Friend and Foe - Menomena

Se você juntasse três músicos, onde cada um sabe tocar uma infinidade de instrumentos, o que você imagina que resultaria? Não imagine. Ouça. Ouça o som do Menomena. Foda-se se eu estou lhe intimando a ouví-los. O som que esses caras de Portland (Oregon) fazem, lhe impulsiona a correr e compartilhá-lo com quem você conhece. São três músicos quem sabem de tudo um pouco: Brent Knopf na guitarra e teclados, Justin Harris no baixo, guitarra, sax barítono e sax alto e Danny Seim na percurssão. A banda ainda tem um trunfo exclusivo: eles utilizam um programa desenvolvido por Brent Knopf chamado Digital Looping Recorder, que os ajuda na composição das músicas, misturando diversos trechos tocados em cada intrumento (como um riff de guitarra) criando uma composição musical. Parece loucura? Não parece, é.

O último do Menomena, o Friend and Foe, que foi lançado nesse ano, segue a mesma do primeiro disco (de 2003). Logo de início, a faixa 'Muscle'n Flo' demonstra a perícia de Danny Seim na bateria, com muitos ataques e pausas. O baixo de Justin Harris vem constante, trazendo um pano grosso de fundo para a canção. Brent Knopf contribui com sua voz que se ajusta ao clima criado na canção e suas habilidades com o teclado. A voz de Knopf em alguns momentos em que alcança o auge, lembra Tunde Adebimpe, vocalista do Tv on the Radio. Aliás, não deixe de associar essas duas bandas, elas têm muito em comum. A segunda faixa The Pelican é marcada por notas graves e repetidas de piano, que sustentam boa parte da canção. E quando tudo parece mais uma composição de cunho lo-fi, a bateria, a guitarra e o baixo se fundem numa esfera sonora tão intensa que causa arrepios. Todo o arranjo, todas as inclusões de trechos vocais para adornar mais a canção são indescritíveis. Vã tarefa é explicar. Ouça. E as faixas continuam empolgando, trazendo novas experiências com o dinamismo do trio. A música 'Boyskouts Sweetboyskouts' foi a que mais me chamou atenção. O início te mpurra para aquelas canções infantis entoadas com assovios. O sax barítono (que Justin Harris toca muito bem) que preenche a canção mistura-se com a bateria e o baixo e faz lembrar do Morphine. Claro que essa comparação é mais pro lado da composição instrumental que para o som que sai dessa mistura. Na metade da música você já está de olhos fechados tentando captar o som do teclado (que é constante ao fundo), do baixo, bateria e claro, o sax que tempera tudo isso. Ah! É bom lembrar que ao chegar no refrão, aqueles assovios do início, acompanham a harmonia do vocal, fazendo de toda essa mistureba uma ótima sensação de ritmo.

Prometi à mim mesmo que não iria mais fazer artigo sobre uma banda e acabar analisando o disco inteiro. Por isso, acho mais legal comentar somente sobre essas três faixas, e lhe deixar curioso para baixar outros trabalhos deles (que logo disponibilizarei aqui no blog). Tem muita qualidade e demonstra uma coragem que muitas bandas não têm, coragem ao desbravar novos territórios utilizando os bons e velhos instrumentos. Muita gente já colocou sax no rock, mas o som do Menomena não se limita aos parâmetros do jazz-rock ou da influência que esse mesmo exerceu sobre o rock. Ouça e comprove o que estou escrevendo.

Set List

1- Muscle 'N Flow
2- The Pelican
3- Wet & Rusty
4- Air Aid
5- Weird
6- Rotten Hell
7- Running
8- My My
9- Boyscout'N
10- Evil Bee
11- Ghostship
12- West

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Experimente! Ouça a segunda faixa do álbum!


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