Back to Black - Amy Winehouse

Ouvi uma música de Amy Winehouse no rádio e logo deduzi: "putz, deve ser uma negona no estilo Fat Family, gordona, com um vozeirão". O locutor citou o nome de Amy e este nome ficou guardado. Aì vi uma reportagem na TV à cabo sobre essa tal cantora. Fiquei impressionado com o detalhe dela ser branca e magrela. Boca sofrida, cheia de fracassos nas costas, e é inglesa! Pensei: "ela canta e tem estilo bagunçado, será que ela oferece algo mais?", e nesse embalo fui acompanhar o disco inteiro.


Back to Black é um disco angustiado, com batidas que misturam o hip-hop e o velho R&B, fazendo algo novo. Juntando elementos de vários estilos, Amy Winehouse faz o seu próprio estilo. Com voz muito poderosa, metais que em muitos casos remetem ao jazz, outras vezes aquela pegada Motown, e um pouco de reggae, a cantora encanta com esse disco.

A música de abertura, 'Rehab', foi a sensação, primeiro lugar em várias paradas de sucesso, prêmios pela canção e pelo clipe. Traz características perdidas, coisa que as chamadas 'divas modernas' nem sentem falta. Não há um trabalho instrumental, não há uma preocupação com a construção melódica (gosto dessa expressão). Porém em 'Rehab' há uma certa pressa nas batidas, no vocal, já começa com o refrão, sem introdução, sem delongas.

They tried to make me go to rehab, I said, "No, no,no"

Sem falsidade, é música extraída das experiências dessa mulher que vive fodida, sendo internada devido ao alcolismo, tropeçando bêbada na frente de fotógrafos sedentos por um furo. Privilegiada com um talento e sofrida com a vida. Logo em seguida, vem a faixa que considero a melhor, 'You Know I'm No Good', com batidas mais sólidas e bem acompanhadas de trompetes e aquela letra de mulher que já vai falando que avisou: "Você sabe que eu não boa pessoa". As batidas são o destaque, sem dúvidas. Em 'Me And Mr Jones (Fuckery)', conta com backing vocal no estilo antigo, te arremessando anos e anos atrás nas harmonias gospel. Trás a música de raíz, em todos os estilos. Em 'Just Friends' a cantora coloca a pitada reggae, muito bem executada por sinal. A faixa 'Tears Dry On Their Own' é flashback, aquele R&B que embalava os anos 70.

Amy Winehouse resgata das profundezas o bom som, feito com sinceridade e bem trabalhado. Embora ela seja uma angustiada e sofrida, ela canta com a alma, com a amargura de sua alma. Uma branca que soa como uma Tina Turner em seu melhor momento. Um dos melhores discos da década, sem sombra de dúvida.

Set List

1- Rehab
2- You Know I'm No Good
3- Me & Mr. Jones
4- Just Friends
5- Back to Black
6- Love Is a Losing Game
7- Tears Dry on Their Own
8- Wake Up Alone
9- Some Unholy War
10- He Can Only Hold Her

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2 Opinião(ões) de nosso(s) leitor(es):

Condordo plenamente que esse disco eh sobra de duvidas um dos melhores da década.