motivo da diversidade musical contida nesse álbum. O guitarrista MC Lord Magrão achava o som do Guillemots pop demais, por isso se comprometeu a dar uma cara mais psicodélica aos arranjos. Funcionou. O som da guitarra assume formas mínimas, pequenos detalhes das músicas, com dedilhadas caprichosas nas cordas, que diferenciam o cenário que se forma quando o disco é executado.

Through the Windowpane foi lançado em 2006 e para mim, foi um dos melhores discos do ano. Por mais que muita gente o considere pop demais para figurar entre os discos rock, existem muitos elementos do rock presentes. A primeira faixa 'Little Bear' é serena, entoada com piano e violino, lembrando as velhas canções de Hollywood, nos meados dos anos 40 e 50. A segunda música, 'Made Up Love Song #43' já tem outra cara, é mais agitada. Tem uma poesia excêntrica e abstrata, como podemos ouvir em alguns versos:


Now there's poetry, in an empty coke can

ou

The best things come from nowhere

A bateria marcada com a potência do contra-baixo dançam com a psicodelia da guitarra, deveras citada. A voz de Fyfe Dangerfield chega a um agudo potente, sem se tornar feminino. Existe uma variação incrível de tons em sua voz. Um espetáculo à parte. Em seguida 'Trains to Brazil' (música dedicada ao brasileiro morto em Londres confundido com um terrorista) começa com bateria diversas vezes no ataque, com vozes de criança ao fundo. O riff simples de Mc Lord Magrão ajuda a caracterizar a canção. No meio da música os arranjos são enriquecidos com a presença de instrumentos de sopro. Sucesso. A harmonia celestial de 'Redwings' encanta. Se ela permanecesse no embalo que começa, destilando paz, ficaria ótimo. Mas fica melhor ainda, quando a bateria da ares colossais a música. O acompanhamento vocal que a baixista Aristazabal Hawkes transporta a música ao êxtase final. É realmente linda. A voz de Fyfe é colocada à prova na música 'Blue Would Still Blue', e é aprovada, com uma quase acapela. 'Annie, Let's Not Wait' conta com um compasso próximo ao samba. Se bem que há um samba regado à psicodelia no final dessa faixa, clara influência do brasileiro da guitarra. Vale a pena ver o clipe dessa canção no YouTube.

Muitos críticos estão os elegendo como sucessores do U2. Mas não há semelhança entre o som das duas bandas. O U2 vive numa fórmula única, sem mudanças, sem aventuras. Apenas aquele feijão com arroz comercial que dá certo. O Guillemots já desbrava novos campos, fazendo sons originais. Esse povo adora criar novas divindades pop.

Set List

1- Little Bear
2- Made-Up Lovesong #43
3- Trains to Brazil
4- Redwings
5- A Samba in the Snowy Rain
6- Through the Windowpane
7- If the World Ends
8- We're Here
9- Blue Would Still Be Blue
10- Annie, Let's Not Wait
11- And If All...
12- São Paulo

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Pelamor... O U2 só vive de feijão com arroz... musica comercial e talz?

Quantos How to dismantle..., ops, quantos discos do U2 tu conhece senhor da verdade?

Conheço todos os discos.

E a minha opinião não significa a verdade absoluta. Mas significa a verdade pra mim, cuja qual passo pra "quem quiser ler".

Trata-se de uma questão de "liberdade de expressão", conhece esse termo?

Provavelmente você pode ler o que seus olhos desejam ler em fã-clubes do U2, comunidades do U2 no Orkut ou até no site www.u2br.com