My Aim is True - Elvis Costello

Como classificar Elvis Costello? Tarefa dificíl, levando em consideração a versatilidade de suas criações. Um homem que parecia com Buddy Holly andava em meio ao movimento punk. Embora não fosse tão radical como seus colegas reclamões, ele aprontava de vez enquando, desafiando a televisão americana, por exemplo. Nascido em Liverpool, Costello foi peça importante no pub rock, uma vertente que combatia o rock progressivo com apresentações ao vivo em pubs (bares típicos ingleses), baseadas no som pesado do R&B. Talvez por combater o rock progressivo, o pub rock tenha sido uma pitada de fúria que compunha mais tarde o punk rock. Por isso Costello foi associado ao cenário também composto por Clash, Sex Pistols, Buzzcocks entre outros.

My Aim is True é um disco muito variado, apresentando mais pegadas rock'n'roll anos 50, baseado no blues. O punk tem a característica de guitarras de três acordes e notas rasgadas. Costello tinha treze músicas muito bem trabalhadas e bem diferentes da euforia musical punk. 'Welcome to the Working Week' tem uma levada the British Invasion, com batida em compasso dançante, cheio de 'doo-dooroo', lembra aquelas músicas de bailes dos anos 60. Com diversos toques de bateria de jazz e melodia cheia de energia com guitarra parecida com a do Cream (leia-se Eric Clapton), 'Miracle Man' é fácil de ouvir. A balada romântica que antagoniza com toda a pegada geral do disco é 'Alison'. Uma música introspectiva, com letra linda e cheia de ciladas sentimentais:


Well I see you got a husband now
But you leave your pretty fingers
lying in the wedding cake

É a música mais celebrada do disco, ouvida por amantes do rock e por quem odeia o rock. É uma música de aceitação universal. '(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes' tem por trás um baixo potente junto a bateria sendo tocada em ritmo de baladinha no estilo The Band, uma faceta de humor ainda mais quando se presta atenção na letra. 'Less than Zero' é outro clássico digno de destaque. Tem aquele ambiente calmo com algumas notas de guitarra em meio a evolução da canção. Realmente o trunfo instrumental do disco é a bateria, sempre instável e cheia de compassos dançantes como citei acima. Nessa faixa a bateria se integra muito bem não só com os outros instrumentos mas também com a voz de Costello. O refrão cheio de 're-uêee' é leve, perfeito. O disco é finalizado com 'Watching the Detectives', um dub potente, com linhas arrojadas de baixo e batidas marcadas. A harmonia é muito criativa, conta com alguns efeitos sonoros e a voz de Costello complementa toda a atmosfera, combinando bem com o ritmo jamaicano.

O disco não foi um sucesso de vendas, mas aos poucos foi virando uma lenda. O ano de 2007 foi brindado por ser o ano de celebração dos 30 anos de vários discos inesquecíveis. My Aim is True também foi lançado em 1977 e é essêncial na coleção de quem gosta de um rock bem executado, dançante e acima de tudo, versátil.

Set List

1- Welcome to the Working Week
2- Miracle Man
3- No Dancing
4- Blame It on Cain
5- Alison
6- Sneaky Feelings
7- (The Angels Wanna Wear My) Red Shoes
8- Less Than Zero
9- Mystery Dance
10- Pay It Back
11- I'm Not Angry
12- Waiting for the End of the World
13- Watching the Detectives

Baixar o disco!

DICA: Se você quiser localizar um disco ou artista, veja nosso menu ao lado direito da tela ou simplesmente pressione Ctrl + F para localizar.

14 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

que beleza! elvis costelo é foda! o blog tb!

valeu!

hmmm, esse post me fez gastar quase 20 minutos procurando o "when i was cruel" dele, que não ouço desde o ano passado. nem tenho uma opinião formada do cd. só sei que me faz dançar e adooro a letra de "alibi".

então, mas eu me referia ao cd dele "when i was cruel". tem uma outra versão de "when i was cruel" (música) nesse cd. mas nem sei dizer se é melhor ou pior.

Bom, tenho grande respeito pelo Costello, mas lendo este e outros textos no blog, ficou claro que aqui tem um pouco de "Maria-Vai-Com-As-Outras"... Se todo mundo falou que "In Rainbows" é bom, então vamos falar também. Se todo mundo acha cool descer a lenha no rock progressivo, vamos fazer também. É isso? Com todo o respeito, há coisas boas tanto no punk quanto no progressivo. Mas há muita merda de ambos os lados também. Bem ou mal, o movimento krautrock na alemanha (Can, Faust, Neu!) era inspirado no progressivo, mas em termos de atitude antecipava o punk em vários sentidos (e não é que John "Johnny Rotten" Lydon era um grande fã do Can, por exemplo? basta ouvir "First Issue" e "Metal Box", do PIL, pra conferir). E o que dizer do Pink Floyd? Alguns dos ácidos da banda estão por aí no ambient, no trance, no Radiohead... Lembrem-se que Bowie trabalhou com Robert Fripp (King Crimson) em "Heroes"... E o que dizer do adorável Arcade Fire? "Neon Bible" = álbum conceitual! (a religião como espetáculo) Então, acho que nego fala mal do RP só pra parecer bacana... Tenho o maior orgulho de ter em minha coleção discos dos Stooges a Pink Floyd, do Clash a Hawkwind... Aumenta que isso tudo é rock'n roll, meu caro!

Quem falou mal do progressivo? Apenas foi citado que o pub rock combatia o progressivo. Isso não é opinião, é fato.

Tenho LPs do Pinky Floyd, sou fã de muitos trabalhos e sei exatamente a importância do progressivo não só no rock, como em todo o cenário musical posterior.

Antes de comentar algo, leia de verdade. Acho que você vem lendo as resenhas com uma certa fúria. Não acha?

Abraços!

Por acaso escolhi justamente este post para comentar o que eu tinha lido em vários outros aqui mesmo no blog: repetição de chavões contra ou favor a este ou aquele estilo (mas não estou querendo dizer que você compartilha dessas opiniões). O que eu observo é que a internet, ao invés de ser o espaço da discordância, do conflito, é um lugar onde se elaboram estranhos consensos... Alguns inclusive herdados dos meios de comunicação impressos...

É óbvio que você estava se referindo, neste post, sobre a reação do pub rock ao progressivo, mas mesmo o discurso sobre pub rock que você reproduz é batido, repetido de tudo o que já seu leu por aí. Incluindo os demais adjetivos utilizados para caraterizar este ou aquele tipo de música. Basta pôr no Google certas expressões-chave e a gente encontra centenas de textos praticamente iguais. Engraçado: você lê o "Please Kill Me" e não encontra nenhum depoimento, seja do Joey Ramone ou do Iggy Pop, repetindo chavões desse tipo contra o prog rock. Essas frases foram , antes de mais nada, por críticos. Os mesmos que os blogueiros por aí imitam. Nesse sentido, vocês estão pisando na bola, sim. Onde está a opinião independente?

Não confunda as coisas: eu expus o fato histórico. Se você não quer aceitá-lo, o problema é seu... Se essa expressão é manjada, infelizmente aqui também será. Opinião independente nesse assunto seria trocar seis por meia dúzia.
Vê se aprende a interpretar as coisas ao invés de vir com pensamento manjado.

Talvez fosse a hora de vocÊ parar de fumar crack.

Muito bom o seu blog cara, obrigada.
vou favorita.

Thank you for this punk rock classic!

man... adorei o blog! parabéns... é assim que se faz. dane-se que voce tenha um blog, o importante é que este seja de qualidade... e seu blog é 10!
continue orgulhando o Rock'n'Roll!!!!!!!

oi! amigo, que tal postar um pouco de George Benson? ele arrasa no blues/jazz.

oi! boa noite... amigo, que tal postar algo do George Benson? este arrasa no blues/jazz. se precisar eu tenho até um cd - George Benson - 1995 - The Best of - aii eu posso fazer um upload. mas,please, poste algo dele aii... vlw

Bota o disco ai. Nao ta mais funcionando o download.